Taxa variável volta ao centro do risco no crédito habitação. Saiba porquê

A nova pressão inflacionista provocada pela crise no Médio Oriente voltou a colocar o crédito habitação sob vigilância, sobretudo no caso dos contratos com taxa variável. O Banco Central Europeu manteve as taxas de juro inalteradas na reunião de 19 de Março, mas avisou que uma disrupção prolongada no fornecimento de petróleo e gás tenderia a elevar a inflação e a travar o crescimento.

Human Resources com ComparaJá.pt
5 de Abril 2026 | 12:00

Ao mesmo tempo, a Goldman Sachs passou a prever duas subidas de juros do BCE, em Abril e Junho, juntando-se à JP Morgan e ao Barclays num cenário de política monetária mais restritiva. O ComparaJá reuniu informação sobre o tema.

É nesse ponto que entra o impacto directo sobre as famílias. Em Portugal, nos contratos de taxa variável, a taxa de juro resulta da soma entre o indexante, normalmente a Euribor a três, seis ou 12 meses, e o spread definido pelo banco. Isso significa que a prestação é revista sempre que chega a data de actualização prevista no contrato. Nos empréstimos a taxa fixa, a prestação mantém-se estável; nos contratos de taxa mista, há um período inicial fixo seguido de uma fase variável.

Para já, os números ainda mostram algum alívio. As últimas médias mensais publicadas pelo Banco de Portugal apontam para uma Euribor de 2,0113% a três meses, 2,1435% a seis meses e 2,2207% a 12 meses. O INE indica também que a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação desceu de 3,111% em Janeiro para 3,079% em fevereiro de 2026, enquanto a prestação média vencida recuou para 397 euros. Mas esse alívio pode ser interrompido se o atual choque energético se transformar numa nova vaga de subida de juros na zona euro.

Portugal continua particularmente sensível a este tema porque uma parte relevante do stock de crédito habitação permanece exposta à variação das taxas. Ao mesmo tempo, a composição dos novos empréstimos mudou: segundo a OCDE, embora muitos créditos ainda sejam de taxa variável, os novos contratos celebrados em 2024 foram dominados por soluções de taxa mista, que representaram 82% das novas hipotecas e tiveram, em média, um período inicial de taxa fixa de 3,4 anos. Isso reduz o risco imediato para quem contratou crédito mais recentemente, mas deixa mais vulneráveis os agregados com contratos antigos ou já em fase de revisão.

Na prática, mesmo uma subida moderada pode ter efeitos visíveis no orçamento familiar. Num exemplo meramente ilustrativo, um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos teria uma prestação de cerca de 673,57 euros com uma taxa de 3,5%. Se a taxa subisse para 4,0%, a prestação passaria para cerca de 716,12 euros, o que representa mais 42,56 euros por mês.

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Perante este cenário, a principal linha de defesa para os mutuários passa por rever o contrato antes da próxima atualização da Euribor. O Banco de Portugal lembra que, na comercialização de crédito para habitação própria permanente, a FINE deve incluir simulações para taxa fixa, mista e variável, o que permite comparar alternativas com maior detalhe.

Também recomenda olhar para o custo total do empréstimo, nomeadamente a TAEG, e não apenas para o spread, um exercício que pode ser feito, por exemplo, no simulador de crédito habitação do ComparaJá, onde é possível comparar propostas e diferentes cenários de financiamento. Em caso de amortização antecipada, a comissão máxima legal continua a ser de 0,5% do capital reembolsado nos contratos a taxa variável e de 2% nos contratos a taxa fixa.

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