Relatório internacional identifica as três principais ameaças à segurança no mundo empresarial

Tânia Reis
6 de Fevereiro 2024 | 11:50

O aumento da criminalidade organizada, a incerteza geopolítica e as surpresas estratégicas são as principais ameaças à segurança para o ano de 2024. Estas são as conclusões do relatório “O Mundo em 2024”, da Prosegur Research, que analisa as tendências globais e os desafios emergentes que irão moldar o sector da segurança.

 

A Prosegur Research identifica as interacções entre factores geopolíticos, económicos, sociais, tecnológicos e ambientais que irão moldar o panorama da segurança durante este ano. O estudo também se foca no mundo empresarial e apresenta uma análise pormenorizada da segurança nos vários sectores de actividade, destacando como cada um enfrenta desafios e oportunidades únicos.

Com base num modelo consolidado ao longo de três anos, a empresa identificou cinco factores-chave para o futuro: geopolítico, económico, social, tecnológico e ambiental. Esta abordagem permitiu monitorizar e distinguir os riscos predominantes para este ano.

O aumento da criminalidade organizada é um desses riscos. Este factor alimenta o ecossistema da criminalidade convencional, que, através de diferentes tipologias como a fraude interna, a perda desconhecida ou o aumento das burlas, afecta particularmente as empresas.

Continue a ler após a publicidade

Outra das ameaças destacadas é a incerteza geopolítica. Factores como a desinformação, os conflitos armados (com uma em cada seis pessoas afectadas a nível mundial em 2023, sendo a Ucrânia e Gaza os conflitos mais sangrentos), a mudança de papéis dos actores estratégicos mundiais (Norte-Sul) e as eleições em mais de 70 países, com mais de quatro mil milhões de pessoas chamadas a votar em 2024, os mais de 2,4 milhões de refugiados que terão de ser realojados (mais 20% do que em 2023), configuram um mundo em níveis máximos de incerteza e desordem, o que consolida o regresso da geopolítica aos conselhos de administração das empresas.

Por último, as surpresas estratégicas decorrentes do desenvolvimento tecnológico. Embora traga oportunidades de negócio e seja uma alavanca para a mudança social, o desenvolvimento tecnológico tem vindo a fazer com que, no contexto actual, tudo seja susceptível de ser utilizado como arma (everything-as-a-weapon): informação, dados pessoais, energia, chips, investimentos, gestão de fluxos migratórios, etc. A utilização maliciosa da IA, na chamada WIAponisation, também se está a revelar como uma das maiores ameaças nos próximos anos.

Por sectores

Continue a ler após a publicidade

Este ano, o relatório também analisa o mundo empresarial. Para além de recolher as preocupações dos directores executivos de várias empresas, fornece uma análise detalhada da segurança em diferentes sectores, destacando os desafios e oportunidades específicos de cada um.

Desde o retalho, a logística, o imobiliário e as finanças, até à indústria e à energia, o estudo fornece uma visão abrangente dos desafios que estas áreas enfrentam num contexto global em constante evolução.

Em particular, o relatório destaca, no sector do retalho, os desafios relacionados com a criminalidade contra as empresas e a adaptação a um mercado digital em constante mudança. A logística centra-se na gestão eficiente da cadeia de abastecimento, face às incertezas geopolíticas e aos fenómenos climáticos.

O sector imobiliário sublinha a importância da segurança jurídica e da gestão dos riscos num ambiente cada vez mais urbanizado, enquanto as finanças e a energia são particularmente afectadas pela volatilidade económica, pela necessidade de adaptação tecnológica e pela gestão dos riscos associados a fenómenos meteorológicos extremos. A indústria no seu conjunto enfrenta o desafio de integrar os avanços tecnológicos, mantendo a segurança dos seus processos.

«O nosso objectivo não é prever o futuro, mas ajudar a moldar um mundo mais seguro através de uma análise cuidadosa e de uma reflexão ponderada. Ao adoptar uma perspectiva multidimensional, procuramos equipar as empresas e os líderes com as ferramentas analíticas e conceptuais necessárias para manobrar num ambiente global que é tão mutável quanto imprevisível», afirma José María Blanco, director de Prosegur Research.

Continue a ler após a publicidade

O relatório conclui enfatizando que esta análise representa apenas uma faceta das muitas variáveis, tendências e actores que podem moldar uma gama infinita de cenários no mundo de hoje. Neste contexto, a preparação para 2024 passa por encontrar um equilíbrio entre rigor e agilidade, promovendo o livre fluxo de ideias entre as pessoas.

O relatório completo está disponível aqui.

Partilhar


Mais Notícias