Ritmo de trabalho e exigências emocionais são riscos psicossociais severos na função pública

Human Resources com Lusa
31 de Maio 2022 | 12:00

O ritmo de trabalho e as exigências cognitivas e emocionais são fatores de risco psicossocial «severo» para os trabalhadores da administração pública, segundo um estudo promovido pela Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP).

 

A conclusão integra o relatório do «Estudo de Avaliação dos Riscos Psicossociais na Administração Pública», que contou com a parceria da Ordem dos Psicólogos Portugueses e com a colaboração de 77 entidades públicas e 23.563 respostas de 61.608 trabalhadores.

«Na análise do perfil de risco geral obtido neste estudo, identifica-se como risco severo os factores «ritmo de trabalho», «exigências cognitivas» e «exigências emocionais», pode ler-se no documento.

Quanto ao factor «ritmo de trabalho», o estudo refere que a atividade profissional «é percepcionada como sendo desenvolvida a um ritmo acelerado e exigente, por vezes sem pausas, visando a conclusão da(s) tarefa(s) no tempo previsto».

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Já sobre o factor de risco «exigências cognitivas», o relatório indica que «o esforço mental elevado para processamento de informação, a concentração elevada e/ou o excesso de solicitações sensoriais, cognitivas e intelectuais conduzem a fadiga mental».

Relativamente ao factor «exigências emocionais», são percecionadas pelos trabalhadores como sendo «excessivas» situações em que é necessário «lidar com o sofrimento, doença, dor ou morte» e também situações «com dissonância emocional, dada a constante obrigação de demonstrar emoções diferentes (ex.simpatia), daquelas que realmente sente (ex. tédio)».

Ainda no âmbito das exigências emocionais, segundo o estudo, estão situações relacionadas com «isolamento físico e/ou social», nomeadamente «em contextos sociais disruptivos», como trabalho com pessoas com comportamentos aditivos, vítimas de abusos ou presos.

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Os autores ressalvam que o estudo foi desenvolvido num contexto de pandemia, o que poderá «condicionar alguns resultados», mas salientam que «muito antes de Março de 2020», altura em que foi decretado o estado pandémico, «já existiam evidências da importância da integração do estudo e avaliação dos riscos psicossociais nas organizações».

O estudo tem como objectivo contribuir para a definição e implementação de políticas públicas que respondam aos riscos identificados, com vista a promover o bem-estar no trabalho.

De acordo com o documento, a partir do segundo semestre, a DGAEP irá avançar com um programa para que as diversas entidades promovam grupos de trabalho específicos baseados nos perfis de risco identificados.

Após a análise dos resultados «e subsequente intervenção nas organizações conducente à mitigação e/ou prevenção dos riscos psicossociais identificados, importará efectuar uma nova avaliação a médio prazo, entre 2023 e 2024, que permita rever as estratégias desenvolvidas», pode ler-se no documento.

O estudo identifica ainda como risco «moderado» os factores «exigências quantitativas», «influência no trabalho», «previsibilidade», «conflitos laborais», «apoio social de superiores», «qualidade da liderança», «confiança horizontal», «justiça e respeito», «compromisso face ao local de trabalho», «satisfação no trabalho», «saúde geral», «conflito trabalho/família», «problemas em dormir», «burnout», «stresse» e «sintomas depressivos».

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Já como risco «favorável» foram identificados os factores psicossociais «possibilidades de desenvolvimento», «transparência do papel laboral desempenhado», «recompensas», «apoio social de colegas», «comunidade social no trabalho», «confiança vertical», «auto-eficácia», «significado do trabalho», «insegurança laboral» e «comportamentos ofensivos».

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