Sabe o que motiva e atrai o talento em Portugal?

O salário já não é tudo. O propósito social de uma empresa é cada vez mais tido em conta pelos profissionais que se candidatam a uma vaga de emprego. Esta é uma das conclusões da consultora Michael Page, após uma análise às novas tendências do mercado de trabalho e o futuro do recrutamento. 

 

De acordo com o estudo “Atrair o Talento do Futuro”, com base nas respostas de recrutadores de diversos países, incluindo Portugal, os candidatos valorizam cada vez mais os compromissos sociais e as causas assumidas pelas organizações relativamente a critérios como o salário e a reputação institucional. «Esta valorização é mais acentuada nos millenials, embora seja actualmente referida por todos os candidatos.»

Esta é também uma das razões que justifica que os candidatos abandonem a empresa durante o período de experiência ou nos primeiros 12 meses. «Muitos profissionais abandonam as suas funções devido ao modo de trabalho, mas principalmente à cultura da organização, pois os factores de motivação profissional prendem-se com as causas e temas que uma empresa apoia e os compromissos sociais que assume», destaca-se.

As conclusões do estudo revelam ainda que a nova cultura empresarial que promove o engagement dos colaboradores e o desenvolvimento de uma estratégia de cidadania corporativa e política de responsabilidade social, apresenta uma taxa de abandono mais baixa. «A estreita colaboração entre as lideranças empresariais e os colaboradores na partilha dos valores, compromissos e actividades que criam a diferenciação de uma empresa e contribuem para um posicionamento ética e socialmente responsável, são factores estratégicos para a realização pessoal dos colaboradores e o seu compromisso sustentável com a organização», refere a Michael Page.

Dados da consultora mostram mesmo que o envolvimento dos colaboradores e sua transformação enquanto embaixadores da marca é um método já utilizado por 36% das empresas para atrair gestores e encontrar os melhores perfis de forma mais rápida.

O impacto da comunicação corporativa junto dos colaboradores foi recentemente partilhado por diferentes líderes num evento promovido pela Michael Page. Cátia Martins, directora-geral da L’Oréal, destacou a importância de medidas como «estratégias de trabalho flexível, implementação de práticas ambientalmente sustentáveis – como uma frota automóvel ‘verde’ para os colaboradores – e projectos de comunicação corporativa que visem a inclusão social».

Para Carla Vieira, head of Corporate Responsability do grupo Ageas, que o colaborador valoriza cada vez mais o seu papel enquanto parte do processo e isso deve estar cada vez mais presente «no mindset de todas as organizações, considerando o impacto da sua actividade e tendo como referencial os objectivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas».

Desta forma, Sandra Moás, directora-geral da Asisa, defende que «a cidadania corporativa deve estar vinculada ao ADN e à cultura de uma organização. Independentemente de ser uma estratégia de marketing, esta tem de fazer parte da cultura e da estrutura de uma organização para ser genuína e credível».

Sobre o benefício que a responsabilidade social traz para as empresas, Inês Paes de Vasconcelos, associate manager da Michael Page, não tem dúvidas. «A responsabilidade social corporativa assume acrescida importância para as organizações, tanto numa perspetiva de captação e retenção de colaboradores, como numa lógica de apelar aos consumidores. As novas gerações, em particular são muito reactivas no que respeita à questão da responsabilidade social e corporativa pelo que as empresas que tenham uma estratégia coerente ganharão vantagem competitiva face aos seus concorrentes junto do talento e dos clientes», concluiu.

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