Rosário Morgado, ERA: « Se queremos recrutar pessoas com talento, temos de trabalhar em programas de formação que visem diferentes competências»

Tânia Reis
29 de Setembro 2025 | 12:50

Presentes em Portugal há 27 anos, os princípios e valores permanecem os mesmos: integridade, seriedade, grandeza humana, sentido de compromisso, e de respeito pelo outro. E tem vindo a dar frutos, com a distinção da ERA como Great Place to Work nos últimos seis anos, garante Rosário Morgado, directora de Recursos Humanos.

Por Tânia Reis

 

A Academia ERA, recentemente certificada pela DGERT, tem contribuído para tal. Com 20 cursos, esta universidade da mediação imobiliária assume a responsabilidade e o compromisso de avaliar necessidades formativas dos colaboradores, conceber planos de formação inovadores, actualizados e adaptados às mudanças.

Em que pilares assenta a vossa estratégia de Recursos Humanos?

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De forma simples e objectiva, os projectos desenvolvidos pelo Departamento de Recursos Humanos estão indissocialvelmente alicerçados na missão empresarial com que, há 27 anos, se iniciou o projecto em Portugal: atrair, formar e fazer crescer as pessoas com talento e vontade de progressão pessoal e profissional na ERA.  A missão é, sem dúvida, a principal base de sustentabilidade das nossas políticas e práticas de Recursos Humanos, responsáveis por uma cultura organizacional que se traduz, por exemplo, na empresa como um Great Place to Work há seis anos consecutivos.

Actualmente, o foco da política de Recursos Humanos assenta em quatro pontos.  Primeiro, a captação de talento. Queremos pessoas disponíveis para alto desempenho, pessoas responsáveis, ambiciosas, inquietas e determinadas a ter sucesso que encontram na ERA um projecto de vida ganhador, coerente com este perfil empreendedor.

Segundo, consolidar e alargar de formação e acompanhamento contínuo, adaptados às diferentes funções, bem como aos diferentes perfis de entrada de cada do colaborador. A formação, inicial e contínua, tem de garantir a progressão do nosso capital humano, e fazer jus às expectativas de entrada – A ERA como espaço de evolução e crescimento, sem limites.

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Terceiro, um ponto fundamental: aumentar taxa de retenção. Estamos cada vez mais focados em acelerar a progressão profissional das nossas pessoas, de forma que verifiquem resultados de produtividade e níveis de rentabilidade consentâneos com a qualidade de vida desejada, tão cedo quanto possível. Como sabemos, os primeiros meses do colaborador na empresa são fundamentais e, a este nível, estamos a evoluir muito bem como ilustra a nossa taxa de retenção, com um aumento de cerca de 25% em 2025, face a 2024. Igualmente, é de registar o aumento do número de colaboradores na ERA e aumento de tempo de antiguidade, aspetos indissociáveis dos excelentes resultados que a marca tem atingido, com vários records mensais de facturação, já em 2025, depois do melhor ano de sempre, em 2024.

Por fim, recrutar e formar mais e melhores líderes que consigam corresponder às exigências da rápida inovação, nomeadamente, a implementação de novos meios e ferramentas tecnológicas.

 

Que principais desafios identifica hoje na sua missão de gerir Pessoas?

Actualmente, a rapidez com que se desenham, concebem, introduzem novas ferramentas de trabalho, exige uma disponibilidade e capacidade de adaptação, nem sempre suficientes. Com a mesma velocidade com que se inovam e implementam, os meios e procedimentos desactualizam-se. É preciso diminuir o gap entre o que é oferecido às equipas e a efectiva utilização e rentabilização dessa oferta.

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Hoje, tem sido um desafio garantir que as equipas utilizam, regular e correctamente, as ferramentas tecnológicas já disponíveis. A ERA Portugal tem feito uma grande aposta no desenvolvimento de ferramentas tecnológicas, com respostas digitais e opções de automatização de processos, mais adequados à rapidez e agilidade do mundo de hoje. Estima-se, em termos gerais, que com a automação e digitalização, mais de 50% dos trabalhadores precisem de actualizar as suas competências até o final do ano. Também na ERA, temos de ter as lideranças sensibilizadas, formadas e ágeis com as alternativas tecnológicas; umas já disponíveis e outras novas, a ser implementadas.

 

E o que mais valorizam nas vossas Pessoas?

Valorizamos os princípios e valores intemporais, com que nos apresentamos há 27 anos! Os valores da integridade, seriedade, da grandeza humana, aliados ao sentido de compromisso, e de respeito pelo outro. Queremos pessoas alinhadas com estes valores e que pensem grande, com entusiasmo; pessoas que dignifiquem e respeitem o valor do trabalho. Nós tratamos das competências técnicas!

 

Com mais de 200 agências e 2500 colaboradores espalhados pelo país, quais os obstáculos na gestão de equipas dispersas?

Na verdade, a gestão de 200 agências, com equipas múltiplas em cada agência, distribuídas no continente e ilhas, é um desafio diário! Este trabalho só é possível porque existe, na ERA Portugal, uma fabulosa equipa de consultores de operações que, diariamente, está no terreno a acompanhar um conjunto de lojas. O consultor de Operações garante a implementação do método e sistema de trabalho ERA, acompanhamento na gestão da agência, no recrutamento e formação das equipas, monitorização de KPI, num contributo fundamental para o sucesso da agência. As duas equipas de consultores de operações, uma a Norte, outra a Sul, desempenham um papel determinante, sobretudo no processo de abertura de loja, com acompanhamento próximo ao novo franqueado.

 

Fale-nos da Academia ERA…

É a verdadeira universidade da mediação imobiliária em Portugal. É com enorme orgulho e entusiamo que falo da Academia ERA, sobretudo porque acabámos de receber a certificação de entidade formadora, certificada pela DGERT. Esta certificação é um marco relevante nesta jornada, reconhece a qualidade da formação ministrada pela Academia ERA, a certificação da bolsa de formadores, a adequação de métodos e técnicas pedagógicas, bem como o rigor de procedimentos de coordenação e gestão pedagógica.

Na verdade, tínhamos consciência da excelência da nossa oferta formativa, dado que foi desde sempre um factor claramente diferenciador da marca ERA, com os principais players do sector a reconhecer a Academia ERA como a melhor escola da mediação imobiliária em Portugal.

Desde 1998 que a ERA prioriza o pilar da formação, inicial e contínua, em sala e no terreno, gratuita para os colaboradores. Desta forma, a Academia ERA tem assumido a responsabilidade e o compromisso de avaliar necessidades formativas dos colaboradores, conceber planos de formação inovadores, actualizados e adaptados às mudanças.

Agora, estamos com 20 cursos em catálogo. Realizamos acções descentralizadas, em diferentes zonas geográficas, que envolvem cerca de 1500 participantes anuais. É fantástico observar os relatórios de avaliação das acções, de todos os cursos ministrados, com níveis de satisfação média de 4,8 em 5.

 

Que áreas focam?

O programa formativo da Academia ERA está orientado, fundamentalmente, sob dois eixos: comercial e de liderança. Foi sempre nestas áreas que nos distinguimos e é nestas áreas que somos realmente muito bons.

Se queremos recrutar pessoas com talento e potencial de evolução, temos de trabalhar em programas de formação que visem diferentes tipos de competências: técnicas, as chamadas hard skills, e competências transversais e de liderança, normalmente associadas às soft skills.

 

Que impacto tem a formação e de que forma contribui para o employee engagement?

A formação profissional de qualidade tem um papel importantíssimo na vida das pessoas, quer pelos benefícios directos, quer indirectos. É importante salientar que as equipas ERA são constituídas por uma diversidade enorme de pessoas – pessoas de diferentes gerações, níveis de escolaridade, nacionalidades, experiências de vida, percursos profissionais, níveis motivacionais, aspiracionais, competências, etc. etc. São equipas e colaboradores singulares, que encontram na ERA um espaço de crescimento individual e profissional que, frequentemente, supera qualquer expectativa inicial. Neste sentido, a oferta formativa tem um papel que transcende largamente o impacto directo que se verifica no desenvolvimento de competências técnicas, conhecimento teórico e conceptual e desenvolvimento de competências atitudinais, de saber estar.

Gostaria de destacar o impacto indirecto da formação nos colaboradores, que surge associado a dois tipos de factores: por um lado, mais formados, os colaboradores estão mais preparados para o exercício da actividade; por outro lado, mais competentes, são tendencialmente mais produtivos, com rendimento financeiro superior. Este rendimento é indissociável da maior motivação, maior envolvimento e reconhecimento de que está no sítio certo, com tendência a replicar as boas práticas e entrar num círculo virtuoso que garante qualidade de vida e bem-estar.

Mas há outro tipo de impacto que a formação pode ter no compromisso dos colaboradores, é o reconhecimento de que a empresa está a apostar na sua pessoa, que está a valorizar a sua progressão e a cumprir o que prometeu na fase de recrutamento. O envolvimento emocional e afectivo das pessoas com a sua equipa e organização é extraordinariamente importante para todos os intervenientes, gerando carreiras de sucesso inimagináveis.

 

Que outras iniciativas de desenvolvimento de competências e carreira disponibilizam?

O principal catalisador de desenvolvimento de competências das nossas pessoas é, a par da formação da Academia ERA, o plano de acompanhamento regular que as lideranças oferecem às suas equipas. Por outro lado, há uma grande abertura à mobilidade funcional, sendo frequente um colaborador assumir outra função, do organograma ERA. Rever o plano de carreira de um colaborador é cada vez mais comum, quer porque os meios e procedimentos técnicos se desactualizam rapidamente, quer porque as pessoas querem mudar de carreira. Assim, temos de alargar a oferta de programas de upskilling e reskilling, adaptados às novas exigências e à mobilidade funcional, cada vez mais frequente.

 

Em 2024, o Programa de Selecção de Novos Franquiados recebeu mais de 500 candidatos. Quando foi criado e quais os objectivos?

O Programa de Selecção de Novos Franquiados foi criado em 2022 com um objetivo claro: expandir a rede de agências ERA Portugal de forma estruturada e sustentável. O sucesso do programa deve-se ao nosso foco no perfil empreendedor e liderança de equipas e a garantia dos padrões de excelência e valorização da marca.

 

Quais os principais critérios utilizados? Como está estruturado?

Os principais critérios que avaliamos são três: o perfil empreendedor; a experiência ou potencial para liderança de equipas; e claro, a capacidade de investimento. Usualmente, o processo funciona deste modo: recebemos uma inscrição através do formulário online do nosso web site, ou recebemos pedidos de interesse no Linkedin, ou até numa agência; seguem-se as entrevistas com a direcção e os consultores de expansão, e depois, a apresentação do modelo de negócio; a visita a outras agências ERA para compreender a plenitude da empreitada; uma rigorosa análise e apresentação de Business Plan; no final, a candidatura oficial e aprovação.

 

Que objectivos foram definidos no que diz respeito a este programa para os próximos anos?

A expansão prevista, e previamente anunciada, é a abertura de mais de 120 agências até ao final deste ano, com ênfase nas principais zonas de crescimento, nomeadamente, a Grande Lisboa e Porto, mas também, o Minho, e o Algarve. A meta de recrutamento são mais de 2400 colaboradores, com uma aposta contínua na formação e no desenvolvimento dos franquiados. Em termos financeiros, estamos a apontar para um crescimento de facturação em cerca de 50%.

 

As directrizes/políticas de RH são as mesmas para franquiados e colaboradores? Como funciona a sua implementação no caso dos franquiados?

É uma pergunta relevante. Há um modelo particular para franquiados, com planos formativos específicos, uma consultoria personalizada, acompanhamento operacional e a integração plena na cultura ERA com práticas ajustadas ao modelo do franchising. Mas os princípios que regem a política de RH são os mesmos: aposta em inclusão, formação e desenvolvimento. Em linhas gerais, procuramos sempre a valorização do talento e fomentar uma cultura aberta.

 

De que forma garantem que são cumpridas?

A implementação dos múltiplos projectos da empresa, e que no seu conjunto e interdependência garantem o sucesso que temos alcançado, é monitorizada por diferentes formas, mas destacaria essencialmente duas vias: o trabalho dos consultores de operações que acompanham as agências e que, diariamente no terreno, defendem as boas práticas, consistência e coerência com a linha estratégica da direcção. E ainda, a implantação de directrizes institucionais, incluindo de RH – é o nosso excelente CRM que, em tempo real, permite o acesso à actividade resultados das agências ERA. Podemos avaliar para, em tempo útil, intervir e fazer parte da solução.

 

A seu ver, as iniciativas descritas contribuem para a valorização e atractividade da marca enquanto entidade empregadora?

Não tenho dúvida. É muito claro que as pessoas, quer as da comunidade ERA, quer as do público em geral, percepcionam a ERA pelas melhores razões, o que tem gerado candidaturas de talento mais diferenciado e exigente.

A ERA enquanto um excelente lugar para trabalhar é corroborado por diferentes formas e, claro, não posso deixar de sublinhar o inquérito internacional Great Place to Work que destaca resultados excepcionais, pelo 6.º ano consecutivo. Cerca de 90% dos colaboradores da ERA elegem a marca como um excelente lugar, reconhecendo as suas práticas de imparcialidade, de respeito e credibilidade, num ambiente em que se convive com orgulho e camaradagem. Em 2025, estes resultados foram motivo de reconhecimento da Revista Fortune, que nomeou a ERA na sua listagem das 100 melhores empresas para trabalhar na Europa.

Recebemos testemunhos fantásticos que atestam que a nossa cultura é saudável, funcional, produtiva e que gera valor, nomeadamente nas entrevistas de selecção, em que os candidatos defendem a sua candidatura à ERA. Também gostava de destacar o orgulho partilhado nos eventos institucionais da marca, como a Convenção Nacional e os ERA Awards, em que os momentos de entrega de prémios e pins de antiguidade na empresa, são vividos com enorme alegria, orgulho e reconhecimento pela carreira na ERA.

No mundo organizacional, parece que o tempo médio de vida na mesma empresa está a diminuir; na ERA, temos dezenas de pessoas com mais de 20 anos de empresa. São as nossas histórias de vida, com casamentos feitos aqui, e até filhos a seguirem a carreira dos pais.

 

O sector imobiliário atravessa um momento desafiante. Sentem dificuldades em recrutar? Que motivos aponta para tal?

Não tenho a certeza de que o imobiliário atravesse um momento particularmente desafiante, pelo contrário, actualmente, o sector imobiliário está a usufruir da grande aposta que tem sido feito ao longo destas duas décadas, designadamente na sua profissionalização e credibilidade.

 

A ERA tem várias vagas em aberto. Que competências procuram nos futuros colaboradores?

O que procuramos são pessoas com valores de integridade, seriedade, e de grandeza humana. Diria que no perfil dos candidatos, elegemos sobretudo sentido ético e disponibilidade para aprender e para progredir. Claro que temos de estar atentos a um conjunto de capacidades e aptidões do candidato, específicos à função a desempenhar.

 

Como é feita a integração dos novos colaboradores na cultura da empresa?

Há planos de onboarding, monitorizados pelas lideranças, para todas as pessoas que entram na ERA. É importante salientar que este acompanhamento não se esgota no momento do acolhimento e integração; o acompanhamento é a grande força motriz da evolução das pessoas. Sempre. Sejam franqueados, directores Processuais, directores Comerciais, consultores Imobiliários, coordenadores, seja quem for. Os planos de integração são adaptados de acordo com a história e perfil de cada colaborador.

 

Com os avanços tecnológicos, de que forma está a IA a impactar o trabalho dos colaboradores?

É importante sublinhar que, como qualquer ferramenta tecnológica, a IA não faz a diferença, só por existir. O seu sucesso depende da vontade das pessoas em explorar, aprender e quebrar a inércia do “sempre fizemos assim”. É aqui que a formação actua como motor de aprendizagem contínua, partilha de boas práticas e suporte à adpoção, garantindo que todos incorporam estas novas formas de trabalhar com confiança. Não há dúvida que a IA permite-nos fazer mais com o mesmo tempo: ajuda a automatizar passos repetitivos, contribui para maior qualidade e velocidade no atendimento e suporte, e reforça a tomada de decisão através da inferência de padrões e tendências, para escolhas, em geral, mais assertivas. Mas tudo isto com uso responsável e supervisão humana, convém sempre recordar, a IA é uma ferramenta ao serviço das pessoas.

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