Rogério Campos Henriques, CEO Fidelidade: «Nunca como hoje as pessoas valorizam tanto a qualidade das lideranças»

No âmbito da XXIII Conferência Human Resources Portugal, que se realizou com o tema “Onde param (e o que querem) as pessoas”, Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade, destacou a rápida mudança que está a ocorrer no mundo para falar sobre uma nova era da globalização, agora com base nas pessoas. Em Portugal, esta transformação, que implica uma mobilidade global das pessoas, tem um potencial impacto que fica a dever-se a pelo menos dois factores: a desigualdade de rendimentos, que torna outros países, neste novo contexto, mais atractivos para trabalhar, e o envelhecimento da população.

 

Para Rogério Campos Henriques, com as mudanças ocorridas no mundo do trabalho alteraram-se as expectativas e a exigência das pessoas perante as empresas para trabalhar. Mas há outras mudanças: «o tema do equilíbrio entre vida pessoal e profissional tornou-se incontornável; o trabalho remoto, que não era usual em muitas empresas, hoje tem de ser equacionado; a necessidade de melhores níveis de remuneração e pacotes de benefícios mais flexíveis é outra realidade que tem presentemente mais intensidade; e o foco, que não é de agora, que as pessoas têm no ambiente de trabalho, na cultura organizacional e na sua relevância para o bem-estar é um tema que ganhou maior importância».

Na Fidelidade, estas mudanças também se refletir, e têm sido realizados vários surveys que permitem concluir o seguinte: 63% dos colaboradores da Fidelidade consideram que foram mais produtivos em casa; mais de 81% querem pelo menos um dia por semana de trabalho remoto; 56% consideram interessante ter três dias por semana ou mais de trabalho remoto; dois terços das pessoas veriam com bons olhos ter algum apoio ao acréscimo de despesas por estarem a trabalhar em casa; 37% acham fundamental um modelo laboral flexível que lhes permita gerir melhor o tempo entre vida pessoal e profissional; 67% acreditam que o trabalho remoto é uma ferramenta para atrair e reter talento; 75% gostariam de ter o dia de aniversário, remunerado; e 40% achariam interessante ter no pacote de benefícios subscrições de plataformas de conteúdos.

Rogério Campos Henriques afirma que «nunca como hoje as pessoas valorizam tanto factores estruturais como a oportunidade de aprendizagem e de mobilidade, o trabalho em equipa, a qualidade das lideranças e o propósito». Estes temas, que estavam na agenda dos líderes antes da pandemia, acabaram por ser acentuados pelas transformações que esta provocou.

Nos últimos seis ou sete anos, a Fidelidade teve uma transformação significativa, tanto a nível do negócio como na estrutura. Por exemplo, actualmente o negócio internacional da seguradora tem um peso muito superior, estando presente em 14 países. Estas transformações implicam novas capacidades.

Rogério Campos Henriques explica que esta transformação não é uma fase, nem uma etapa. «A transformação que vivemos é generalizada, está presente em todas as áreas de negócio, e é uma constante. É uma transformação “by default”.» Esta dinâmica traz necessidades acrescidas em tudo o que tem a ver com as pessoas e com a cultura da organização. «É fundamental que as pessoas estejam motivadas e alinhadas com o propósito a desenvolver, e que não fiquem cansadas com esta transformação acelerada.»

Como parte desta transformação, nos últimos três anos a Fidelidade contratou mais de 900 pessoas e reduziu a idade média de colaboradores para menos do que 45 anos, com escolaridade média superior. Existe também uma grande aposta no reskilling.

No que diz respeito à cultura empresarial, o CEO da Fidelidade destacou a necessidade de um propósito claro e diferenciador, de um mindset ágil que promova a transformação e o empowerment das pessoas, e de uma aposta na integração intergeracional.

Por fim, Rogério Campos Henriques lembrou aqueles factores que considera «os básicos»: a diversidade e inclusão, o trabalho flexível, a saúde mental e bem-estar, o desenvolvimento de oportunidades, e as lideranças inspiradoras.

O CEO da Fidelidade concluiu que, neste novo contexto organizacional, os surveys realizados revelaram dois outros dados muito importantes: 85% dos colaboradores têm orgulho de trabalhar na Fidelidade e 80% recomendariam a seguradora como um local de excelência para trabalhar.

 

Texto: Paulo Mendonça | Foto Nuno Carrancho

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