No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, que se assinala hoje, a Ordem dos Psicólogos Portugueses lança a checklist “Estou a ser vítima de violência?” e o recurso “Perguntas e Respostas Sobre Violência Emocional e Psicológica”.
O documento esclarece, de forma detalhada, o que é a violência psicológica, como identificá-la, quais os sinais de alerta, quem pode ser vítima ou agressor e que passos podem ser dados para procurar apoio ou ajudar alguém.
É mais frequente do que a violência física e “não é uma forma menor ou mais leve de violência”. Para uma relação ser violenta ou abusiva, “não é necessário que a violência física esteja presente”.
O documento refere que “a violência psicológica corresponde a um conjunto de actos verbais ou não verbais, isolados ou repetidos, utilizados de forma intencional para causar dano e sofrimento emocional” e que não é uma forma menor ou mais leve de violência. “Para uma relação ser violenta ou abusiva não é necessário que a violência física esteja presente. Qualquer forma de violência é grave e inaceitável. A violência psicológica é tão grave quanto a violência física!”
Como sei se estou a ser vítima de violência psicológica?
Há muitas formas de exercer violência psicológica, incluindo, entre outras: chamar nomes/insultar, humilhar ou criticar de forma destrutiva a competência, inteligência ou carácter, gritar, ameaçar ou usar o tom de voz como forma de intimidação, destruir ou tornar inacessíveis objectos com valor afectivo para a vítima, ignorar, excluir ou menosprezar, usar um discurso culpabilizante, controlar financeiramente, revistar e controlar objectos pessoais e tentar isolar a vítima de familiares, amigos ou de outras pessoas.
«O elemento comum aos diferentes comportamentos de violência psicológica é a tentativa de diminuir e controlar o outro, seja através da humilhação, do medo, da manipulação ou do isolamento», destaca o documento.
Quais são os sinais de alerta para violência psicológica? Ao que devo estar atento?
Frequentemente, a violência psicológica acontece de forma subtil. Pode ser difícil de reconhecer e detectar. Por vezes, acontece apenas quando o agressor e a vítima se encontram a sós, tornando difícil apercebermo-nos do que está a acontecer. Outras vezes, pode acontecer em público. Nestas situações, é comum que, quem observa, não reaja a essa situação – são os chamados observadores passivos. Isto acontece ou porque não identificam de imediato os comportamentos como sendo violentos, porque desvalorizam a situação, porque preferem não se envolver (“vou criar aqui uma situação e a pessoa ainda pode agredir-me a mim”), ou porque há uma difusão de responsabilidade (“se calhar alguém já falou com ele/ela”).
É importante não cair na armadilha de pensar “não é assim tão mau” e minimizar o comportamento do agressor. Não raras vezes, a própria vítima procura justificar e desculpar o comportamento do agressor, atribuindo a si própria (às suas características e comportamentos) a responsabilidade pelas condutas violentas de que é alvo ou justificando os comportamentos com factores “externos” ao agressor (por exemplo, consumo de álcool ou problemas laborais).
As vítimas de violência psicológica podem não ter uma única nódoa negra. As suas “feridas” são invisíveis e igualmente dolorosas, afectando negativamente o bem-estar e a Saúde Psicológica. As vítimas de violência psicológica podem desenvolver, sobretudo a médio e longo prazo, problemas de Saúde Psicológica, incluindo, perturbações da ansiedade, depressão, perturbações alimentares, comportamentos auto lesivos ou tentar o suicídio.
O que fazer se estivermos numa situação de violência psicológica?
- Se sentir que a sua vida corre perigo, deve ligar para o 112.
- Se sentir que precisa urgentemente de falar com alguém, pode ligar 808 24 24 24, opção 4 (Linha de Aconselhamento Psicológico do SNS 24).
A Checklist “Estou a ser vítima de Violência” considera quatro tipo de violência: física, psicológica, sexual e financeira.














