«Embora possa vir com as melhores intenções, a abordagem “Também já passei por isso” desvia o foco da outra pessoa para si. E a verdadeira empatia não se trata de relatar a nossa história paralela — trata-se de ouvir atentamente», explica à CNBC, Emily Kasriel ex-jornalista e editora na BBC, investigadora no King’s College Policy Institute e coach executiva.
Veja como ser mais autêntico na demonstração de empatia:
Esteja presente e observe a sua linguagem corporal
«Comece por eliminar qualquer distracção. Mantenha o seu telemóvel no silêncio e fora de vista. Respire fundo e deixe que a sua linguagem corporal mostre que está concentrado na outra pessoa», aconselha.
Lembre-se de que a empatia vai para além das palavras — também se manifesta na forma como se apresenta. «A forma como comunica com o seu corpo, como a respiração, os ombros e as mãos, pode ajudar a pessoa com quem está a falar a sentir-se mais relaxada e a perceber que está num espaço seguro para se abrir.»
Repita uma palavra ou frase significativa que a pessoa tenha utilizado
«O seu interlocutor falou sobre uma experiência e descreveu-a como “realmente horrível”. Ao focar-se nesta expressão e repeti-la à pessoa, dá-lhe a oportunidade de reflectir sobre o que havia de tão horrível na situação, de se aprofundar e de se compreender melhor.»
Em vez de partilhar conselhos ou algo semelhante que tenha vivenciado, tente resumir a essência emocional do que a pessoa partilhou. «Ao aperceber-se das emoções, mesmo que não tenham sido expressas directamente, a pessoa com quem está a falar sente que está realmente a tentar compreendê-la e que os seus sentimentos e experiências são importantes.»
Pratique o silêncio
Para fazer com que as pessoas se sintam apoiadas e compreendidas, nem sempre é necessário responder de imediato. Aliás, «o silêncio é uma forma subestimada de fortalecer a sua ligação com os outros. Demonstra que não está a controlar a conversa e permite um ritmo natural».
Mesmo breves pausas de três a dez segundos podem diminuir a frequência cardíaca e a pressão arterial, criando espaço para uma reflexão mais profunda. «Neste silêncio, a confiança cresce e emerge uma compreensão mais profunda.»
Diga “Conta-me mais”
Os interlocutores mais eficazes são curiosos e admitem prontamente o que não compreendem.
«Ao contrário das perguntas que direccionam a conversa para os nossos próprios interesses, dizer «Conta-me mais» permite que a pessoa decida o que importa e revele o que é mais importante para si — mesmo que, antes de falar consigo, não se tivesse apercebido disso.»
Esta frase encoraja a partilhar de forma mais autêntica. «Muitas vezes, ouvir é apenas uma transacção. Estamos apenas a fingir o acto de ouvir, esperando o momento certo para explicar as nossas próprias ideias, soluções, a resposta «certa» — interrompendo o significado e destruindo o pensamento. Mas quando dá a si e aos seus interlocutores o espaço e a atenção para se expressarem plenamente, isso pode transformar as suas relações.»














