«De forma global, o s resultados a pontam p ara um cenário d e transformação progressiva, mas a inda pouco madura, em que a inteligência artificial (IA) funciona como um dos principais catalisadores da mudança. As organizações reconhecem os benefícios potenciais da tecnologia, nomeadamente ao nível da automatização, produtividade e transformação dos processos, mas ainda enfrentam dificuldades na sua implementação e integração.
O principal desafio identificado não parece ser simplesmente “adoptar tecnologia”, mas conseguir transformar a tecnologia em valor organizacional sem perder o foco nas pessoas. Para isso, será necessário investir em competências, requalificação, liderança, cultura, novas formas de organização do trabalho e modelos de carreira mais adaptados à realidade futura.
Os resultados sugerem igualmente que o futuro do trabalho será marcado menos por uma substituição generalizada das pessoas e mais por uma reconfiguração do trabalho humano. Algumas tarefas serão automatizadas, algumas funções serão redesenhadas e novas competências ganharão importância. Consequentemente, as organizações terão de repensar não apenas quantas pessoas precisam, mas sobretudo que pessoas, com que competências e para desempenhar que funções.
Por fim, destaca-se uma questão particularmente relevante: a preparação para o futuro terá de começar antes da entrada no mercado de trabalho. A percepção de que o sistema de ensino prepara apenas parcialmente os jovens, conjugada com a expectativa de um recrutamento mais selectivo, evidencia a necessidade de uma maior aproximação entre sistema educativo, empresas e sociedade.
Assim, 2027 não deverá representar uma ruptura súbita, mas antes uma aceleração de transformações que já estão em curso. O sucesso das organizações dependerá da sua capacidade para antecipar essas mudanças, desenvolver competências, adaptar modelos de liderança e colocar a tecnologia ao serviço das pessoas. A verdadeira transformação da Gestão de Pessoas será, por isso, simultaneamente digital, organizacional e humana.»
Este testemunho foi publicado na edição de Agosto (nº. 188) da Human Resources, no âmbito do seu LXVI Barómetro.
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