Seis em cada dez professores passam cinco ou mais horas semanais em tarefas administrativas

Human Resources com Lusa
8 de Janeiro 2026 | 14:40

Nove em cada dez professores queixam-se de burocracia excessiva e mais de 60% passam cinco ou mais horas semanais em tarefas administrativas, revela um inquérito online realizado pela Federação Nacional da Educação (FNE).

Segundo o estudo da FNE, ao qual responderam 817 docentes, 93% dos inquiridos considera haver excesso frequente de burocracia e 62,9% gasta cinco ou mais horas semanais em tarefas administrativas.

Um em cada quatro professores (26%) diz mesmo passar mais de sete horas por semana em tarefas que nada têm a ver com dar aulas.

O relatório alerta que o excesso de burocracia nas escolas está “a pôr em causa o ensino, porque está a desviar os professores da sua função, que é ensinar”.

Nas respostas ao inquérito, os professores queixam-se das reuniões, que dizem ser “muito longas e pouco eficazes”, mas também das atas “extensas e redundantes, sem retorno pedagógico”.

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«O excesso de reuniões e atas (…) é frequentemente descrito como improdutivo, excessivamente formalista e desfasado das reais necessidades pedagógicas», lê-se no relatórioentregue aos responsáveis do Ministério da Educação.

Reescrever a mesma informação várias vezes em diferentes plataformas é outra das críticas dos professores, que falam também na burocratização da avaliação, visível em tarefas como ter de preencher “grelhas complexas”, fazer “avaliação por domínios” e até “múltiplas versões de testes”, que consideram desproporcionado.

Também há queixas de excesso de trabalho por parte dos diretores de turma, que lembram que estão responsáveis por fazer a ponte entre a escola e os encarregados de educação, tratar das justificações de falta de todos os estudantes ou organizar os processos individuais dos alunos.

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Os directores de turma defendem que muitas tarefas poderiam ser asseguradas pelos serviços administrativos.

A opinião é partilhada por muitos outros professores, que dizem ter em mãos cada vez mais serviços administrativos, tendo a seu cargo “trabalho de secretaria” como justificar faltas, enviar correspondência ou tratar das matrículas dos alunos.

«A avaliação, nomeadamente grelhas complexas, avaliação por domínios e múltiplas versões de testes, e a atribuição aos docentes de tarefas claramente administrativas são identificadas como fontes relevantes de desgaste, desviando os professores da sua função central: ensinar», refere o relatório.

Perante este cenário, a FNE apresentou hoje à tutela várias recomendações sugeridas pelos docentes para reduzir a burocracia, que começam por uma “revisão crítica e sistemática dos procedimentos administrativos”, que permita eliminar redundâncias e “exigências sem impacto pedagógico comprovado”.

Os representantes da FNE lembram que a desburocratização é “essencial para o reforço da qualidade do ensino, da inclusão educativa e do sucesso dos alunos”.

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