Regresso ao escritório. Será essa a questão?

Human Resources
12 de Novembro 2021 | 11:00
Regresso ao escritório. Será essa a questão?

O “regresso ao escritório” continua a ser um tema muito presente, e certamente muitos de nós já perguntámos a amigos ou familiares: “já regressaste ao escritório?” A pergunta é, em si, reveladora. Será o tema principal a retoma da rotina de antigamente, ou deveríamos colocar a pergunta como “Qual o modelo de trabalho em que te encontras?” ou “Qual o modelo de trabalho que preferes?”.

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Por Margarida Calado, head of People at everis NTT DATA Portugal

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Após mais de ano e meio de trabalho à distância (para alguns de nós), a dúvida parece, em muitos casos, permanecer: será que vamos voltar aos modelos de trabalho de sempre? Ou a pandemia veio realmente alterar as regras do jogo?

Estamos a assistir a uma evolução a diferentes níveis. Umas organizações, alicerçadas na sua actividade e reforçando a sua cultura organizacional, podem ter assumido modelos remotos em definitivo. Outras organizações aproveitaram as aprendizagens do último ano e meio para transformarem o seu modelo de trabalho, adoptando modelos flexíveis, híbridos e dinâmicos. Outras ainda, porventura devido à particularidade da sua actividade, estão a regressar à rotina prévia, com os colaboradores a voltarem progressivamente ao local de trabalho.

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Todas elas estão em processo de evolução e nenhuma se pode excluir da necessidade de adaptar a sua actividade aos novos tempos. A pandemia tornou evidente que o trabalho remoto não compromete a produtividade – excepção feita a actividades que não o permitem –, que as pessoas valorizam a flexibilidade para equilibrarem as suas vidas pessoais e profissionais e que a tecnologia facilita a adopção destas novas formas de trabalhar.

Tanto a nível pessoal como a nível das organizações, haverá quem, por natureza, valorize mais modelos de trabalho remoto, de trabalho flexível ou de trabalho presencial.

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Por outro lado, ficou também claro que os espaços de trabalho físicos podem ter um papel fundamental para a socialização entre colegas, o desenvolvimento profissional individual e o fortalecimento da cultura das organizações. Por tudo isto, é certo que o espaço físico de trabalho não vai acabar, pelo menos, para já. Vai certamente transformar-se. A tecnologia vai acrescentar dinamismo e flexibilidade, e os espaços em si tornar-se-ão ainda mais lugares de colaboração e convívio, multiplicando os espaços de reunião, os espaços para videochamadas, as zonas de silêncio e criando outros que ainda nem conseguimos descortinar.

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Esta minha percepção decorre também da experiência que temos vivido na empresa. Na everis NTT DATA acreditamos num modelo de trabalho flexível, híbrido, dinâmico e assíncrono, no qual as equipas se organizam de acordo com um modelo de flexibilidade e confiança, em função das necessidades dos clientes e da preferência de cada um. Neste modelo, o trabalho colaborativo é uma constante, mas a presença física tem de ter um sentido claro, que a justifique.

Em suma, estamos a viver um momento ímpar em termos de mudança nos modelos de trabalho e talvez deixe de fazer sentido falarmos em “regresso ao escritório”, dado que a conversa pode e deve ser muito mais lata.

Talvez deixe também de fazer sentido falarmos em modelos de trabalho estanques ou definitivos, dado que estes modelos podem bem estar em constante evolução, a diferentes velocidades, em função da natureza das organizações, das pessoas e das mentalidades.

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Este artigo foi publicado na edição de Novembro (nº.131)  da Human Resources, nas bancas.

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