Seis mitos relacionados com as certificações técnicas na área de TI

Margarida Lopes
22 de Agosto 2023 | 17:00
Seis mitos relacionados com as certificações técnicas na área de TI

A certificação técnica em Tecnologias de Informação surgiu há mais de 40 anos e, ao longo desse tempo, sempre existiram muitos preconceitos relativamente à sua utilidade. Numa altura em que a falta de profissionais qualificados em TI ganha proporções inéditas, Carolina Gabado, head of Operations, responsável pelos Centros de Exames da empresa Rumos, apresenta os mitos mais comuns relacionados com as certificações técnicas.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

 

Identificou seis.

1. As certificações são focadas no produto
Não sendo uma afirmação completamente falsa, pois há bastantes certificações técnicas “agnósticas” de produto ou fabricante (como as da CompTIA, EXIN, ISACA, ITIL, PMI, IIBA, entre outras), muitas das mais reconhecidas certificações são de facto criadas pelo fabricante. A conotação de que isto é algo negativo é que é errada.

Continue a ler após a publicidade

Os sistemas de informação reais das organizações não são agnósticos, estão assentes em algum tipo, ou vários tipos, de tecnologias ou plataformas, e as organizações precisam de profissionais que saibam utilizar essas ferramentas da melhor forma possível.

E ninguém é mais bem qualificado para desenvolver um programa de certificação, que avalie o domínio de um determinado produto, do que o fornecedor que o criou. Dependendo do percurso e especialização que o profissional de TI procura desenvolver, uma certificação de fabricante pode ser assim muito mais relevante do que uma independente de produto.

 

2. Certificações não são orientadas para o mundo real
Esta é uma preocupação válida, que tem, contudo, cada vez menos fundamento. Os fabricantes, e entidades certificadoras, têm vindo a fazer grandes esforços para focar as suas certificações na validação de competências práticas úteis, alinhando o seu conteúdo com as tarefas reais, desempenhadas pelos profissionais no seu dia a dia, e a forma como são realizadas com os ambientes e situações reais de trabalho, dando-lhes um carácter mais genuíno e autêntico.

Continue a ler após a publicidade

 

3. O ciclo de vida da certificação é curto
Os avanços tecnológicos ocorrem a um ritmo cada vez mais elevado. Para manterem a sua competitividade, as empresas necessitam de adotar estes avanços com rapidez e eficiência. Assim, embora possa parecer inconveniente, o ciclo de vida das certificações precisa de acompanhar o ritmo de evolução tecnológica.

Enquanto certificações de tecnologias obsoletas perdem o seu valor de mercado ou reconhecimento, certificações de tecnologias emergentes precisam de ser atualizadas para atestar as novas capacidades e competências, e refletir a forma como são utilizadas realmente nas funções actuais. A validade da certificação deverá ser vista não como algo depreciativo da própria certificação, mas como um alerta da velocidade a que as nossas competências se tornam obsoletas e deverão ser actualizadas.

 

Continue a ler após a publicidade

4. Certificações não são valorizadas
O valor das certificações é indiscutível e reflete-se no número crescente de profissionais que, todos os anos, se propõem a exames de certificação. De acordo com um estudo da Rumos, 80% dos inquiridos tem intenção de renovar ou perseguir novas certificações e 92% recomenda o investimento em certificações para quem quer iniciar ou progredir numa carreira na área das TI.

Também do lado das organizações, estudos internacionais atestam a perceção positiva que os diretores e managers de TI têm dos benefícios das certificações: o aumento da qualidade do trabalho, da produtividade, da eficiência, da inovação e da capacidade de orientar outros colegas, entre outras.

 

5. Formação Académica vs. Certificação vs. Experiência
Estes três aspectos têm um papel fundamental na construção do perfil de um profissional de TI, na sua competência para executar funções ou na atractividade para potenciais empregadores. No mercado das TI, as certificações são incontornáveis no processo de recrutamento.

Continue a ler após a publicidade

No estudo da Rumos, as certificações são identificadas como o segundo critério mais importante na avaliação de potenciais candidatos, apenas ultrapassado pela experiência profissional. As certificações são imparciais e provam, não só um nível mais profundo de conhecimento numa determinada área, mas também motivação, capacidade de perseguir e cumprir um objectivo e o empenho em manter-se actual e relevante.

 

6. Ninguém sabe quais ou quantas certificações são suficientes
No campo das certificações, todos os caminhos são válidos e permite ter liberdade para escolher o percurso e o domínio de especialização, sabendo que a posse de uma certificação é sempre uma mais-valia para a construção de conhecimento.

Não só em TI, como em qualquer área, as funções evoluem e transformam-se cada vez mais rapidamente, restando aos profissionais acompanhar essa evolução com formação e certificação contínua ao longo de todo o seu trajecto profissional. Claro que esta formação e certificação tem sempre associado o valor do investimento, seja financeiro, tempo ou esforço, sendo necessário avaliar o benefício que aportam tanto ao profissional de TI como às entidades empregadoras.

Partilhar


Mais Notícias