O isolamento e o distanciamento humano são prejudiciais para a saúde. Tocar música pode atenuar os efeitos da solidão e ajudá-lo a sentir-se melhor, revela o Inc.
Quem nunca se sentiu perdido, sozinho ou de coração partido e recorreu à música em busca de conforto? Mas o que acontece no cérebro quando a melodia ecoa? Porque é que a música acalma a solidão?
Um novo estudo neurocientífico oferece ã resposta e sugere também uma forma como as pessoas podem usar as suas músicas favoritas para ultrapassar alguns dos dias mais difíceis.
A música regula o estado de espírito
Não será novidade para os fãs de música ou cientistas que a música pode ajudar a regular o estado de espírito. Diversas pesquisas e evidências demonstram que estilos musicais específicos podem afectar o pensamento, aumentando a produtividade, a criatividade, a concentração ou o humor.
A música também demonstrou ter impacto no comportamento. Uma pesquisa descobriu, por exemplo, que quando as pessoas ouvem mais música em casa, tornam-se mais sociáveis, prolongando as refeições por mais tempo e até fazendo mais sexo.
E quando não existe ninguém com quem socializar? Como é que a música ajuda a suportar períodos de solidão? Para descobrir a resposta, uma equipa liderada por Steffen Herff, neurocientista do Music, Mind and Body Lab no Conservatório de Música de Sydney, na Austrália, levou a cabo uma experiência inteligente sobre o tema. Os resultados foram publicados na “Scientific Reports”.
Como a música faz companhia
Os investigadores recrutaram 600 voluntários de todo o mundo e pediram-lhes que imaginassem um cenário simples, viajando em direcção a uma montanha. Nenhum detalhe adicional foi fornecido para orientar o exercício. Metade dos voluntários ouviu canções folclóricas europeias, algumas com letras e outras sem, enquanto sonhavam acordadas com as suas viagens. A outra metade não.
De seguida, os cientistas pediram aos participantes do estudo que descrevessem em detalhe o que tinham imaginado. Utilizaram vários algoritmos e anotadores humanos para analisar as diferenças entre as viagens daqueles que o fizeram em silêncio e daqueles que ouviam música.
As imagens mentais daqueles que ouviam música estavam repletas de pessoas e ligações sociais. As suas descrições eram salpicadas de palavras como “amigo”, “aldeia” e “juntos”. Aqueles que ouviam em silêncio, na sua maioria, realizavam as suas viagens mentais sozinhos.
«Isto sugere que a música pode de facto afectar o pensamento social», escreveramm Steffen Herff e o seu colaborador, o estudante de doutoramento da Universidade de Sydney, Ceren Ayyildiz. «O efeito foi estável, independentemente de os ouvintes compreenderem a letra ou ela nem sequer existir.» «Os nossos resultados sugerem que a música pode de facto ser uma boa companhia», concluem.
Superar momentos de solidão com música?
A música não é claramente uma solução para a solidão a longo prazo, mas pode sim ajudar a ultrapassar momentos de solidão.
«A probabilidade de a imaginação conter interacções sociais na nossa experiência é mais de três vezes maior quando os participantes ouvem música, em comparação com o silêncio. Pode fazer com que se sinta compreendido e tenha uma sensação de ligação e pertença», explicou Steffen Herff.
Numa realidade em que muitos países enfrentam uma epidemia de solidão e proliferam os debates sobre estilos de vida isolados e a falta de comunidade, enquanto cada vez mais estudos comprovam cientificamente que a solidão pode ser tão prejudicial para a saúde como fumar e causar baixa energia e fadiga intensa, estes resultados vêm em boa hora.
Existe algum tipo ou estilo específico de música que ajude mais a combater a solidão? Não, de acordo com Herff, que, em vez disso, enfatiza cada um seguir os seus próprios instintos.
«A relação das pessoas com a música é muito pessoal. O que pode funcionar para uma pessoa, pode não funcionar para outra», disse, citando outro estudo recente que mostrou que as pessoas optam por tipos de música muito diferentes quando se sentem sozinhas. Para algumas pessoas, a música pode nem ser grande ajuda.
Mas certamente não custa tentar. «Na minha opinião, o potencial da música reside na sua facilidade de acesso e no quão personalizada pode ser. Por que não tentar e experimentar o que funciona para si? O pior que pode acontecer é acabar a ouvir música», conclui Herff.













