Rock in Rio Innovation Week com enfoque nas pessoas

Decorreu no LACS o último meet-up antes da segunda edição do Rock in Rio Innovation Week. O evento, repartido em diferentes momentos, teve início com uma mesa redonda na qual participaram Rita Piçarra, directora financeira da Microsoft Portugal, Maíra Garrido, representante da Hotmart, e Rui Mendes da Costa, head of Learning and Training da Galp, com moderação de Agatha Arêas, vice-presidente de Learning Experience do Rock in Rio.

 

Por Sandra M. Pinto

 

A conversa começou com a revelação por parte de Agatha Arêas da alegria que a sua equipa sentiu quando percebeu que a Microsoft Portugal estava interessada em associar-se ao Rock in Rio Innovation Week 2019. «Este ano, o Rock in Rio Innovation Week foca-se na inovação, mas de uma forma diferente daquela que foi a base do evento em 2018, pois em vez do enfoque ser na tecnologia passa a estar nas pessoas», revela a responsável, afirmando que «esta mudança aconteceu porque os próprios participantes sentiram interesse em saber mais de que forma os indivíduos se vão comportar neste mundo em transformação».

A tecnologia surge como um meio ao serviços das pessoas, o que levou Agatha Arêas a questionar por que motivo estaria a Microsoft interessada em abordar esta questão. A resposta veio de Rita Piçarra, «a missão da Microsoft é capacitar todas as pessoas de todas as organizações do planeta a conseguir mais. No mundo em que vivemos, onde as máquinas vão passar a fazer muitas das funções que hoje são desempenhadas pelo ser humano, é importante transformarmo-nos também enquanto indivíduos».

Desta forma, a Microsoft permite, através da tecnologia que coloca à disposição das pessoas, que estas se dediquem a tarefas que acrescentem valor à empresa, «é preciso fortalecer a inteligência emocional e a capacidade de liderança para a tomada de decisões, por isso a Microsoft pões as pessoas no centro do que fazemos, para as capacitar cada vez mais».

Este colocar a pessoa no centro da sua missão, utilizando a tecnologia como meio de capacitação e crescimento do individuo, é algo que não é estranho à Hotmart, como explicou Maíra Garrido. «A nossa empresa nasceu de um sonho de dois jovens brasileiros estando hoje espalhada um pouco por todo o mundo. A nossa proposta e a nossa missão é possibilitar que cada pessoa possa viver da sua paixão, juntando o seu talento e os seus conhecimentos à tecnologia».

Assim, a Hotmart junta o conhecimento e a tecnologia para levar os conhecimentos dos clientes a muitas outras pessoas, «seja através de vídeo, e-book ou outras ferramentas, a nossa tecnologia é colocada à disposição de quem nos procura para levar os seus conhecimentos mais além, ou seja, a todo o mundo, e isso é muito bom pois, desta forma, a pessoa consegue levar mais longe a sua paixão, impactando cada vez mais pessoas, sem limitações geográficas».

Este é um bom exemplo da mudança dos modelos de negócio e de comunicação que se tem verificado nos últimos anos, que, como refere Agatha Arêas, «leva a que as pessoas mudem os seus próprios modelos mentais criando novas oportunidades de crescimento».

Este crescimento tem sido um tema importante para a Galp, pois está relacionado com o aparecimento de um nova mentalidade. «Este é um tema que faz parte da estrutura de aprendizagem da Galp, a qual assenta em três vectores: o aprender a aprender; a responsabilidade, com as pessoas a serem cada vez mais os protagonistas do seu caminho; e o growth mindset, porque sem esta mentalidade de crescimento ficamos cristalizados e na Galp acreditamos verdadeiramente que existem formas relativamente simples de treinarmos esta nova mentalidade», refere Rui Mendes da Costa.

Para o responsável nada é inato e tudo se aprende, «o inato é uma percentagem muito pequena, tudo o resto pode ser construído, inclusive através do erro, o qual é fundamental nos processos de crescimento e de inovação». O modelo de aprendizagem da Galp assenta em quatro vértices de acção: o saber, o fazer, o partilhar e o ser, «uma envolvente verdadeiramente holística da aprendizagem porque acreditamos que o conhecimento por si só não chega, temos de levar as pessoas a experimentar. Fundamental neste processo é a experiência e a reflecxão».

Presente no público estava Fábio Pina, um dos speakers do Rock in Rio Innovation Week, cuja profissão é ser Happiness manager. «Esta posição do Fábio diz muito sobre os novos modelos mentais seguidos hoje não só pelas pessoas, mas também pelas empresas», sublinha Agatha Arêas, «é cada vez mais importante as empresas incrementarem um ambiente cada vez mais seguro, de confiança, feliz e de aceitação do erro». Para Fábio Pina há dois temas que servem de pilares ao seu trabalho, «acima de tudo a responsabilidade, pois todos nós somos os primeiros responsáveis pela nossa própria felicidade, e a valorização da tentativa erro».

De acordo com o especialista, «todos nós temos a consciência de que estamos sempre a aprender e a maior parte das vezes projectamos nos outros aquelas que são as nossas falhas e medos de errar». Para Fábio Pina é bom errar, «tenho errado muito e isso tem ajudado muito no meu caminho, pois aprendi a apreciar os bons momentos da vida». Daí que Agatha Arêas, refira que para ela «inovação é a tolerância ao erro, tal como aprendi com um especialista em inovação», pois se existir confiança e todos estiverem unidos em volta de um propósito comum, «se alguém errar outro vem de imediato ajudar a resolver esse erro».

 

Tipos de criactividade

O segundo momento aconteceu com a intervenção de Manon Rosenboom, fundadora da Reinvent Yourself, que falou sobre criactividade e curiosidade, desafiando os participantes a desenvolver uma metodologia de construção de ideias, de forma colectiva. Para Manon, criactividade é juntar coisas que já existem e criar algo novo. «É preciso dar espaço à criactividade, percebendo que existem vários tipos de criactividade, não existindo a criactividade certa». Existe uma criactividade cognitiva mais racional, uma criactividade espontânea e outra mais emocional, «pelo que cada um tem de perceber qual a sua melhor criactividade».

Curiosamente, o momento em que se têm as melhores ideias, quando a criactividade está em alta, nem sempre são os mais expectáveis. «De acordo com um estudo recente, 63% das pessoas têm o seu momento eureka no duche/banho, 51% dos inquiridos referiu quando está na cama, depois 52% em viagem no carro, de bicicleta ou na fila do trânsito, 30% a andar a pé ou a passear com o cão, 25% ao fazer desporto, para 22% num momento inesperado, 20% tem uma boa ideia quando está a ler ou a ouvir música e 10% quando está a meditar». Mas como podemos estimular a criactividade? Para Manon Rosenboom, o ser humano quase sempre faz as coisas da mesma maneira, nem sequer questionando se existe outra forma de fazer. «Temos de estimular o nosso cérebro para sair deste registo, pois ele não quer gastar muita energia. Assim, temos de estimular a nossa curiosidade inata a qual nos leva a inovar».

De acordo com a especialista, a criactividade não é só um processo espontâneo, pois é um processo que pode ser estruturado e que tem várias fases, «primeiro surge a fase de clarificar, depois a ideia, e quantos mais ideias melhor, de seguida surge a fase de desenvolvimento, à qual se segue a fase de implementação, sendo esta a mais racional. Mas este é um processo contínuo, pelo que podemos sempre voltar a umas das fases anteriores». Também aqui surge a necessidade do growth mindset, «temos de aceitar críticas, ouvir o feedback dos outros e voltar a testar, pois só assim, com esta forma de estar, conseguimos melhorar».

Assim, importa ter em atenção algumas competências criativas, «adiar o julgamento, pensar em alternativas, observar, pensamento associativo, imaginação, networking, questionar, experimentar e aceitar críticas», conclui a especialista.

O último meet-up antes do inicio da segunda edição do Rock in Rio Innovation Week terminou com um momento de convívio entre todos, convidados e parceiros, ao som de Quinta Feira 12, no rooftop do LACS.

Saiba tudo o que se passou no segundo meet-up aqui. Mais informações aqui.

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