Seis CEO partilham os melhores conselhos de carreira que receberam. Um deles refere “o poder do assobio”

Human Resources
17 de Agosto 2023 | 12:50

Nem todos os conselhos que recebemos na vida e no trabalho são úteis, mas alguns podem mudar completamente a nossa perspectiva. Num ambiente económico em rápida mutação, que está a transformar radicalmente as nossas vidas pessoais e profissionais, isso é ainda mais importante. 

 

O Fórum Económico Mundial pediu aos convidados do seu podcast “Meet The Leader” que partilhassem os conselhos mais valiosos que receberam ao longo das suas carreiras.

 

A que metade do mundo pertences?

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Leif Johansson, antigo presidente não-executivo da AstraZeneca, recorda que criticou algo que, na sua opinião, a sua equipa fizera mal.

O chefe concordou, mas também lhe deu o seguinte conselho: «Quando começares a pensar que mais de metade da população à tua volta é idiota, pensa a que parte do mundo poderás pertencer.»

Johansson afirma que isso mudou a forma como lida com falhas no trabalho. «Evita que seja demasiado crítico», explica. Em vez de criticar o passado, esta abordagem permite-lhe concentrar-se no futuro.

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Conseguir a adesão das pessoas

Como presidente da Innovative Medicines International e directora comercial da Novartis, Marie-France Tschudin está habituada a gerir a mudança e a conseguir a adesão da sua equipa.

No início da sua carreira, um dos seus professores universitários disse-lhe: «Se avançarmos sozinhos, podemos ter o melhor produto, a melhor estratégia, a melhor liderança, e nada acontece.»

Segundo Tschudin, isto moldou-a ao longo da sua vida profissional. «Quando se investe tempo a garantir que as pessoas estão dispostas a acompanhar-nos, isso é muito importante. Em tempos de mudança, a pior coisa que se pode fazer é não estar presente.»

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Não há problema em não ser perfeito

Tanto na vida como nos negócios, muitos procuram a perfeição. Mas este objectivo bem-intencionado pode rapidamente tornar-se um obstáculo. Por vezes, menos pode ser mais, como aprendeu Caroline Casey, fundadora do The Valuable 500, um colectivo empresarial que trabalha para acabar com a exclusão de pessoas com deficiência.

«Lembre-se, 80% é suficientemente bom… A perfeição é um obstáculo.» Estas foram as palavras do seu mentor empresarial, um CEO da Fortune 200, que elogiou a sua ambição e visão, mas que a ensinou a sentir-se confortável com um pouco menos do que a perfeição, a fim de ganhar ímpeto.

«A perfeição é o que nos atrapalha. Saia do seu próprio caminho», acrescentou Casey.

 

O poder do assobio

Nicola Mendelsohn é directora do Global Business Group da Meta, a proprietária do Facebook, e tem um cancro no sangue incurável.

Um conselho que a ajudou a lidar com ambos os desafios foi: «Não se pode chorar e assobiar. Por isso, às vezes, tudo pode tornar-se um pouco exagerado e, se assobiar, garanto que não consegue chorar ao mesmo tempo.»

Mendelsohn também indica o lema de Eleanor Roosevelt de fazer coisas que pensamos que não conseguimos fazer como um mantra.

«Porque quando fazemos essas coisas, elas são aterradoras. Mas é nessa altura que se aprende mais. É quando nos esforçamos. E depois olhamos para trás e pensamos: “Sim, consegui e estou orgulhosa”.»

 

Ultrapassar o medo

Como directora de Estratégia da Halo Car, uma empresa especializada em tecnologia de veículos autónomos, Cassandra Mao também acredita em sair da zona de conforto.

«Gosto muito de experiências em que me sinto muito desconfortável e aproveito-as. Na verdade, procuro-as porque acho que, quando nos sentimos desconfortáveis, é muitas vezes um sinal de que estamos a fazer algo novo — e fazer algo novo é o primeiro passo para crescer, certo?»

O seu melhor conselho? «Sinta o medo e faça-o na mesma.»

«O medo é bom, o medo é informação», acrescenta Mao, «mas não tem de ser um factor de decisão das suas acções.»

 

Sentir a paixão

Blake Scholl, engenheiro de software que actualmente dirige a fabricante de aviões de última geração Boom Supersonic, sempre seguiu as suas paixões.

«Não tenho currículo para construir aviões supersónicos», revela. «Passei um ano a ensinar a mim próprio as bases da concepção de aviões e da economia aeronáutica, e afinal consigo aprender isso.»

Scholl descreve a mentalidade tradicional de se especializar num tópico e de se tornar um perito ao longo do tempo como «autolimitador», salientando que «as capacidades são muito mutáveis, o conhecimento é mutável, mas as paixões não».

Scholl acredita que «É muito mais poderoso seguir as nossas paixões e deixar que os nossos conhecimentos e competências sigam o rumo dessa paixão.»

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