Dados recolhidos junto de mais de 400 mil trabalhadores norte-americanos e britânicos revelaram correlações claras entre a profissão de uma pessoa e a sua predisposição genética para diversos traços e perturbações psiquiátricas, incluindo hiperactividade e défice de atenção, autismo, depressão, esquizofrenia e ansiedade, avança o New York Post.
As descobertas sugerem que estas peculiaridades psicológicas podem influenciar a forma como as pessoas escolhem as suas carreiras, afirmaram investigadores da Icahn School of Medicine da Mount Sinai, em Nova Iorque, contudo, apenas até certo ponto.
«Os distúrbios neuropsiquiátricos são comuns e altamente hereditários, mas continuam a ser fortemente estigmatizados», disse Georgios Voloudakis, autor do estudo, ao Medical Xpress. «Inspirámo-nos a examinar se certas variantes genéticas que aumentam o risco de desenvolver estes distúrbios também poderiam oferecer potenciais benefícios [nessas áreas]. Além de analisar potenciais vantagens, também quisemos explorar quaisquer desvantagens ou barreiras que os indivíduos com maior predisposição genética para traços neuropsiquiátricos pudessem enfrentar.»
A análise de 20 áreas profissionais diferentes mostrou que os artistas e designers eram os mais propensos a apresentar predisposição para qualquer condição de saúde mental, como anorexia, doença bipolar, autismo, esquizofrenia e depressão.
Algumas carreiras destacaram-se por apresentar apenas uma correlação significativa: para além dos profissionais criativos, os profissionais de STEM eram os mais propensos a estar no espectro autista. A esquizofrenia foi mais prevalente nos assistentes sociais e comunitários. E a anorexia nervosa surge com mais frequência em professores e educadores.
Os empregos aparentemente mais estáveis foram encontrados em arquitectura e engenharia, saúde, agricultura, negócios e finanças, administração e apoio de escritórios, gestão e vendas.
Enquanto isso, os empregos mais associados à PHDA (Perturbação de hiperactividade com défice de atenção ou Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade) tendiam a exigir o mínimo de educação, revelando um potencial enviesamento sistémico, observaram os investigadores.
«Descobrimos, por exemplo, que algumas associações relacionadas com a perturbação de défice de atenção/hiperactividade são significativamente mediadas pelo nível educacional — um factor-chave para o percurso profissional. Isto implica que os enviesamentos sistémicos na educação podem afectar desproporcionalmente os indivíduos com maior predisposição genética para a PHDA, mesmo que nunca recebam um diagnóstico definitivo», disse Voloudakis.
Embora as descobertas, publicadas na revista Nature Human Behavior, sejam consideradas estatisticamente significativas, os investigadores observaram que os marcadores genéticos para doenças mentais representavam potencialmente apenas 0,4% do que determina a escolha profissional de alguém. A idade e o género, acrescentaram, desempenharam um papel muito mais influente.
«Mesmo que estes efeitos sejam pequenos, como estudámos tantas pessoas, conseguimos detectá-los com segurança. Estas descobertas não significam que possamos prever o emprego de alguém com base na sua genética. Em vez disso, destacam tendências subtis a nível de grupo. Em média, as pessoas com um PGS mais elevado para determinadas características podem ter uma probabilidade ligeiramente maior de acabar em determinados empregos», ressalva Voloudakis.
«Os factores ambientais, sociais e pessoais continuam a desempenhar um papel muito maior na formação dos resultados individuais do que qualquer medida genética isolada»














