Por António Saraiva, Business Development Manager na ISQ Academy
A OIT (Organização Internacional do Trabalho) acabou de levar a efeito o Fórum Mundial para uma Recuperação Centrada nas Pessoas, com o objetivo de se proporem ações concretas e reforçar a resposta da comunidade internacional à crise pandémica. Na apresentação do Fórum sugere-se “aumentar o nível e a coerência da resposta internacional ao impacto desigual desta crise nas Pessoas a nível mundial”.
O Fórum, com a presença de Chefes de Estado e organizações de referência, incluindo o Secretário-Geral das Nações Unidas, centrou-se nas ações necessárias para responder ao Apelo Mundial à Ação da OIT e ao Acelerador Mundial do Emprego e da Proteção Social.
Empregos dignos e crescimento económico inclusivo, proteção social universal, proteção dos trabalhadores e sustentabilidade das empresas e uma transição para uma economia global neutra em emissões de carbono, são drivers exigentes e ambiciosos. A iniciativa deste Fórum, leva, pois, a uma reflexão exaustiva das respetivas conclusões de forma imediata e, acima de tudo, na capacidade e vontade política na execução das mesmas, que se presumem céleres face à crise que se instalou.
Há sempre uma enorme bondade, e até vontade, em se promoverem debates à escala global, associando-se, muitas vezes, o objetivo de uma Transformação Cultural e que a mesma seja sustentável. Se à escala micro já experimentámos dificuldades de fusões culturais, imagine-se a dificuldade de o fazer à escala do planeta. Contudo, há sempre que acreditar que é possível, mesmo que se vão obtendo pequenos resultados parcelares. É um princípio que pode ser animador.
O importante é a preocupação de nos centrarmos nas Pessoas. Em particular, quando a mesma aponta para a dignidade da pessoa, nas formas de inclusão, numa proteção sustentada e preocupações do ponto de vista ambiental. São temáticas inequivocamente transversais. E a única forma que temos de combater um impacto desigual de qualquer crise, em particular da mais recente, é que essa transversalidade seja assumida na sua plenitude.
Renovação e aprendizagem contínua, que sustente o crescimento profissional das Pessoas, sem escamotear o controlo sobre a produtividade, eficiência e eficácia, são fundamentos para uma transformação sustentável, combatendo-se a burocracia, a retenção negativa de informação, uma competição caótica e atitudes de arrogância, manipulação e de atribuição de culpas quando se falham objetivos.
“Remar no mesmo sentido” é o lema. Com assunção de riscos partilhados, numa abordagem de responsabilidade social efetiva, numa lógica de compromisso em que cada um dá o que pode, mas… dá! Abdicar-se de agendas particulares e desenvolver-se a capacidade de ação coletiva, no fundo uma cultura coesa com visão global de futuro. Não se pretende unicidade, mas uma lógica de unidade com respeito pela diferença. Globalmente, tal como em qualquer organização de per si, há que marcar uma direção e definir um propósito.
A recuperação centrada nas Pessoas baseia-se na diversidade como um ativo positivo, procurando-se novas ideias, que aportam liberdade responsável e igualdade de oportunidades, sem prejuízo do incentivo a um sentimento de coesão. Acima de tudo uma coesão baseada em valores éticos e num futuro sustentável para a humanidade. Idealismo ou demagogia? Não! Tão só um compromisso com o bem comum e o bem estar das gerações futuras! Tornar real uma recuperação centrada nas Pessoas é o Propósito!














