Reforma dos ‘Boomers’ tem mais impacto na economia do que a IA

Hisayuki “Deko” Idekoba, CEO da Indeed, afirma que, como uma grande parte da força de trabalho norte-americana a aproximar-se da reforma, não há jovens suficientes para os substituir.

Human Resources
4 de Maio 2026 | 10:40

O resultado não é uma simples escassez de mão-de-obra. É um desfasamento, em que algumas vagas estão lotadas de candidatos, enquanto outras permanecem em aberto.

Na sua opinião, neste momento essa mudança demográfica é uma força económica maior do que a inteligência artificial, avança o Moneywise. Nos próximos 15 anos, prevê-se que os EUA tenham cerca de 20 milhões de trabalhadores a menos, sendo que cerca de 80% desta redução é impulsionada pela reforma e não pela automação.

A discrepância descrita por Idekoba não está distribuída de forma uniforme por toda a economia. Em muitas áreas de trabalho administrativo, as contratações diminuíram e a concorrência por vagas aumentou, especialmente na tecnologia e noutros empregos de escritório que se expandiram rapidamente nos últimos anos. Ao mesmo tempo, as vagas de emprego mantêm-se elevadas nos sectores que dependem do trabalho presencial e manual.

A construção civil é um dos exemplos mais claros. O sector precisará de contratar cerca de 350 mil trabalhadores adicionais para satisfazer a procura, de acordo com a Associated Builders and Contractors.

A área da saúde enfrenta um desafio semelhante, com as projecções federais da Health Resources and Services Administration a apontarem para uma significativa escassez de enfermeiros e outros profissionais de saúde nos próximos anos.

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Ao mesmo tempo, a própria força de trabalho está a envelhecer. Cerca de 1 em cada 4 trabalhadores nos EUA tem agora 55 anos ou mais, de acordo com o Censos dos EUA, uma proporção que tem vindo a aumentar constantemente à medida que a geração Baby Boomer se aproxima da reforma.

Em teoria, um mercado de trabalho em desaceleração deveria facilitar o preenchimento de vagas em aberto. Na prática, não é assim tão simples.

Um trabalhador de escritório despedido não pode assumir facilmente um cargo como electricista, enfermeiro ou gestor de construção sem formação significativa. Isto explica, em parte, porque é que os economistas e os decisores políticos têm vindo a alertar há anos para o crescimento mais lento da força de trabalho.

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Outros países desenvolvidos enfrentam pressões semelhantes. O Japão, que tem uma das populações mais idosas do mundo, passou décadas a tentar compensar o declínio da força de trabalho aumentando a participação das mulheres e dos trabalhadores mais velhos. Ainda assim, continua a lidar com a escassez de mão-de-obra em sectores-chave.

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