Na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2026 verificou-se um aumento de 13,9% no número de colocados face a 2025, quase 50 mil alunos, o número mais elevado das últimas décadas. Contudo, os alunos mais carenciados representam apenas cerca de 3% do total – 1625 colocados. Apesar do ligeiro aumento face aos 1548 registados em 2025, representa um número manifestamente baixo.
Para ajudar a combater esta problemática, a Stand4Good, instituição criada em 2020, prossegue com a sua missão de apoiar alunos nesta situação não só através da atribuição de bolsas universitárias, como também do acompanhamento personalizado a vários estudantes de diferentes zonas do país, que se encontrem a estudar na Universidade do Porto ou no Instituto Politécnico do Porto. A instituição vai apoiar 70 estudantes universitários em situação de carência económica em 2026/27.
O elevado custo do alojamento e a falta de apoios são fatores que contribuem para um afastamento cada vez maior dos jovens do ensino superior, levando-os a uma entrada precoce – e mais precária – no mercado de trabalho.
O desafio é cada vez mais evidente: em 2025/26, o número de pedidos de bolsas de acção social no ensino superior atingiu um recorde histórico de 107.754 candidaturas. No entanto, milhares de estudantes continuam a ser excluídos por critérios administrativos apertados. No ano lectivo 2025/26, só a Universidade do Porto recebeu 8188 pedidos de atribuição de bolsa, sendo que 894 estudantes viram o seu pedido rejeitado por excesso de capitação. Destes, 133 perderam a bolsa por menos de 500 euros/ano, tendo em conta o limiar máximo definido pela DGES para esse ano (12.017,50 euros). O caso mais evidente acompanhado pela Stand4Good é o de uma estudante que viu o seu pedido de bolsa recusado por uma diferença de apenas 0,03 euros per capita/ano.
O abandono escolar está também presente em muitos estudantes beneficiários da Bolsa da DGES, particularmente nos abrangidos pela bolsa mínima: 872 euros, no caso de uma licenciatura ou mestrado integrado, sendo que 697 euros são directamente canalizados para a propina, ficando os estudantes com menos de 18 euros por mês, o que é manifestamente insuficiente para fazer face à totalidade das despesas académicas, particularmente no caso dos estudantes deslocados, mesmo com os apoios adicionais que existem.
«É urgente dar resposta a estes jovens que, apesar do mérito académico e enorme motivação para continuar a estudar, não conseguem fazer face aos elevados custos de acesso ao ensino superior, vendo-se grande parte das vezes obrigados a desistir. Para que a educação possa efectivamente cumprir o seu papel de elevador social, é fundamental que, enquanto sociedade, nos mobilizemos para garantir que todos os jovens têm acesso às mesmas oportunidades educativas, independentemente do meio onde nasceram ou da situação económica em que vivem», afirma Mafalda Teixeira Bastos, co-fundadora & coordenadora geral da Stand4Good.
Desde a sua criação em 2020, a Stand4Good já apoiou um total de 117 estudantes em situação de carência económica, tendo atribuído mais de 225 bolsas universitárias ao longo dos últimos seis anos, sejam bolsas totais para pagamento da propina e apoio em despesas educativas (no caso dos estudantes que ficam excluídos das Bolsas de Ação Social da DGES), ou bolsas parciais para apoio em despesas educativas (no caso dos estudantes beneficiários da Bolsa Mínima da DGES). No total, a Associação já investiu mais de 140 mil euros em bolsas, contando para isso com o apoio de vários parceiros.
Para além do acompanhamento académico e psicossocial a cada estudante, o modelo da Stand4Good contempla ainda um Programa de Desenvolvimento de Competências, um Programa de Mentoria em parceria com mais de 30 empresas, um Programa de Empregabilidade, um Programa de Conversas Inspiracionais com líderes de referência e um Programa de Voluntariado, acompanhando os jovens não só durante todo o percurso universitário, mas também no primeiro ano após a conclusão do ensino superior, com vista à integração no mercado de trabalho. Desde a sua constituição, a Stand4Good já viu 29 jovens integrar o mercado de trabalho nas respectivas áreas de formação, tendo uma taxa de 98% de empregabilidade entre os recém-graduados apoiados.
Com uma parceria estabelecida com a Universidade do Porto desde o arranque do projecto e, desde 2025, com o Instituto Politécnico do Porto, os estudantes apoiados distribuem-se por 22 faculdades, em 16 áreas de estudo, que vão desde engenharias e ciências da saúde até ciências sociais, artes e humanidades. Em 2025/26, 66 jovens de várias zonas do país foram apoiados, 24 deles deslocados, 17 que viajam mais de três horas por dia para estudar e os restantes 25 residentes no Porto e arredores.
















