Mais do que o salário, 57% dos profissionais apontam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional como o principal motivo para considerar uma mudança de emprego após o Verão, seguido das oportunidades de progressão na carreira (22%), segundo uma sondagem da Hays.
É durante as férias que muitos profissionais aproveitam a pausa para reflectir e fazer um balanço da sua situação profissional e ponderar novos caminhos para a carreira.
De acordo com uma sondagem promovida pela Hays, empresa de recrutamento especializado e soluções de Recursos Humanos, 61% dos participantes afirmam que o período de Verão os levou a reconsiderar a sua situação profissional e a ponderar uma mudança de emprego. Já 20% refere que o Verão não alterou a sua perspectiva, 11% considera que ainda é cedo para tirar conclusões e apenas 6% afirma ter reflectido sobre o tema, mas pretende permanecer na empresa onde trabalha actualmente.
A pausa para férias permite ganhar distância da rotina e analisar, com maior clareza, aspectos que durante o resto do ano acabam por ser relegados para segundo plano. Longe da pressão do dia-a-dia, surgem temas como a evolução da carreira, as oportunidades de crescimento, o reconhecimento ou o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
A falta de perspectivas de progressão, a sensação de estagnação, a ausência de reconhecimento, uma carga de trabalho excessiva ou a perda de flexibilidade são alguns dos factores que levam muitos profissionais a explorar novas oportunidades.
«O Verão não é, por si só, o motivo que leva alguém a mudar de emprego. No entanto, oferece o tempo e o distanciamento necessários para que muitas inquietações se tornem mais evidentes. Em muitos casos, funciona como um catalisador de reflexões que já existiam e que, após as férias, acabam por se traduzir na decisão de procurar um novo desafio profissional», afirma Sandrine Veríssimo, Regional director da Hays Portugal.
A principal prioridade
Embora a remuneração continue a ser relevante na decisão de mudar de emprego, os profissionais valorizam cada vez mais aspectos relacionados com o bem-estar, a qualidade de vida e a progressão de carreira.
Questionados sobre qual seria o principal motivo para ponderarem uma mudança de emprego após o Verão, uns expressivos 57% dos profissionais apontam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Em segundo lugar aparece a progressão na carreira (22%), seguindo-se a qualidade da liderança e gestão (11%) e um melhor ambiente de trabalho (8%).
Estes resultados, segundo a Hays, demonstram que a decisão de mudar de emprego raramente resulta de um único factor. «Hoje, os profissionais procuram muito mais do que uma remuneração competitiva. Querem sentir que evoluem, que são ouvidos e que existe um caminho claro para o seu crescimento dentro da organização. As empresas que conseguem transformar essa escuta em acções concretas estarão mais bem preparadas para atrair e fidelizar talento num mercado cada vez mais competitivo», acrescenta Sandrine Veríssimo.
O momento da decisão
É frequentemente no regresso das férias que este processo de reflexão ganha expressão. A desmotivação persistente, a perda de entusiasmo por projectos que antes eram estimulantes ou uma maior atenção às oportunidades existentes no mercado podem ser alguns dos primeiros sinais de que um profissional está a ponderar uma mudança.
Em muitos casos, essa reflexão traduz-se em acções concretas, como actualizar o currículo ou o perfil no LinkedIn, reforçar a rede de contactos, consultar ofertas de emprego ou acompanhar a evolução salarial do mercado.
Segundo o Guia Hays 2026, 67% dos profissionais em Portugal pretendem mudar de emprego durante este ano, reforçando que a mobilidade profissional continua a ser uma realidade no mercado de trabalho nacional.
Neste contexto, o período que antecede e sucede às férias representa uma oportunidade para as organizações reforçarem o diálogo com as suas equipas, compreenderem melhor as suas expectativas e investirem no seu desenvolvimento profissional.














