SNS: Escassez de profissionais ou má gestão de Recursos Humanos?

Opinião de José Pedro Fernandes, vice-presidente da SISQUAL® WFM

Human Resources
31 de Julho 2026 | 10:30
SNS: Escassez de profissionais ou má gestão de Recursos Humanos?

Por José Pedro Fernandes, vice-presidente da SISQUAL® WFM

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

 

Temos quase 20 milhões de horas extraordinárias realizados pelas Unidades Locais de Saúde em 2025 que, além de um claro indicador da pressão que o Serviço Nacional de Saúde enfrenta, são também um sinal de que o modelo de gestão da força de trabalho precisa de evoluir. A falta de profissionais é uma realidade incontornável, mas a questão que importa colocar é outra: estaremos a utilizar da melhor forma aqueles que já temos?

Durante anos, a resposta às necessidades crescentes dos serviços passou por pedir mais aos mesmos profissionais. Mais horas, mais turnos, mais disponibilidade. É uma solução que resolve o problema imediato, mas que cria outro a médio e longo prazo: equipas exaustas, maior risco de erro, aumento do absentismo, menor motivação e dificuldades acrescidas na retenção de talento num sector onde a qualidade dos cuidados depende directamente das pessoas.

Continue a ler após a publicidade

A transformação digital tem vindo a mudar praticamente todos os sectores de actividade, mas na gestão das equipas de saúde ainda existe um enorme potencial por explorar. As soluções de Workforce Management (WFM) representam precisamente essa oportunidade. Muito mais do que ferramentas para elaborar horários, estas plataformas permitem planear necessidades, prever picos de actividade, optimizar escalas, assegurar o cumprimento da legislação laboral, equilibrar cargas de trabalho e responder rapidamente a alterações de última hora.

Esta capacidade torna-se particularmente importante num contexto tão dinâmico como o da saúde, onde uma ausência inesperada, um aumento da procura ou uma alteração de equipa podem comprometer o funcionamento de um serviço inteiro.

Entre as funcionalidades que melhor ilustram esta abordagem destacam-se os modelos de flexibilidade como os ‘Turnos em Aberto’ (Opens Shifts) que permitem responder a necessidades de cobertura de forma a não comprometer a qualidade do serviço. Em vez de um gestor passar horas ao telefone à procura de quem possa substituir um colega ou preencher um turno em aberto, a plataforma disponibiliza automaticamente esse turno aos profissionais disponíveis. Cada colaborador pode consultar as oportunidades através de uma aplicação e candidatar-se de forma voluntária, sendo a atribuição feita com base em regras previamente definidas, como competências, qualificações, disponibilidade, limites legais e critérios de equidade. À primeira vista pode parecer apenas uma funcionalidade tecnológica, mas é, na realidade, uma mudança de paradigma. Os profissionais ganham maior autonomia sobre a sua disponibilidade e conseguem conciliar melhor a vida pessoal com a profissional, enquanto os gestores reduzem significativamente o tempo dedicado à gestão operacional das escalas e conseguem responder mais rapidamente às necessidades do serviço.

Mas importa sublinhar que nenhuma plataforma resolve, por si só, a escassez de médicos, enfermeiros ou técnicos de saúde. Pode, no entanto, ajudar a garantir que os recursos existentes são utilizados da forma mais inteligente possível. E isso, num contexto de enorme pressão como o do SNS, faz toda a diferença.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar


Mais Notícias