A Randstad Portugal divulgou a sua análise mensal ao mercado de trabalho, baseada em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e da Segurança Social, relativos a Agosto de 2025. Em Agosto, o emprego voltou a atingir um máximo histórico, com mais de 5,26 milhões de trabalhadores, mas a taxa de desemprego aumentou para 6,1%, contrariando a tendência habitual deste mês. A remuneração média fixou-se nos 1710, 55 euros.
Segundo as estimativas mensais do INE, a população empregada aumentou em 2100 pessoas face a Julho, totalizando 5.265.400 trabalhadores. Em termos homólogos, verificou-se um crescimento robusto de 174.700 pessoas (+3,4%).
A população activa aumentou 9.800 pessoas (+0,2%) face ao mês anterior, para um total de 5.606.700 activos. Já o desemprego registou uma subida mensal de 7700 pessoas (+2,2%), fixando-se em 341.300 desempregados. A taxa de desemprego aumentou 0,1 p.p. face a Julho, para 6,1%, embora tenha recuado 0,2 p.p. em termos homólogos.
Em termos de grupos populacionais, o aumento do desemprego foi mais expressivo entre os homens (+7.300; +4,6%) e os adultos dos 25 aos 74 anos (+11.100; +4,3%). Entre os jovens (16-24 anos), pelo contrário, registou-se uma descida de 3400 pessoas em situação de desemprego (-4,5%).
De acordo com os dados administrativos do IEFP, em Agosto havia 301.638 desempregados registados, mais 8813 do que em Julho (+3%). Este valor corresponde a 66,5% dos 433.901 pedidos de emprego.
O aumento do desemprego registado foi transversal a quase todas as regiões, com destaque para o Norte (+4.568; +3,9%), Lisboa (+2.427; +2,4%) e Centro (+1.584; +3,8%). O Algarve foi a única região a contrariar a tendência, com uma redução de 103 desempregados (-1,1%).
Em termos homólogos, a tendência manteve-se de descida: o desemprego registado recuou em 11.783 pessoas (-3,8%) e os pedidos de emprego diminuíram 16.755 (-3,7%). Lisboa e Vale do Tejo (-7.412; -6,8%), o Norte (-2.583; -2,1%) e a Madeira (-1.228; -18,4%) destacaram-se nas reduções.
O Norte continua a concentrar a maior fatia do desemprego registado no país, com 122.971 pessoas (40,8% do total), seguido de Lisboa e Vale do Tejo (101.744; 33,7%).
Segundo os dados da Segurança Social, a remuneração média declarada pelas entidades empregadoras foi de 1.710,55 euros em Julho. Este valor representa uma redução mensal significativa (-11,8%), reflectindo efeitos sazonais como o pagamento de subsídios, mas ainda assim traduz um crescimento homólogo de +5,2%.
Lisboa mantém-se como a região com remuneração média mais elevada (1.927,02€), seguida de Aveiro (1.802,78€). No extremo oposto estão Beja (1.345,21€) e Bragança (1.382,51€).
Agosto de 2025 reforça uma tendência negativa no desemprego, tanto nos dados do INE como nos do IEFP, contrariando o comportamento habitual deste mês. Normalmente, Agosto é marcado por uma divergência entre estas duas variáveis: o IEFP regista mais inscrições nos centros de emprego no final do mês, enquanto o INE, ao basear-se numa média móvel trimestral, tende a suavizar esse pico. Este ano, no entanto, ambas as fontes apresentaram a mesma tendência desfavorável.
O número de desempregados registados pelo IEFP aumentou 8813 pessoas em Agosto (+3,0%), fixando-se em 301.638 desempregados — um crescimento superior à média dos últimos 20 anos para este mês (+6 mil pessoas). Este resultado faz de Agosto de 2025 o segundo pior Agosto da última década, apenas superado por 2023, quando o aumento ultrapassou os 11 mil desempregados.
Em termos sectoriais, o aumento do desemprego registado foi generalizado em todos os sectores de actividade, mas o setor dos serviços foi o principal responsável pela subida e registou um acréscimo de 6.077 desempregados (+3,7%).
«Agosto de 2025 quebrou uma regra do mercado de trabalho: em vez de vermos o INE e o IEFP a seguir trajetórias opostas, ambos registaram aumentos no desemprego. A conjugação de um crescimento superior à média histórica e a forte incidência no sector dos serviços fazem deste o segundo pior Agosto da última década, sinalizando uma pressão acrescida sobre o mercado de trabalho. Ainda que o mercado de trabalho esteja a viver um período de relativa estabilidade, este é um sinal a ter em conta porque pode antecipar uma mudança de ciclo e exigir uma resposta mais ágil das empresas e das políticas públicas para evitar um agravamento do desemprego», sublinha Isabel Roseiro, directora de Marketing da Randstad Portugal.














