De acordo com o Workplace Wellness Survey de 2024 do Employee Benefit Research Institute, 62% dos trabalhadores norte-americanos referem os planos de poupança reforma como um dos factores-chave para a sua segurança financeira, um aumento em relação aos 56% em 2023. Só que esta segurança está a passar por momentos conturbados, avança a Korn Ferry.
Não importa se é um baby boomer prestes a reformar-se ou um trabalhador mais jovem a construir as suas poupanças. O “efeito resmunguice” (Grumpification Effect) está aí. «As pessoas estão a entrar nesta espiral de ansiedade, depressão e preocupação», diz Karen Huang, directora de search assessment da Korn Ferry.
É claro que os trabalhadores já enfrentaram incertezas antes. Mas esta versão está a deixar os colaboradores, gestores e líderes nervosos, o que, segundo os especialistas, pode ter um impacto negativo nos resultados financeiros se a ansiedade perturbar as operações.
De facto, os colaboradores estão mais verbais e assertivos quando questionam decisões que os afectam, observa JP Sniffen, líder de prática no Military Center of Expertise da Korn Ferry. «Percebi que as pessoas não aceitam a resposta das lideranças.» Até os C-level ficaram abalados pelas oscilações bruscas do mercado.
No entanto, nas empresas, em que poucas pessoas discutem abertamente os seus investimentos para a reforma, paira o silêncio. Mesmo que todos estejam a observar o mercado bolsista, o silêncio pode fazer com que as pessoas se sintam socialmente isoladas. «Sentem que têm de lidar com a situação sozinhos», diz Karen Huang.
Um problema, dizem os especialistas, é que nos EUA as contas de poupança reforma são geralmente geridas por empresas externas, que estão sobrecarregadas com chamadas neste momento: foi reportado um aumento de 30% no volume de chamadas em dias instáveis, como o período após 2 de Abril, dia em que o governo dos EUA anunciou tarifas sobre quase todos os outros países.
Os colaboradores queixam-se que lhes dizem simplesmente para esperar pelas mudanças do mercado, uma abordagem que têm dificuldade em aceitar. Em vez disso, passam os dias a actualizar o desempenho do índice S&P 500 — o que, claro, resulta em menos tempo passado a trabalhar e mais stress. «Tudo isto deixa as pessoas ansiosas e deprimidas, e leva à desmotivação e baixa produtividade», alerta Huang.
Os especialistas aconselham os gestores a não abordarem o assunto directamente e, em vez disso, distribuírem recursos de planeamento financeiro a todos os colaboradores, bem como lembretes de quaisquer benefícios financeiros que possam estar disponíveis.
Ron Porter, sócio sénior da Korn Ferry, defende evitar declarações que possam ser interpretadas como conselhos de investimento, mesmo que pareçam inócuas. «É uma situação muito delicada, especialmente se estiver a tentar consolar alguém.»
Huang aconselha os líderes abordarem as preocupações subjacentes dos colaboradores, que vão além dos saldos das contas de poupança reforma. A empresa é financeiramente segura? Haverá despedimentos? Os gestores podem garantir aos colaboradores que estão em vigor medidas de protecção empresarial. «Tente aliviar as ansiedades sobre a empresa com a maior transparência possível», sugere.














