Salários reais dos trabalhadores do privado vão descer cerca de 1% este ano

Human Resources com Lusa
17 de Junho 2022 | 08:50
Salários reais dos trabalhadores do privado vão descer cerca de 1% este ano

Os salários reais dos trabalhadores no sector privado vão reduzir-se cerca de 1% este ano, reflectindo a escalada da inflação, estima o Banco de Portugal.

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No boletim económico de Junho, esta quarta-feira divulgado, o BdP indica que «os salários reais por trabalhador no setor privado reduzem-se cerca de 1% em 2022, reflectindo a subida abrupta da inflação».

No entanto, para 2023 e 2024 o BdP já estima um crescimento médio dos salários reais de 2%, aproximadamente em linha com o da produtividade.

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«Assume-se ao longo do horizonte de projecção uma passagem incompleta dos aumentos de preços aos salários, num contexto em que as expectativas de inflação de longo prazo permanecem ancoradas», justifica o BdP.

O supervisor acrescenta que enquanto o crescimento médio do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) entre 2022 e 2024 é cerca de 3,5%, «os salários nominais por trabalhador no sector privado crescem 1,5% acima da produtividade no mesmo período», com a actual projecção a incorporar o aumento anunciado do salário mínimo de 6,4% em 2023.

O BdP projecta que a inflação, medida pela variação anual do IHPC, deverá aumentar de 0,9% em 2021 para 5,9% em 2022, antes de cair para 2,7% e 2% em 2024, reflectindo, sobretudo, as pressões inflacionistas externas, com impacto directo nos preços dos bens energéticos.

O primeiro-ministro apelou, em 4 de Junho, às empresas para que contribuam para um esforço colectivo de aumento dos salários dos portugueses, para que haja «maior justiça» e os salários médios em Portugal possam aumentar 20%.

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Segundo António Costa, as empresas têm de ter consciência que deve haver «maior justiça nas políticas remuneratórias que praticam», sublinhando que, na União Europeia, o peso dos salários no conjunto da riqueza nacional é de 48% e em Portugal é de 45%.

Por seu lado, o presidente da CIP, António Saraiva, afirmou nessa sequência que uma subida dos salários, como pediu o primeiro-ministro, depende de um aumento da produtividade das empresas, sob pena de prejudicar a competitividade das empresas e o seu futuro.

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