Ricardo Lopes, Aquapor: «Apoiar a educação é investir no capital humano e reduzir desigualdades»

Nascida da estratégia de responsabilidade social e do compromisso ambiental do Grupo SAUR, a Aquapor lançou a Bolsa Geração Azul. O objectivo é incentivar jovens a desenvolver soluções inovadoras no sector da água, promover igualdade de oportunidades e preparar o futuro talento, revela Ricardo Lopes, director de Recursos Humanos.

Por Tânia Reis

 

Na primeira edição, foram atribuídas seis bolsas a estudantes que apresentaram propostas alinhadas com os pilares ESG da organização, reforçando a ligação entre empresas, universidades e o desenvolvimento de competências críticas para o futuro do sector.

Como surgiu a ideia da Bolsa Geração Azul e que motivos estiveram por trás deste projecto?

A Bolsa Geração Azul nasce no âmbito da política de responsabilidade social da Aquapor e reflecte a forma como encaramos o nosso papel enquanto empregador e agente activo na sociedade. Acreditamos que o futuro do sector da água depende da capacidade de atrair, desenvolver e apoiar jovens talentos, e que as empresas têm a responsabilidade de contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior. Enquanto empresa do Grupo SAUR, com um forte compromisso social e ambiental, entendemos que investir na formação de estudantes em áreas críticas para o nosso sector é uma forma concreta de criar impacto social positivo e de preparar, a longo prazo, o futuro do talento e das competências de que o sector necessita.

Que resultados esperam alcançar?

Esperamos, desde logo, reduzir barreiras financeiras no acesso ao ensino superior e incentivar jovens com talento a escolherem áreas STEM. Paralelamente, queremos estimular o pensamento crítico, a inovação e a procura de soluções sustentáveis para desafios ambientais, criando uma geração de profissionais mais consciente e preparada para responder às exigências do sector ambiental.

Que critérios foram definidos para a atribuição das bolsas?

Os candidatos devem estar a ingressar no ensino superior público em Portugal, em cursos das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia ou Matemática. Um dos principais critérios é a apresentação de uma proposta que identifique um problema ambiental e apresente uma solução inovadora e sustentável, alinhada com um dos pilares ESG do Grupo SAUR: People, Platform, Planet ou Performance. As propostas são avaliadas com base na sua relevância, inovação e impacto potencial.

Quantos estudantes prevêem apoiar anualmente?

Nesta primeira edição, foram atribuídas seis bolsas.

Por que escolheram especificamente as áreas STEM como foco desta iniciativa?

As áreas STEM são fundamentais para responder aos desafios actuais e futuros da gestão da água, das alterações climáticas e da sustentabilidade ambiental. São também áreas onde existe uma crescente procura de profissionais qualificados. Ao apoiar estudantes nestes domínios, estamos a investir directamente no desenvolvimento de competências essenciais para o sector.

Que impacto esperam gerar na vida dos jovens e, a longo prazo, no sector da gestão da água?

A curto prazo, esperamos aliviar a pressão financeira sobre os estudantes e as suas famílias, permitindo que se foquem no seu percurso académico. A longo prazo, acreditamos que esta iniciativa contribuirá para formar profissionais mais qualificados e alinhados com os princípios da sustentabilidade.

Como vão medir o sucesso da iniciativa? Há indicadores ou metas definidas?

O sucesso será avaliado através de vários indicadores, como o número e a qualidade das candidaturas, o impacto e maturidade das soluções apresentadas.

Esta bolsa é vista como um projecto pontual ou pretende tornar-se uma acção contínua da Aquapor?

A Bolsa Geração Azul não é pensada como uma acção isolada. A nossa ambição é que se torne uma iniciativa estruturante e contínua da Aquapor, integrada na nossa estratégia de responsabilidade social, inovação e desenvolvimento de talento.

Na sua opinião, qual o papel das empresas na promoção da educação e na redução das desigualdades de acesso ao ensino superior?

As empresas têm um papel cada vez mais relevante, razão pela qual considero que, além da sua actividade económica, devem contribuir activamente para o desenvolvimento das comunidades onde estão inseridas. Apoiar a educação é investir no capital humano, reduzir desigualdades e promover uma sociedade mais equilibrada e preparada para o futuro.

Acredita que iniciativas como esta podem inspirar outras organizações a seguir o mesmo caminho?

Sem dúvida. Acreditamos que o exemplo tem um efeito multiplicador. Se mais empresas se envolverem activamente na promoção da educação e da sustentabilidade, o impacto colectivo será muito mais significativo.

Existe a intenção de criar uma ligação futura entre os bolseiros e a empresa, por exemplo, através de estágios ou programas de trainee?

Sim, vemos esta bolsa também como uma oportunidade de aproximação ao talento jovem, nomeadamente através de estágios profissionais, projectos académicos ou programas de integração, permitindo um contacto mais próximo com a realidade da Aquapor e do sector. A intenção é, de no futuro, continuarmos a acolher estas iniciativas e aumentarmos o seu número.

Como vê a evolução da relação entre empresas e universidades nos próximos anos, especialmente em áreas críticas como STEM?

Vejo essa relação a tornar-se cada vez mais próxima e estratégica. As empresas precisam do conhecimento científico e da capacidade de investigação das universidades, mas beneficiam igualmente, de forma muito directa, do contributo dos jovens, que trazem novas perspectivas, uma maior capacidade de pensar de forma diferente, de questionar modelos estabelecidos e de arriscar. Em áreas como STEM, esta ligação é fundamental para potenciar a inovação, acelerar a transferência de conhecimento e integrar nas organizações profissionais mais criativos, ágeis e preparados para responder aos desafios do futuro.

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