“Recursos Humanos deveriam ser chamados de Activos Humanos”

Flávia Brito
25 de Julho 2016 | 13:54
“Recursos Humanos deveriam ser chamados de Activos Humanos”

Eric McNulty, professor da Universidade de Harvard, apresentou-se no Encontro de Alumni da AESE para falar sobre “A Call for ARTful Leadership: Coping with a Turbulent World”. Um tema que celebra a Arte e a Criatividade como instrumentos para aumentar a capacidade de adaptação, resiliência e confiança dos dirigentes, na linha da utilização da energia e do “know-how” criativo da arte, no âmbito dos desafios empresariais.

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Em entrevista à Human Resources, o professor americano explica-nos o papel dos Recursos Humanos na sociedade actual e como as lideranças por esse mundo fora se devem adaptar às circunstâncias globais.

Por Manuel Louro

 

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No mundo tão instável em que vivemos, especialmente na Europa, qual é o papel da área dos Recursos Humanos nas diferentes organizações?

Os Recursos Humanos têm um papel crucial a desempenhar. Muitas vezes, os RH focam-se no cumprimento e execução das regras. Em vez disso, gostaria de os ver como um departamento que defende o investimento nas pessoas e que assegura que as nossas organizações são humanas – e manter a restante direcção sénior com os compromissos que fazem. As pessoas precisam de se sentir psicologicamente seguras, de maneira a se empenharem em pleno no trabalho – ter a certeza sobre o ponto de vista da organização e se a maneira como as tratam proporciona a certeza que as vão ajudar a combater a turbulência do mundo. Gostava que renomeassem “Activos Humanos”, porque se cultiva valor através dos activos enquanto se extrai valor dos recursos. É uma grande diferença no pensamento e na prática.

  «Gostava que renomeassem [os Recursos Humanos] “Activos Humanos”, porque se cultiva valor através dos activos enquanto se extrai valor dos recursos».

A maneira como se gere as pessoas terá de ser alterada perante a mudança de paradigma que temos vindo a assistir?

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A administração está sempre a evoluir. Não sei se a prática acompanha ainda as mais recentes alterações. Penso é que precisamos de fazer entender que o trabalho é “uma casa longe de casa” para muitas pessoas. Uma das necessidades aí é entender o grau de parentesco – fazer parte da equipa. Os executivos precisam de tratar as pessoas como verdadeiros companheiros. Isso significa que podem contar consigo e que pode contar com eles. Isso significa promover a confiança entre os stakeholders. Em tempos turbulentos é possível criar alguma certeza através da transparência de processos, valores e critérios de decisão, mesmo quando não se garantem resultados.

A Arte e Criatividade são, para si, ferramentas fundamentais para aumentar a adaptação e a confiança dos gestores. Em termos práticos, como poderão os líderes de hoje criar mecanismos para se adaptarem e prepararem-se para enfrentar mercados tão voláteis?

Não tome a “arte” de forma demasiado literal. Quando falo de “ARTful leadership”, refiro-me à capacidade de adaptação, resiliência e confiança. Capacidade de adaptação é o conforto e a facilidade em relação à mudança – optimizar para o fluxo de ideias e energia, tal como bens, serviços e fundos. As pessoas que desempenham várias funções demonstraram que tanto tornam o trabalho da linha da frente mais envolvente como promovem a excelência operacional. A resiliência  ajuda a avançar através das adversidades – praticar o falhanço, aprender e recomeçar. Como é lógico que não se quer erros com grandes consequências, mas é necessário ter uma tolerância alta para erros de baixa importância. É assim que as pessoas melhoram. A confiança é a porta de entrada para uma cultura baseada em valores. Quando se assimilam a cultura e valores certos, as pessoas tomam decisões e acções proactivamente. Isso é essencial em mercados em rápida evolução.

«A confiança é a porta de entrada para uma cultura baseada em valores».

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O que é para si um líder perfeito actualmente?

Não há nenhum. Os melhores são emocionalmente inteligentes o suficiente para saber quando avançar para se afirmar e humildes o suficiente para recuar. Ninguém é a pessoa certa para liderar em todas as situações.

 

Temos vindo a assistir a um enorme desenvolvimento tecnológico e digital nas últimas décadas. De que maneira pode ser esse desenvolvimento aproveitado para benefício das lideranças?

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Temos agora uma capacidade fenomenal, através da tecnologia, para nos conectarmos uns com os outros, para entender melhor os nosso mercados e clientes, e para discernir melhor o nosso contexto operacional. O truque é recordar que a liderança tem a ver com factores humanos. Por exemplo, uma CEO de uma multinacional onde trabalhei enviou um email geral no seu primeiro dia de trabalho. Incluiu uma fotografia sua, informal e sorridente, juntamente com um pedido para que toda a gente ajudasse a ultrapassar os obstáculos e a encontrar novas oportunidades. E incluiu o seu endereço directo. Quando as pessoas lhe escreviam, ela respondia. Rapidamente ficou conhecida como alguém aberta e receptiva a novas ideias. Ajudou-a a identificar os talentos dentro da organização e criou um ambiente de “nós” em vez de “ela”, que seria responsável pelo sucesso. Isto é como se utiliza a tecnologia para complementar e ampliar a humanidade, em vez de ser um substituto.

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