Sector têxtil e vestuário pode perder 56 mil postos de trabalho até 2030

Human Resources
30 de Junho 2021 | 09:40

A indústria têxtil e do vestuário poderá perder mais de 50 mil postos de trabalho na próxima década. A estimativa faz parte do estudo ‘Visão Prospetiva e Estratégias ITV 2030’, apresentado no Simpósio da Indústria Têxtil, evento no qual o sector pretende traçar “uma visão estratégica” para a próxima década. São três os cenário traçados e que preveem perdas de 11 mil a 56 mil empregos, adianta o Dinheiro Vivo.

 

O estudo é da responsabilidade da ATP e contempla três cenários distintos, desde a visão mais pessimista, que admite o desaparecimento de 3500 empresas e de mais de 56 mil empregos, à mais optimista, que prevê o encerramento de cerca de mil empresas e de mais de 11 mil postos de trabalho. A grande diferença está na riqueza gerada.

No caso do cenário ‘chumbo’, o mais negativo, cairá para menos de cinco mil milhões de euros de facturação, enquanto as exportações se ficarão por pouco mais de quatro mil milhões de euros.

Em contrapartida, no cenário ‘ouro’, o mais positivo, o volume de negócios do setor subirá para mais de 10 mil milhões de euros, com as exportações a serem responsáveis por oito mil milhões de euros, um aumento de 30% e de 53%, respectivamente, face aos valores pré-pandemia.

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De acordo com a publicação, a meio caminho entre os dois há o cenário ‘prata’, a «perspectiva conservadora, sem ser demasiado pessimista», admite a ATP no estudo, sublinhando a “probabilidade elevada” de este se verificar. E aqui estamos a falar de uma indústria que, em 2030, será constituída por um universo superior a 3500 empresas (contra as seis mil actuais) que empregam mais de 80 mil trabalhadores diretos, uma redução de mais de 51 mil face aos 131 539 existentes no final de 2020, ano em que o setor perdeu já, por força da pandemia, cinco mil empregos.

«Neste cenário, a maior ameaça é a desestruturação do cluster têxtil e vestuário, por perda substancial de massa crítica a jusante do mesmo, particularmente no que se refere às atividades de confecção, afectadas pela dificuldade em encontrar mão de obra capacitada e disponível a custos moderados, sem que tenham sido criadas medidas de compensação ou alternativas, quer por via da automação de processos, quer pela deslocalização para outros países de custos salariais mais baixos», pode ler-se no estudo.

Em declarações ao Dinheiro Vivo, o presidente da ATP garante que a meta é o cenário ‘ouro’ e que tudo está a ser feito para o conseguir. Quanto ao emagrecimento da fileira previsto em todos os cenários, Mário Jorge Machado aponta a questão demográfica: «Portugal, e o continente europeu, em geral, vai passar por problemas difíceis de substituição dos recursos humanos. Um problema que já hoje, em 2021, existe em muitas empresas e que se vai acentuar com o passar dos anos», garante, lembrando que 40% dos trabalhadores da fileira têxtil têm hoje mais de 50 anos.

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Ou seja, nos próximos 15 anos, o sector «vai precisar de 50 mil pessoas só para repor a mão de obra que se vai reformando. São valores muito significativos», sustenta. E, por isso, há uma «mensagem importante» a passar, é que o têxtil e o vestuário «é uma indústria inovadora, que dá formação e que gera oportunidades». Sem essa mensagem «será difícil», reconhece, já que a «competição pela mão de obra disponível no país será cada vez maior».

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