Reorganizar em tempos de crise: uma nova lógica de coletivo organizacional

Human Resources
26 de Abril 2021 | 11:00

Por António Saraiva, Business Development Manager na ISQ Academy

 

Estudos recentes indicam que os colaboradores estão globalmente satisfeitos com a adoção do teletrabalho e, inquéritos em algumas organizações, revelam, em larga percentagem, que desejam assim continuar. É neste contexto que se vão conhecendo práticas de reorganização internas ou que as mesmas começam a ser planeadas.

Vamos assistindo que vão proliferando planos de continuidade de negócio para o pós pandemia que encerram em si mesmos medidas de flexibilização dos modelos de trabalho, tendo em vista maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. O trabalho remoto e a gestão remota dos colaboradores está, pois, a ser uma tendência no desenho das políticas de Gestão de Pessoas.

O apelo à criatividade da liderança tende a aumentar, com um forte investimento em estratégias de engagement com novas dinâmicas colaborativas, com apelo à gamificação e políticas de remuneração e incentivos reajustadas. Mas, da mesma forma, uma maior atenção à Saúde Mental, já que as Pessoas são mais produtivas e felizes se as valorizarmos pelo que fazem, mas também se as apoiarmos emocionalmente.

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As organizações perceberam que têm de ir mais longe, mesmo com um cenário de crise. Investir na transformação digital revela-se crucial e em particular na componente gestão de pessoas, em que ferramentas de análise de indicadores ao nível do desempenho, desenvolvimento e comunicação são prioritárias. Perante o contexto atual, as exigências de monitorização contínua são muito relevantes e a aposta num feedback continuado com repercussões no desenvolvimento é determinante.

Nesta aproximação ao pós pandemia, o mercado vai estar sujeito a rápidas flutuações. Os planos de recuperação económica  de cada Estado começam a ser mais visíveis e percecionam-se as orientações de investimento e de suporte à atividade. E são estas orientações que demonstram as tendências dos próximos anos, nomedamente em políticas de emprego, de captação e retenção do talento e, muito especialmente, na versatilidade que vai ser exigida a pessoas e equipas. Há que ter colaboradores aptos para darem o seu contributo em diversos desafios, exigindo-se uma visão estratégica com mais acuidade, maior polivalência e flexibilidade e comunicação mais abrangente e transparente.

Reorganizar não é defraudar expetativas. Não é um processo do “tem de ser por causa de uma crise”. Reorganizar é envolver! É essencialmente um processo que conduza ao crescimento de uma Organização e ao desenvolvimento das suas Pessoas. A reorganização não é uma refundação, é acima de tudo gerar condições de adaptação a novas circunstâncias. A invisibilidade do responsável por esta crise sanitária revelou que nem sempre enfrentamos o óbvio. O sucesso não passa tão somente por qualquer bazuca financeira ou pela reinvenção de modelos de gestão. Reorganizar é o tocar a rebate pela vivência em torno dos Valores organizacionais e adaptando políticas e comportamentos que potenciem uma nova lógica de coletivo organizacional, em que todos são agentes de mudança e são recompensados no seu equilíbrio pessoal/profissional.

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