Renegociar dívidas nem sempre é o melhor caminho. Esteja atento a estas 4 mitos

Margarida Lopes
13 de Julho 2025 | 18:00
Renegociar dívidas nem sempre é o melhor caminho. Esteja atento a estas 4 mitos

Em 2024, o endividamento das famílias portuguesas atingiu um valor recorde de 159,15 mil milhões de euros, o maior desde 2012. Apesar deste crescimento nominal, o rácio de endividamento das famílias em relação ao rendimento disponível diminuiu para 79,2%, o valor mais baixo desde 2009, indicando uma melhoria na capacidade de pagamento das famílias.

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Tendo a renegociação de créditos assumido um papel cada vez mais relevante em Portugal nos últimos anos, a Bravo, especialista na mediação entre clientes e credores que atua em seis países, vem desvendar os principais mitos que podem estar a impedir que mais portugueses de recorram a esta solução vantajosa.

1. Renegociar as dívidas aumenta-as e prolonga a dívida durante muito mais tempo
Isto não é necessariamente verdade. Muitas pessoas acreditam que só devem procurar ajuda quando já falharam pagamentos ou estão numa situação-limite. Na realidade, a renegociação pode e deve ser feita antes de se chegar ao incumprimento. Agir de forma preventiva permite renegociar condições mais favoráveis, evitar registos negativos e manter o equilíbrio financeiro. Renegociar é uma decisão responsável, e não um sinal de fracasso.

2. A renegociação apaga o histórico de incumprimento
Errado. Mesmo com novo acordo, as situações anteriores de incumprimento permanecem registadas no Banco de Portugal, apenas desaparecendo após o cumprimento total do acordo. A simples renegociação não elimina esses registos negativos.

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3. Quem já tem muitas dívidas não deve tentar renegociar
Na verdade, renegociar pode aliviar imediatamente a pressão financeira. Embora o endividamento das famílias tenha subido em valor absoluto – por exemplo, os particulares acumularam mais 0,3 mil milhões de euros em dívida até janeiro de 2025 – o rácio de endividamento em relação ao rendimento disponível caiu para cerca de 79,2% no final de 2024, o mínimo histórico em Portugal. Isto significa que manter o controlo da dívida face aos rendimentos é possível e está a melhorar – ajudado por renegociações e poupança familiar.

4. Renegociar dívidas vai afectar negativamente o acesso ao crédito futuro
Muita gente pensa que, ao renegociar uma dívida, perde o direito a pedir crédito no futuro. Na verdade, renegociar é um sinal de responsabilidade e compromisso para com as obrigações financeiras. Embora o histórico de incumprimento possa ficar registado temporariamente, as instituições valorizam quem procura soluções para pagar as suas dívidas em vez de simplesmente ignorá-las. Além disso, um acordo cumprido dentro dos prazos acordados melhora a reputação financeira, abrindo portas para novas operações de crédito quando necessário.

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