A Secil preserva uma identidade marcada por quase um século de história, enquanto aproxima pessoas e reforça uma cultura comum.
Com quase 100 anos de actividade, o percurso da Secil tem vindo a ser construído de geração em geração, através do conhecimento, da experiência e da dedicação de quem contribuiu para o seu percurso. Este legado constitui um dos principais factores distintivos da empresa e reflecte uma capacidade contínua de adaptação, inovação e evolução. Preservando a sua identidade e valorizando a herança que a define, a Secil continua a construir o futuro, reafirmando diariamente o compromisso de evoluir sem perder a essência que a caracteriza.
É neste equilíbrio entre tradição e transformação que a comunicação interna assume um papel determinante para garantir que a informação chega de forma eficaz a todos os colaboradores. Como explica Vitória Monteiro, Communication analyst na Secil, um dos maiores desafios na organização passa pelo «convívio entre realidades muito distintas, entre pessoas em ambiente fabril e de escritório, com necessidades de informação, ritmos de trabalho e níveis de acesso a ferramentas muito diferentes».
Segundo a responsável, a resposta passa por uma comunicação mais segmentada e ajustada às diferentes realidades da organização. Para tal, reconhece que é essencial «conhecer os diferentes públicos, adaptar a linguagem, o formato e a forma como se comunica, porque sabemos que a mesma mensagem pode precisar de abordagens diferentes consoante a realidade de cada um».
A liderança como elo de ligação
Neste processo, os líderes desempenham um papel determinante na ligação entre a organização e as equipas. Vitória Monteiro considera que são: «a primeira linha de contacto com as equipas, conhecem a realidade e as necessidades de cada colaborador e têm uma relação de proximidade e confiança que faz deles um dos nossos principais canais de comunicação interna. Temos conteúdos de comunicação interna definidos para apoiar os líderes no desempenho desta função.»
Reconhecendo o papel determinante das lideranças na comunicação interna, a Secil procura garantir que os líderes recebem a informação em primeira mão e dispõem das ferramentas necessárias para a transmitir às suas equipas. Um exemplo dessa aposta é o InfoLeader: uma newsletter mensal dirigida às chefias que antecipa os principais temas estratégicos antes da sua divulgação geral.
Além de assegurar o acesso atempado à informação, este canal disponibiliza contexto e orientações que apoiam os líderes no diálogo com as suas equipas. O objectivo é que, no momento em que a inestraformação chega a toda a organização, as lideranças estejam já preparadas para contextualizar, esclarecer dúvidas e promover uma comunicação mais próxima e participativa.
Comunicar para criar proximidade
Num sector tradicionalmente associado à indústria pesada, reforçar o sentimento de pertença passa por mostrar às pessoas o valor do seu contributo e o impacto que têm na construção da história e do futuro da empresa. Como destaca Vitória Monteiro, o orgulho de pertencer nasce quando cada colaborador reconhece a importância do seu trabalho e se sente parte de um propósito comum.
Um exemplo desta abordagem é a rubrica “Ser Secil”, integrada nas campanhas de Employer Branding da empresa nas redes sociais, que convida colaboradores de diferentes áreas e funções a partilharem o seu percurso, aquilo que mais valorizam na organização e o significado de ser Secil para cada um. Com onze testemunhos já publicados, esta iniciativa tem dado visibilidade a histórias autênticas, criando identificação e reforçando os laços de pertença.
Também o lançamento das SecilTalks, em Novembro de 2024, representa uma nova forma de aproximar pessoas e partilhar conhecimento dentro da organização. O podcast, apresentado por um colaborador da Secil, dá voz a colegas que partilham projectos, histórias e percursos profissionais, contando já com 18 episódios disponíveis no YouTube e Spotify.
No que diz respeito aos canais de comunicação, a responsável sublinha que não existe um único canal para todos os colaboradores. «A eficácia da comunicação passa precisamente por combinar diferentes formatos e escolher o mais adequado para cada realidade», explica.
Nos últimos anos, a empresa tem reforçado a diversidade de canais, apostando em soluções adaptadas aos diferentes contextos de trabalho, entre as quais a instalação de televisões corporativas em espaços de maior circulação, como refeitórios e zonas de picagem de ponto, bem como a utilização do WhatsApp para o envio de comunicações mais importantes.
Entre as iniciativas destaca-se ainda a newsletter “Acontece nas Operações”, criada especificamente para as equipas operacionais e desenvolvida com o contributo de um comité editorial composto por colaboradores das operações, que identificam e propõem os temas mais relevantes. A publicação inclui rubricas como “Um Dia na Vida de”, onde um colega partilha, em vídeo, um dia do seu trabalho, «promovendo uma maior proximidade e compreensão entre diferentes funções e equipas.» Ainda assim, a responsável destaca que, em diversas situações, os momentos presenciais continuam a assumir um papel essencial, pela proximidade e diálogo que proporcionam.
Para além de aproximar pessoas, a comunicação interna tem a missão de promover o alinhamento em torno dos temas estratégicos da organização, garantindo uma presença consistente nos diferentes canais e uma linha editorial comum. «Para nós, esses temas não competem entre si. Fazem parte da mesma estratégia e da ideia de que aquilo que fazemos e o nosso impacto vão mais além dos nossos resultados», explica Vitória Monteiro.
Reflexo dessa estratégia é o “Town Hall”, uma transmissão trimestral que reúne diferentes momentos de partilha sobre os resultados do negócio, o desempenho em segurança, os projectos em curso e as iniciativas da área de Recursos Humanos, reforçando a cultura e o alinhamento entre as equipas.
A segurança assume, neste contexto, um papel transversal na organização. Todas as reuniões e eventos internos começam com um Momento de Segurança, garantindo que esta dimensão está sempre presente, independentemente do tema em discussão.
A avaliação da eficácia da comunicação interna constitui outro dos pilares da estratégia da Secil. Para a responsável, é essencial compreender se as mensagens chegam aos colaboradores de forma eficaz. Para isso, a empresa acompanha indicadores quantitativos dos seus canais, como visualizações, taxas de abertura e cliques, e realiza anualmente um inquérito de satisfação dedicado à comunicação interna, que permite avaliar os diferentes canais, iniciativas e projectos desenvolvidos ao longo do ano. Sempre que necessário, recolhe também feedback específico após eventos ou acções de comunicação.
Vitória Monteiro considera, ainda assim, que o indicador mais relevante continua a ser a proximidade com as pessoas. O contacto directo com colaboradores e líderes permite perceber como a comunicação está a ser recebida e identificar necessidades e oportunidades de melhoria.
Para além de garantir que a informação chega às pessoas, a comunicação interna assume também um papel activo na construção de uma cultura de aprendizagem e desenvolvimento contínuo. Neste sentido, esta monitorização traduz-se também numa revisão constante dos canais e formatos utilizados. Sempre que uma solução deixa de responder às necessidades da organização, a empresa adapta, substitui ou experimenta novas abordagens, numa lógica de melhoria contínua.
A comunicação interna contribui ainda para a construção de uma cultura de aprendizagem e melhoria contínua. Mais do que desenvolver programas de formação, «é preciso comunicá-los», afirma Vitória Monteiro.
Neste âmbito, a Secil dá visibilidade a iniciativas promovidas nas suas quatro escolas de formação: Escola de Liderança, Escola de Gestão, Escola Técnica e Escola de Segurança, reforçando a importância do desenvolvimento das pessoas como uma das prioridades da empresa.
Este papel estende-se ainda à partilha de projectos que estão a transformar diferentes áreas da empresa, às novas formas de trabalhar, às boas práticas e às iniciativas que reflectem a evolução da Secil. Como afirma a responsável, «conhecer o que outras equipas estão a desenvolver e o impacto que têm é também uma forma de aprender, partilhar conhecimento e inspirar».
Diferentes geografias, uma mesma cultura
Desde que a Secil passou a integrar a Molins, passou também a fazer parte de uma organização com uma presença internacional ainda mais alargada. Esta nova dimensão reforçou a importância de uma comunicação interna capaz de aproximar diferentes geografias, culturas e equipas.
Esta lógica de partilha e proximidade estende-se também à dimensão ininternacional da organização. Para Vitória Monteiro, «trabalhar com culturas, realidades e equipas distintas permite- -nos conhecer diferentes perspectivas, aprender uns com os outros e enriquecer a forma como comunicamos».
Neste contexto, o idioma surge como um dos desafios mais evidentes. A empresa procura garantir que as comunicações globais chegam a todos os colaboradores de forma acessível, recorrendo a conteúdos bilingues e à adaptação local das mensagens, assegurando que a informação é compreendida nas diferentes geografias.
Ao mesmo tempo, a comunicação interna procura dar visibilidade aos projectos desenvolvidos em cada país e promover uma representação equilibrada das diferentes realidades. O objectivo passa por criar um sentimento de pertença a um propósito comum, valorizando a identidade de cada geografia e reconhecendo que é precisamente essa diversidade que torna a organização mais forte.
Dar sentido à transformação
A comunicação interna assume também um papel determinante na explicação das grandes transformações estratégicas da empresa, com destaque para a sustentabilidade. Segundo Vitória Monteiro, a sustentabilidade é integrada de forma consistente na comunicação, dando visibilidade aos projectos, iniciativas e resultados relacionados com a descarbonização e a economia circular, explicando o que esses conceitos significam na prática, de que forma se reflectem no processo produtivo e qual o impacto que têm nas diferentes áreas da organização.
A Secil desenvolve igualmente planos de comunicação estruturados para os grandes projectos, adaptando as mensagens aos diferentes públicos internos e aos seus contextos. Cabe, assim, à comunicação interna assegurar que esta informação chega a todos os colaboradores «de forma clara, compreensível e relevante», promovendo o conhecimento e o envolvimento de toda a organização.
A representante da Secil sublinha que, mais do que transmitir informação, o objectivo passa por «ajudar as pessoas a compreender porque é que estes projectos são importantes e qual o seu papel nessa transformação. Quando existe esse entendimento, cria-se um maior sentimento de pertença e alinhamento, essencial para envolver as pessoas e apoiar o sucesso das iniciativas».
A visão para o futuro
Entre as prioridades para o futuro, Vitória Monteiro destaca a necessidade de «aproximar a comunicação interna das pessoas, em especial das equipas operacionais, garantindo que todos os colaboradores se sentem envolvidos e representados».
Acrescenta ainda que esta evolução será marcada por uma comunicação «cada vez mais participativa, próxima e humana», em que, «independentemente da evolução dos canais ou da tecnologia, serão sempre as pessoas a dar significado à comunicação ». Para a responsável, a comunicação interna assume assim um papel essencial: ligar pessoas, partilhar conhecimento e fortalecer uma cultura que evolui sem perder a identidade que define a Secil.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Comunicação interna”, publicado na edição de Julho (n.º 187) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














