Sim, há gestão de pessoas no digital. Ageas e Randstad partilham como a estão a fazer

Sandra M. Pinto
1 de Abril 2020 | 13:50
Sim, há gestão de pessoas no digital. Ageas e Randstad partilham como a estão a fazer

RE(TALK)

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Cerca de mil pessoas assistiram ontem (em directo e em diferido) à primeira re(talk), uma iniciativa da Randstad em parceria com a Human Resources. Os convidados foram Catarina Tendeiro (Grupo Ageas Portugal) e Nuno Troni (Randstad), que partilharam como, em menos de uma semana, colocaram perto de 1300 e 450, respectivamente, a trabalhar em casa. E também como estão a gerir esta nova realidade, as dificuldades, as vitórias e as incógnitas.

 

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Catarina Tendeiro, directora de Recursos Humanos do Grupo Ageas Portugal e Nuno Troni, director da área de Professionals da Randstad Portugal partilharam as suas experiências e perspectivas sobre o actual contexto, bem como quais os desafios que a actual situação trouxe à gestão de pessoas e como lhes estão a dar resposta, numa conversa, em directo, moderada por Ana Leonor Martins, directora de redacção da Human Resources.

Com surgimento dos primeiros casos em Portugal, as empresas começaram a perceber que tinham que agir, preventivamente, e por isso, ainda antes da declaração do Estado de Emergência, começaram o colocar os colaboradores em teletrabalho. Nuno Troni reconhece que foi um «processo abrupto. Apesar de na Randstad termos a prática de trabalhar a partir de qualquer lado, e de termos trabalho remoto implementado, pelo menos duas vezes por semana,, o que aconteceu foi que, de um dia para o outro, literalmente, toda a gente do escritório teve de passar a trabalhar desde casa .

No caso da Randstad, e depois de uma semana e meia de adaptação, todos os colaboradores internos, cerca de 430, ficaram a exercer funções em regime de teletrabalho, sendo que será também esse o objectivo relativamente a todos os colaboradores que estão alocados a clientes, «também estes, sempre que possível e cujas funções o permitam, ficarão a trabalhar a partir de casa», garantiu, acrescentando acredita que todas as empresas o estão a fazer. «As empresas viram esta situação como uma absoluta necessidade, pelo que, com maior ou menor dificuldade, todas têm implementado o sistema de teletrabalho».

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Reconhecendo que todo este processo constitui uma aprendizagem para todos, tanto para as empresas como para os colaboradores, porque «ninguém estava preparado para esta realidade, pois uma coisa é ter medidas de flexibilidade, outra é por toda a gente a trabalhar em casa. E isso aplica-se, não só à forma como estamos a trabalhar, como à própria dinâmica do negócio em que as empresas estão a travar investimentos e contratações. Foi, de facto, um verdadeiro terramoto o que aconteceu».

Para tentar assegurar a normalidade possível do negócio, Nuno Troni defende ser fundamental garantir quais são as prioridades e os objectivos. «Temos de saber o que queremos alcançar e o que é prioritario. Só assim, podemos depois definir como é que vamos montar e executar o processo para o alcançar.»

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Já no caso da Ageas, o processo foi feito em várias etapas e fases, até porque parte importante da equipa trabalha no contact center. Catarina Tendeiro revelou que, mesmo antes de declarado o Estado de Emergência, já tinham em casa os chamados casos de risco e os pais com filhos em idade escolar. «A estes seguiram-se os colaboradores que tinham computadores portáteis e depois todos os outros, a quem a empresa conseguiu, no espaço de uma semana,  instalar tudo o que era necessário, inclusive o contact center da Seguro Direto. «Neste momento temos 1300 colaboradores em teletrabalho», partilha.

No decurso deste processo, e enquanto preocupação para a empresa, a parte técnica sobressaiu num primeiro momento, «mas agora é a gestão emocional de cada pessoa e a gestão das equipas aquilo que nos preocupa e que procuramos melhorar».

Assim, e para dar resposta a este desafio, a  Ageas dividiu a sua actuação em quatro áreas: «Desde logo a comunicação e o alinhamento com a gestão de topo para definir estratégias e perceber como as equipas se estão a sentir; depois o apoio aos gestores, seguido de uma terceira acção, transversal a toda a empresa, com iniciativas como o médico online, o acompanhamento de programas de saúde e bem-estar, a criação de um mail próprio onde os colaboradores podem tirar dúvidas, assegurando que existe contacto com os colaboradores, um a um, para tentar manter a proximidade. Por fim, e em conjunto com a Fundação Ageas, criámos várias iniciativas, de entre as quais se destaca “Adopte um avô”, através da qual os voluntários podem ajudar os idosos  que estão retidos em casa.»

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Num sistema de teletrabalho nem sempre é fácil manter a proximidade entre equipas, sendo que, na Randstad, isso tem sido feito através das ferramentas tecnológicas, «obviamente fundamentais», reconhece Nuno Troni.  O contacto é mantido através da realização de reuniões diárias, «mas também através da celebração conjunta de sucessos e de boas notícias, algo que efectivamente aproxima as pessoas. Na verdade, não é por estarmos distantes que não mantemos o contacto», garante.

Catarina Tendeiro concorda, e admite até que, nesta situação, acaba por falar mais com o sua equipa, uma vez que o contacto é diário. Mas reconhece que é um grande desafio manter a normalidade e a dinâmica da empresa, ao mesmo tempo que é preciso estar atento a cada pessoa, à sua nova dinâmica familiar. «É preciso estar atento a cada pessoa e à sua realidade, ao mesmo tempo que queremos uma certa flexibilidade. É, de facto, difícil combinar isso com a vida de cada colaborador. E à medida que as semanas vão passando, manter o propósito diário de cada um dos colaboradores é absolutamente essencial.»

 

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O director da Randstad acredita que as pessoas estão muito conscientes do momento que estamos a passar, mas ressalva que ainda é cedo para perceber se está de facto tudo a correr tudo bem. «Só passaram 15 dias, é cedo para fazer balanços ou avaliações sobre a situação, apesar da boa vontade que se sente da parte de todos em colaborar.»

 

Por parte de quem assistia, chegou uma pergunta: “E quando tudo passar, será que voltamos ao normal ou seremos todos mais digitais?” Nuno Troni perspectiva que o mundo do trabalho vai mudar. «Profissionalmente, vamos viajar muito menos e as empresas vão perceber que trabalho remoto é, claramente, uma hipótese.» Mas, acima de tudo, o responsável defende que é sobretudo importante que passe a haver maior equilíbrio entre a presença física no escritório e o trabalho remoto.

Catarina Tendeiro concorda. «Na verdade, ninguém sabe muito bem como é que tudo vai ser, nem agora, nem depois quando voltarmos à normalidade, pois é tudo novo». Outro aspecto focado pela directora de Recursos Humanos do Grupo Ageas Portugal reside no facto de toda esta situação ter acabado por vir dissipar algumas dúvidas relativamente a aspectos como flexibilidade e trabalho remoto. «Agora já sabemos que até call centers conseguimos ter em trabalho remoto», afirma.

 

E como ficam os planos e estratégias definidas para 2020. Terão as empresas a agilidade para os adaptar, mantendo, dentro do possível, o prosseguimento dos objectivos definidos?

Nuno Troni frisa que é importa perceber o imediatismo da situação que estamos a viver e. distingui-lo, do que é a actuação de uma empresa a longo prazo. «Importa fomentar a agilidade da empresa, pois aquelas que não o conseguirem ser, seguramente não vão sobreviver a um momento como este. Mas, no imediato, importa sobretudo garantir que as empresas não páram e que continuam a sua actividade e que depois conseguem ter a agilidade suficiente para poderem perceber como é que se vão poder adaptar e como é que vão sobreviver».

«É de facto impressionante como o ser humano tem capacidade para se adaptar a estas situações», faz notar Catarina Tendeiro. «Provámos a nós próprios a agilidade que conseguimos ter através da rapidez com que estamos diariamente a tomar medidas.»

 

Ou seja, à pergunta que serviu de tema a esta primeira re(talk) – “Há Gestão de Pessoas – a resposta é sim. «Apesar de toda a incerteza que se vive hoje, temos passado por situações gratificantes, em que temos colaboradores a mostrar verdadeira felicidade por puderem, por exemplo, falar mais vezes com o seu gestor», partilha Catarina Tendeiro. «E isto acontece porque as pessoas estão realmente empenhadas em ajudar a que tudo corra bem.»

 

Esta foi a primeira de 10 re(talks) que vão acontecer até final de Maio, todas as terças e sextas-feiras, às 15h00. A segunda acontece já dia 3 de Abril, tendo como protagonistas João Zúquete da Silva, administrador da Altice, e pedro Empis, executive business director, da área de Outsourcing da Randstad. O tema será “Agilidade: como mantenho a performance da minha equipa?”. Inscreva-se aqui.

(re) veja a primeira talk, na íntegra, aqui.

 

Texto: Sandra Pinto

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