Salário emocional: valorizar pessoas vai muito além do salário

Opinião de Helena Cardador, directora de Operações da TalentShift

Human Resources
18 de Setembro 2026 | 11:00
Salário emocional: valorizar pessoas vai muito além do salário

Por Helena Cardador, directora de Operações da TalentShift

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Durante muitos anos, quando falávamos de valorização profissional, a primeira resposta era quase sempre a mesma: aumentar o salário. E, naturalmente, o salário continua a ser um dos principais factores de atracção e retenção de talento. Mas será suficiente? Na minha perspectiva, cada vez menos.

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As expectativas dos profissionais mudaram. Hoje, quando alguém avalia uma oportunidade de trabalho, não olha apenas para o valor que vai receber no final do mês. Avalia também o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, a possibilidade de crescer, o reconhecimento, a flexibilidade, a liderança e a forma como é tratado no dia a dia.

É aqui que entra o chamado salário emocional.

Mais do que uma “moda” no mundo dos Recursos Humanos, considero que este conceito traduz uma mudança importante na relação entre empresas e pessoas. O trabalhador já não procura apenas um emprego: procura uma experiência profissional que faça sentido e que seja compatível com aquilo que valoriza na sua vida.

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Mas existe uma ideia que considero fundamental: salário emocional não substitui salário financeiro.

Não podemos falar em bem-estar, reconhecimento ou benefícios como forma de compensar uma remuneração desajustada. Uma organização deve começar por garantir condições salariais justas e competitivas e, a partir daí, construir uma proposta de valor mais completa. E essa proposta pode assumir muitas formas: flexibilidade, formação, possibilidade de progressão, reconhecimento, seguros, benefícios para a família, dias adicionais de férias, apoio à mobilidade ou simplesmente uma liderança próxima e disponível. Aliás, acredito que os benefícios mais valorizados nem sempre são os mais dispendiosos. Um horário que permita conciliar a vida familiar, o apoio no alojamento para quem trabalha longe de casa ou uma verdadeira oportunidade de desenvolvimento podem ter um impacto muito maior na vida de um profissional do que um benefício sofisticado que, na realidade, não responde às suas necessidades.

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Esta questão torna-se ainda mais relevante em sectores como a hotelaria e o turismo, onde continuamos a enfrentar desafios significativos na atracção e retenção de pessoas. Conhecer quem trabalha connosco, ouvir as suas necessidades e perceber aquilo que realmente valorizam é, por isso, essencial.

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O futuro da Gestão de Pessoas passa precisamente por aí: deixar de pensar em benefícios como um pacote standard e começar a pensar em pessoas concretas, com necessidades concretas. Porque não existe uma fórmula única para criar uma boa experiência profissional. Existe, sim, uma necessidade crescente de escutar, compreender e valorizar.

No final, talvez devêssemos deixar de perguntar apenas “quanto estamos dispostos a pagar?” e começar também a perguntar: “Que valor estamos verdadeiramente a criar para as pessoas que fazem parte da nossa organização?”

É nessa combinação entre remuneração justa, benefícios relevantes e uma cultura de valorização que, acredito, estará uma das respostas aos desafios de talento que as empresas enfrentam hoje.

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