Nos indicadores económicos, Portugal obteve quarto lugar mundial nas Receitas do Turismo, 11.º nos Fluxos de Investimento Directo Estrangeiro em percentagem do PIB, 12.º nos baixos níveis de exclusão jovem e terceiro na menor concentração das exportações por produto. Mas o impulso da economia não chegou para travar a queda nos pilares que sustentam a competitividade a prazo: Eficiência Governativa (41.º), Eficiência Empresarial (45.º) e Infraestruturas (31.º).
É aqui que se joga o futuro. Na Eficiência Governativa, a previsibilidade do enquadramento institucional, fiscal e regulatório continua a condicionar a decisão de investir e crescer com a política fiscal, as finanças públicas e a legislação empresarial entre os principais desafios, a exigir políticas públicas simples, estáveis e orientadas para a execução.
Mas é na Eficiência Empresarial que Portugal regista o seu pilar mais baixo (45.º) – e também aqui perdeu terreno face a 2025. A queda é o resultado das práticas de gestão (53.º), do mercado de trabalho (46.º) e da produtividade (48.º), a que se somam fragilidades persistentes no empreendedorismo, na dimensão das PME, na formação dos colaboradores e nas competências financeiras das empresas. O sinal é inequívoco: sem instituições mais ágeis e empresas mais capazes, os ganhos da economia não se convertem em competitividade duradoura.
No topo, o ranking confirma uma tendência: vencem as economias com instituições credíveis, capazes de se adaptar e de resistir a choques externos. Singapura recupera a liderança mundial, seguida de Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos; o top 10 integra ainda Dinamarca, Irlanda, Países Baixos, Suécia e Estados Unidos, que regressam ao grupo das dez mais competitivas depois do 13.º lugar em 2025.
«As condições geopolíticas estão a deteriorar-se e a fragmentação global está a aumentar. As nações com instituições credíveis e testadas ganham vantagem neste contexto porque, à medida que o sistema internacional deixa de responder a muitas necessidades nacionais, as empresas conseguem continuar a operar com previsibilidade», afirma Arturo Bris, diretor do World Competitiveness Center do IMD.
A boa notícia: o talento continua a ser o grande íman de Portugal. No Executive Opinion Survey do IMD, a mão de obra qualificada é apontada como o principal fator de atratividade do país (72%), à frente da competitividade de custos (68%), das infraestruturas fiáveis (62%), das atitudes abertas e positivas (60%) e da estabilidade das políticas públicas (40%). Os próximos anos exigirão, porém, decisões corajosas: diversificar a base produtiva e os mercados de exportação, reforçar as competências de gestão e formação, alinhar as qualificações com as transições digital e verde, acelerar a transição energética, responder às pressões demográficas e, acima de tudo, executar reformas.
Para José Esteves, dean da Porto Business School, o desafio é tão claro quanto mobilizador: «Portugal tem profissionais de excelência, atrai investimento e é uma economia aberta ao mundo. Mas a competitividade do futuro não se mede pelos ativos que temos – mede-se pela forma como os transformamos em produtividade, inovação, escala e impacto. Precisamos de empresas mais ágeis, instituições mais eficazes e líderes preparados para executar melhor, adaptar-se mais depressa e criar valor de forma sustentável».
O Ranking Mundial de Competitividade do IMD avalia anualmente a capacidade das economias para criarem um ambiente favorável à competitividade das empresas. A edição de 2026 analisa 70 economias e combina dados estatísticos com o Executive Opinion Survey em quatro dimensões: Desempenho Económico, Eficiência Governativa, Eficiência Empresarial e Infraestruturas.
A Porto Business School é a parceira exclusiva do IMD em Portugal para a recolha, análise e divulgação dos resultados nacionais.














