Regras europeias em matéria de IA são insuficientes

Human Resources com Lusa
29 de Agosto 2025 | 19:45
Regras europeias em matéria de IA são insuficientes

O chefe do departamento de tecnologia e jornalismo dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Vicente Berthier, considera que as regras europeias em matéria de Inteligência Artificial (IA) são insuficientes.

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À agência Lusa, Vicente Berthier explica que a IA pode ser utilizada como um instrumento de criação de conteúdo que facilita a produção de deepfakes (técnicas que utilizam IA para criar conteúdos falsos, como vídeos, imagens ou áudios, que parecem reais).

A IA impulsiona também o desenvolvimento de chatbots (assistente virtual que usa IA e programação para comunicar texto com os utilizadores) e outros sistemas de IA «que ainda parecem ser extremamente permeáveis a vários conteúdos de desinformação e provavelmente incapazes de produzir conteúdo confiável em escala».

Neste sentido, o representante da organização não governamental (ONG) salienta que “as regras europeias em matéria de IA não são suficientes”.

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Para Vicente Berthier, «a lei da Inteligência Artificial, que se apresenta como um dos quadros mais ambiciosos do mundo, não trata os sistemas que afectam a produção de informação como de alto risco, o que é um disparate».

«Por exemplo, os fornecedores de chatbots, que são usados como fonte, devem ser obrigados a usar fontes de informação pluralistas e confiáveis para as respostas dos seus sistemas e, portanto, compartilhar receitas com editores, através de uma negociação colectiva», explica o responsável.

Do ponto de vista jurídico, o representante dos RSF salienta ser necessário “repensar o status destas plataformas”, defendendo «um estatuto intermédio, que não torne as plataformas diretamente responsáveis por todo o conteúdo que transportam, o que poderia levar à censura em massa, mas que reconheça a sua responsabilidade algorítmica e o seu papel no incentivo à produção de certos tipos de conteúdo, como intermediários na distribuição de informação».

Em Abril de 2021, a Comissão Europeia propôs a primeira lei da União Europeia (UE) sobre inteligência artificial, estabelecendo um sistema de classificação de IA baseado no risco, estando também em vigor o Regulamento dos Serviços Digitais (RSD), que pretende contribuir para o bom funcionamento do mercado interno nesta matéria.

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