A TAP está a oferecer, aos tripulantes que trabalhem em férias e folgas, um pagamento adicional de 10% da retribuição base, de acordo com uma mensagem interna enviada pela Comissão Executiva da companhia, a que a Lusa teve acesso.
«Tal como acontece com a maioria das companhias aéreas e aeroportos europeus, a operação da TAP está sob enorme pressão, devido a várias razões», indicou, na missiva enviada a pilotos e tripulantes de cabine, apontando «atrasos no handling e no ATC», ou seja, na prestação de serviços em terra e no controlo aéreo, bem como a «falta de pessoal nos serviços de terra», uma «elevada utilização de aeronaves e utilização diária dos aviões de reserva (para captar a recuperação na procura e proteger os slots)» e um «pico de absentismo».
A gestão da TAP indicou que «mesmo que o planeamento da operação de verão tenha sido feito considerando já todos estes factores», verifica-se «em algumas categorias que o atraso médio é duas a três vezes superior ao observado em 2019, o que afeta a estabilidade dos planeamentos».
Assim, segundo a Comissão Executiva, «para mitigar as irregularidades e os seus efeitos, sobretudo em dias de pico, e mesmo que a necessidade não seja a mesma em todas as posições, foi decidida a atribuição de um pagamento adicional a todos os tripulantes quando, excepcionalmente, alguém aceite voluntariamente trabalhar em dias de folga ou de férias».
Segundo a gestão, «a necessidade prevê-se reduzida, ainda assim, deverá ter em conta a devida distribuição/equitatividade».
Assim, «esse pagamento, de natureza extraordinária e temporária, vigorará, com efeitos imediatos e até ao final do verão IATA e corresponderá a 10% da retribuição base actual (incluindo, portanto, as reduções dos ATE [acordos de emergência] e não se considerando na base de cálculo quaisquer outras rubricas, nomeadamente anuidades e senioridades) por cada dia de trabalho em dia de folga ou de férias em que o tripulante aceite trabalhar».
A TAP informa ainda que «o valor dos 10% não estará sujeito às reduções dos ATE».
«Este é um verão importante para a TAP e para o seu caminho de recuperação e para os nossos clientes e estamos conscientes de de que o esforço extraordinário de cada um deve ser recompensado na medida das possibilidades actuais da TAP», lê-se, na mensagem.
Num comunicado enviado aos associados, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) disse que «hoje, a administração da TAP perante o número avassalador de cancelamento de voos, reconhece o óbvio: não existem pilotos a mais», criticando que a companhia não devolva «o corte suplementar que se destinava a compensar o excedente de pilotos» e ainda aplique «um protocolo de pagamento de voos em folga e férias que irá repetir os salários que levaram o senhor ministro a mostrar toda a sua indignação», referindo-se à divulgação de remunerações pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos.
De acordo com o SPAC, «a solução que a administração da companhia apresenta é desastrosa. Consegue conceber que exista um piloto escolhido pela gestão a realizar horas extra e auferir um salário superior aos vencimentos pré-pandemia, enquanto isso, outro é deixado no esquecimento com um corte salarial de 35%», indicou, salientando que «além de imoral, é o desnecessário delapidar do dinheiro dos contribuintes portugueses».
«Há que dizer basta à banalização da nossa profissão e fazer com que os accountable managers [gestores responsáveis], sejam os verdadeiros responsáveis pelas decisões que tomam. A culpa não pode mais morrer solteira, ou que seja imputada os trabalhadores a causa das decisões tomadas acima na estrutura», disse o SPAC.
«Os pilotos não entendem, nem nunca entenderão, como é possível estarem pilotos há meses em casa, sem que a empresa cumpra as ordens do tribunal, a receberem para não trabalhar, e agora a empresa tente aliciar a mesma categoria profissional com migalhas, e engodos, dada a manutenção dos cortes salariais que os torna mais vulneráveis e, portanto, mais suscetíveis de necessitarem deste mecanismo imoral, para comporem as suas economias», criticou o SPAC.














