Robôs humanoides vão chegar ao mundo do trabalho na próxima década, revela estudo

Até 2030 os robôs humanoides poderão aproximar-se das capacidades humanas ao nível da inteligência, percepção e destreza, começando gradualmente a integrar o mercado de trabalho, segundo o novo estudo da Bain & Company, “Humanoid Robots: How Early Commercial Exploration Can Lead to Large-Scale Use”.

Margarida Lopes
22 de Abril 2026 | 14:00

O envelhecimento demográfico, particularmente relevante em Portugal, um dos países mais envelhecidos da União Europeia (UE), com o índice de envelhecimento a atingir 192,4 idosos por cada 100 jovens em 2024, de acordo com dados do INE – deverá agravar a escassez de mão-de-obra, funcionando como um dos principais motores para a adopção desta tecnologia em sectores-chave da economia.

Assim, na próxima década, os robôs humanoides passarão da fase de exploração para a adopção em larga escala, impulsionados também pela redução gradual dos custos e a maturação tecnológica. Neste contexto, a Bain antecipa três fases de adoção:

  • Primeira fase: implementação inicial em ambientes industriais como os setores automóvel e mineiro, onde o retorno do investimento é mais imediato e mensurável;
  • Segunda fase: expansão para os sectores da construção, cuidados de saúde e serviços industriais;
  • Terceira fase: consolidação em contextos comerciais e de consumo, incluindo limpeza profissional e doméstica, hotelaria, educação e turismo.

 

O estudo mostra também que o investimento global em empresas de robótica mais do que triplicou entre 2020 e 2024, passando de 308 milhões para 1,1 mil milhões de dólares, refletindo o crescente interesse neste sector.

Apesar deste crescimento, a adopção em larga escala dependerá sobretudo de dois factores: os avanços na chamada “inteligência física”, isto é, a capacidade de um robô perceber, compreender e actuar no mundo real; e a evolução da tecnologia de suporte, a par do aumento da confiança por parte dos utilizadores.

Continue a ler após a publicidade

A Bain conclui ainda que, no futuro, poderá ainda emergir um modelo híbrido, que poderá esbater a distinção entre robôs humanoides e sistemas automatizados tradicionais. Enquanto os primeiros executarão fluxos de trabalho altamente repetitivos, os segundos realizarão tarefas específicas.

Neste contexto, os robôs tenderão a complementar o trabalho humano, assumindo tarefas repetitivas ou de maior risco, enquanto os seres humanos se vão focar cada vez mais em funções de supervisão, planeamento e tomada de decisão. A adopção desta tecnologia poderá tornar-se um factor crítico de competitividade para economias europeias, incluindo Portugal.

Partilhar


Mais Notícias