Salário mínimo vai aumentar 40 euros em 2022. Mas vão voltar a haver apoios para as empresas. Saiba quais

Leonor Martins
2 de Dezembro 2021 | 09:10

 

Por Patrícia Perestrelo, sócia contratada, e Matilde Ortins de Bettencourt, advogada estagiária, da Abreu Advogados

 

Ainda no contexto pandémico dos últimos quase dois anos e sob as dificuldades de tentativa de recuperação económica do país, o Governo confirmou na passada sexta-feira, no final da reunião da Concertação Social, o aumento do salário mínimo nacional em Janeiro de 2022, dos actuais 665 euros para 705 euros. O valor proposto traduz-se num aumento de 40 euros.

Não obstante o ministro Pedro Siza Vieira considerar que a maioria das empresas tem capacidade para suportar este aumento, admite também que empresas de alguns sectores de atividade possam ter dificuldade em assegurar este incremento salarial.

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Neste sentido, e à semelhança do que aconteceu este ano, para compensar as dificuldades que podem advir para as entidades empregadoras do referido aumento do salário mínimo nacional, Pedro Siza Vieira veio mostrar a “disponibilidade para ajudar as empresas a assegurar parte dos encargos” com este aumento. Tal significa que a medida dita excepcional que resultou num subsídio atribuído às empresas para compensar os custos adicionais incorridos com o aumento do salário mínimo nacional, volta agora a ser aplicada às empresas.

De acordo com declarações do ministro, as empresas terão assim direito a um apoio de 112 euros em 2022 para compensar os encargos adicionais com a Taxa Social Única (TSU) decorrentes do aumento do salário mínimo nacional.

Conforme explicou, as empresas que em 2021 pagavam um salário mínimo de 665 euros e, em 2022, passam a pagar 705 euros terão direito a um apoio no referido valor de 112 euros que corresponde a cerca de 85% do acréscimo da TSU.

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As empresas que em 2021 pagam já acima do salário mínimo nacional (actualmente no já mencionado valor de 665 euros) por via da contratação colectiva também terão direito a beneficiar desse apoio financeiro por inteiro. As empresas que paguem acima de 665 euros este ano, mas não por via da contratação colectiva, terão direito a apoio, mas reduzido a metade, ou seja, 56 euros por trabalhador.

Ainda segundo as declarações de Siza Vieira, esta diferença de tratamento “é uma forma de valorizar a contratação colectiva, incentivar as empresas a estabelecer nas convenções colectivas salários superior ao salário mínimo nacional”.

Estima-se que este subsídio irá representar uma despesa para o Estado no valor de 100 milhões de euros. Sem prejuízo, este valor poderá não ser atingido, considerando que no ano passado o Governo previu um custo de 60 milhões de euros, mas a aplicabilidade da medida terá ficado limitada a um custo de 33 milhões de euros pelo facto de apenas 80 mil empresas a terem solicitado. O custo em 2022 ficará também ele dependente do número de empresas que adiram à medida.

Resta esperar que o pagamento do apoio seja feito mais cedo e de uma forma mais célere comparativamente ao corrente ano. De facto, em 2021 o apoio só foi recebido após o final do primeiro semestre do ano. Foram nesse sentido as previsões do Ministro que assegurou, referindo-se ao tempo de pagamento do apoio: “Julgamos que será possível antecipar isso no próximo ano”. Assim também o esperam as empresas.

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