A 17.ª edição anual do Índice Mundial de Pensões (MCGPI) da Mercer, empresa do Grupo Marsh McLennan e do CFA Institute, que avalia os sistemas de pensões de reforma a nível mundial, revela que Portugal ocupa a 25.ª posição (uma descida de três lugares face a 2024), tendo obtido a sétima classificação mais baixa no subíndice ‘Sustentabilidade’, com uma pontuação de apenas 36,4 neste parâmetro.
Ainda assim, com uma pontuação global de 67,6, registou as quinta e nona classificações mais elevadas nos subíndices ‘Adequação’ (83,7) e ‘Integridade’ (85,4), respectivamente. O índice atribui ao sistema de pensões português a nota geral B, o que indica que dispõe de uma estrutura sólida, com diversas características positivas, embora ainda existam algumas áreas a melhorar.
Num contexto de crescente incerteza global, o crescimento e a dimensão dos activos dos fundos de pensões estão a levar cada vez mais os governos a adoptarem medidas. O índice deste ano aborda a questão de como as intervenções governamentais podem ter consequências não previstas e sugere oito princípios sobre como os governos podem equilibrar, da melhor forma, os interesses dos participantes de planos de pensões privados com as prioridades nacionais.
«À medida que as pessoas vivem mais tempo e os mercados de trabalho mudam, os governos enfrentam pressão para adaptar os sistemas de pensões”, comenta Cristina Duarte, principal da Mercer. «No entanto, a reforma das pensões nunca é simples. É essencial avaliar os possíveis resultados e é por isso que as empresas, governos e gestores de pensões devem ter uma palavra a dizer na definição de sistemas de pensões mais resilientes».
Margaret Franklin, CFA, presidente e CEO do CFA Institute, acrescenta: «As regulamentações e as acções governamentais, desde as políticas fiscais até às regras de investimento, plasmam profundamente a forma como os fundos de pensões funcionam. A comunidade profissional de investimentos deve proteger-se contra as consequências não previstas que podem surgir quando mandatos ou restrições distorcem o sistema. Como o índice deixa claro, o objetivo central das pensões deve continuar a ser garantir o rendimento na reforma, guiado, acima de tudo, pelo dever fiduciário. Os sistemas de pensões funcionam melhor quando equilibram a inovação e as prioridades governamentais com a responsabilidade duradoura de servir os interesses dos investidores finais.»
Há muito que os governos dos países em todo o mundo, intervêm na definição da forma como os fundos de pensões privados investem, impondo diretrizes para proteger os reformados ou incentivando o sector das pensões a apoiar objectivos económicos. Países como o Reino Unido, o Canadá, a Austrália e a Malásia têm incentivado recentemente os fundos de pensões a apoiar infraestruturas e inovação a nível interno. Entretanto, noutros países continuam os debates sobre se os fundos de pensões devem ser obrigados a considerar factores ambientais, sociais e de governação, em vez de se concentrarem exclusivamente no desempenho financeiro no que diz respeito às decisões de investimento.
Os países que alcançaram pontuações no índice superiores a 80 receberam a classificação A. Esses países oferecem um sistema de rendimento de reforma robusto, que proporciona bons benefícios, sustentável e com um elevado nível de integridade. Os sistemas de pensões dos Países Baixos, da Islândia, da Dinamarca e de Israel mantêm a classificação A em 2025. Pela primeira vez, Singapura recebe também a classificação A, sendo o único país da Ásia a alcançá-la.
O índice utiliza a média ponderada dos subíndices de Adequação, Sustentabilidade e Integridade. Para cada subíndice, os sistemas com os valores mais elevados foram: o Kuwait para Adequação, a Islândia para Sustentabilidade e a Finlândia para integridade.
Oito sistemas de rendimento de reforma melhoraram a sua classificação no índice este ano, e nenhum sistema sofreu uma descida. Isto demonstra que os rendimentos de reforma estão a melhorar à escala global – um resultado extremamente importante, uma vez que as pessoas vivem mais tempo e as taxas de natalidade continuam a diminuir.
Confira o Índice Global de Pensões 2025 da Mercer CFA Institute:
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Classificação |
Total |
Adequação |
Sustentabilidade |
Integridade |
|
Países Baixos |
A |
85,4 |
86,1 |
83,5 |
86,8 |
|
Islândia |
A |
84,0 |
83,0 |
85,7 |
83,3 |
|
Dinamarca |
A |
82,3 |
82,9 |
85,0 |
77,6 |
|
Singapura |
A |
80,8 |
79,4 |
75,5 |
90,4 |
|
Israel |
A |
80,3 |
75,6 |
83,2 |
83,6 |
|
Suécia |
B+ |
78,2 |
76,8 |
76,3 |
83,0 |
|
Austrália |
B+ |
77,6 |
69,0 |
81,1 |
86,4 |
|
Chile |
B+ |
76,6 |
71,9 |
74,9 |
86,6 |
|
Finlândia |
B+ |
76,6 |
77,4 |
65,6 |
90,6 |
|
Noruega |
B+ |
76,0 |
77,8 |
65,2 |
88,4 |
|
Suíça |
B |
72,4 |
66,3 |
72,9 |
81,6 |
|
Reino Unido |
B |
72,2 |
75,9 |
63,2 |
79,0 |
|
Kuwait |
B |
71,9 |
86,6 |
65,4 |
57,6 |
|
Uruguai |
B |
71,1 |
83,8 |
53,1 |
75,8 |
|
Hong Kong |
B |
70,6 |
66,6 |
62,0 |
89,2 |
|
Canadá |
B |
70,4 |
67,2 |
67,0 |
80,2 |
|
Nova Zelândia |
B |
70,4 |
65,2 |
68,2 |
81,7 |
|
França |
B |
70,3 |
85,2 |
48,6 |
76,8 |
|
México |
B |
69,3 |
73,5 |
64,1 |
69,8 |
|
Bélgica |
B |
69,2 |
81,5 |
42,7 |
86,8 |
|
Croácia |
B |
68,7 |
66,8 |
60,5 |
83,2 |
|
Alemanha |
B |
67,8 |
81,0 |
47,5 |
75,0 |
|
Irlanda |
B |
67,7 |
72,9 |
51,6 |
81,8 |
|
Arábia Saudita |
B |
67,6 |
75,0 |
54,6 |
74,2 |
|
Portugal |
B |
67,6 |
83,7 |
36,4 |
85,4 |
|
Cazaquistão |
B |
65,0 |
47,0 |
74,2 |
81,1 |
|
EAU |
C+ |
64,9 |
79,4 |
40,6 |
75,5 |
|
Espanha |
C+ |
63,8 |
83,0 |
34,2 |
74,4 |
|
Colômbia |
C+ |
62,5 |
64,3 |
55,9 |
69,0 |
|
EUA |
C+ |
61,1 |
64,1 |
59,9 |
58,0 |
|
Omã |
C+ |
60,9 |
68,3 |
44,6 |
71,7 |
|
Malásia |
C+ |
60,6 |
54,0 |
55,9 |
77,5 |
|
Botsuana |
C |
59,8 |
54,3 |
48,0 |
85,0 |
|
Namíbia |
C |
59,1 |
59,5 |
50,8 |
70,4 |
|
Panamá |
C |
59,1 |
62,1 |
52,5 |
63,8 |
|
Polónia |
C |
57,0 |
59,5 |
45,9 |
68,6 |
|
Itália |
C |
57,0 |
69,4 |
27,9 |
77,8 |
|
China |
C |
56,7 |
61,4 |
40,1 |
72,3 |
|
Japão |
C |
56,3 |
57,1 |
48,0 |
66,8 |
|
Brasil |
C |
56,2 |
70,6 |
31,8 |
67,3 |
|
Peru |
C |
55,3 |
55,4 |
48,5 |
64,8 |
|
Áustria |
C |
54,5 |
67,5 |
24,0 |
76,4 |
|
Coreia |
C |
53,9 |
40,1 |
53,3 |
76,8 |
|
Vietname |
C |
53,7 |
57,1 |
38,7 |
69,3 |
|
Taiwan |
C |
51,8 |
41,0 |
52,3 |
68,5 |
|
África do Sul |
C |
51,0 |
38,0 |
48,2 |
75,7 |
|
Indonésia |
C |
51,0 |
40,1 |
50,3 |
69,3 |
|
Tailândia |
C |
50,6 |
47,9 |
44,8 |
63,1 |
|
Turquia |
D |
48,2 |
49,0 |
31,1 |
71,1 |
|
Filipinas |
D |
47,1 |
40,6 |
64,4 |
33,2 |
|
Argentina |
D |
45,9 |
60,8 |
31,3 |
42,4 |
|
Índia |
D |
43,8 |
34,7 |
43,8 |
58,4 |














