Singapura lidera o Ranking Mundial de Competitividade. Portugal cai na classificação. Veja que posição ocupa

Portugal recua três lugares no “Ranking Mundial de Competitividade 2026”, do IMD, e ocupa agora a 40.ª posição entre 70 economias. A queda surpreende pelo contraste: no pilar do Desempenho Económico, o país deu um salto de sete lugares, até ao 35.º. Cresce na economia, e, ainda assim, perde competitividade.

Margarida Lopes
18 de Junho 2026 | 08:00
Singapura lidera o Ranking Mundial de Competitividade. Portugal cai na classificação. Veja que posição ocupa

Nos indicadores económicos, Portugal obteve quarto lugar mundial nas Receitas do Turismo, 11.º nos Fluxos de Investimento Directo Estrangeiro em percentagem do PIB, 12.º nos baixos níveis de exclusão jovem e terceiro na menor concentração das exportações por produto. Mas o impulso da economia não chegou para travar a queda nos pilares que sustentam a competitividade a prazo: Eficiência Governativa (41.º), Eficiência Empresarial (45.º) e Infraestruturas (31.º).

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É aqui que se joga o futuro. Na Eficiência Governativa, a previsibilidade do enquadramento institucional, fiscal e regulatório continua a condicionar a decisão de investir e crescer com a política fiscal, as finanças públicas e a legislação empresarial entre os principais desafios, a exigir políticas públicas simples, estáveis e orientadas para a execução.

Mas é na Eficiência Empresarial que Portugal regista o seu pilar mais baixo (45.º) – e também aqui perdeu terreno face a 2025. A queda é o resultado das práticas de gestão (53.º), do mercado de trabalho (46.º) e da produtividade (48.º), a que se somam fragilidades persistentes no empreendedorismo, na dimensão das PME, na formação dos colaboradores e nas competências financeiras das empresas. O sinal é inequívoco: sem instituições mais ágeis e empresas mais capazes, os ganhos da economia não se convertem em competitividade duradoura.

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No topo, o ranking confirma uma tendência: vencem as economias com instituições credíveis, capazes de se adaptar e de resistir a choques externos. Singapura recupera a liderança mundial, seguida de Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos; o top 10 integra ainda Dinamarca, Irlanda, Países Baixos, Suécia e Estados Unidos, que regressam ao grupo das dez mais competitivas depois do 13.º lugar em 2025.

«As condições geopolíticas estão a deteriorar-se e a fragmentação global está a aumentar. As nações com instituições credíveis e testadas ganham vantagem neste contexto porque, à medida que o sistema internacional deixa de responder a muitas necessidades nacionais, as empresas conseguem continuar a operar com previsibilidade», afirma Arturo Bris, diretor do World Competitiveness Center do IMD.

A boa notícia: o talento continua a ser o grande íman de Portugal. No Executive Opinion Survey do IMD, a mão de obra qualificada é apontada como o principal fator de atratividade do país (72%), à frente da competitividade de custos (68%), das infraestruturas fiáveis (62%), das atitudes abertas e positivas (60%) e da estabilidade das políticas públicas (40%). Os próximos anos exigirão, porém, decisões corajosas: diversificar a base produtiva e os mercados de exportação, reforçar as competências de gestão e formação, alinhar as qualificações com as transições digital e verde, acelerar a transição energética, responder às pressões demográficas e, acima de tudo, executar reformas.

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Para José Esteves, dean da Porto Business School, o desafio é tão claro quanto mobilizador: «Portugal tem profissionais de excelência, atrai investimento e é uma economia aberta ao mundo. Mas a competitividade do futuro não se mede pelos ativos que temos – mede-se pela forma como os transformamos em produtividade, inovação, escala e impacto. Precisamos de empresas mais ágeis, instituições mais eficazes e líderes preparados para executar melhor, adaptar-se mais depressa e criar valor de forma sustentável».

O Ranking Mundial de Competitividade do IMD avalia anualmente a capacidade das economias para criarem um ambiente favorável à competitividade das empresas. A edição de 2026 analisa 70 economias e combina dados estatísticos com o Executive Opinion Survey em quatro dimensões: Desempenho Económico, Eficiência Governativa, Eficiência Empresarial e Infraestruturas.

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A Porto Business School é a parceira exclusiva do IMD em Portugal para a recolha, análise e divulgação dos resultados nacionais.

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