O sector público mantém vantagens salariais, mas deixou de ser atractivo no início da carreira, conclui um estudo do Banco de Portugal (BdP).
A análise, que integra o Boletim Económico de Junho da instituição, revela que um trabalhador licenciado no setor público tem, face ao sector privado, um ganho salarial superior em cerca de 35 pontos percentuais (p.p.) no final da carreira face ao ponto de entrada.
«Entre 2008-09 e 2018-19, tal perfil crescente do diferencial manteve-se, mas verificou-se uma redução aproximadamente uniforme ao longo da carreira», assinala ainda assim.
O estudo realça que enquanto em 2008-09 existia um prémio em todos os escalões de experiência no sector público, actualmente a situação já não se verifica para os licenciados no início da carreira.
«O sector público perdeu assim capacidade de atracção de jovens licenciados relativamente ao sector privado», refere.
Para os não-licenciados, a análise conclui que o diferencial salarial só se torna positivo após 28 anos de experiência no caso da escolaridade igual ou inferior ao 9.º ano, e após 20 anos de experiência, para os indivíduos que concluíram o 12.º ano.
O BdP explica que o prémio salarial médio do sector público é de cerca de 11% em 2018-2019, tendo diminuído cerca de 03 p.p. desde 2008-09.
O prémio salarial do sector público é mais elevado para quem tem educação superior (23% no período mais recente), embora também se observe um prémio de 9% para os indivíduos que concluíram o 12.º ano.
«Parte do prémio dos licenciados advém da maior proporção de licenciados a ocupar profissões menos qualificadas no sector privado do que no sector público», explica.
No período mais recente, metade dos recursos humanos do setor público são licenciados, contra 20% no sector privado, ainda que o nível de escolaridade tenha melhorado em ambos os sectores.
Segundo o BdP, o sector público também se distingue do privado pela elevada proporção de mulheres (mais de 60%), por um maior número médio de anos de experiência (mais quatro anos) e por um menor número médio de horas trabalhadas.














