Tecnologia com pessoas no centro: o que distingue as melhores empresas para trabalhar no sector das TI

Num sector como o das Tecnologias da Informação (TI) onde a inovação e o talento são decisivos, as melhores empresas mostram que desempenho e bem-estar podem caminhar lado a lado. O Great Place to Work apresentou os resultados do estudo “Best Workplaces IT”.

Human Resources
8 de Julho 2026 | 11:50

Por Great Place to Work

 

Num contexto marcado pela rápida evolução tecnológica, exponenciado pela introdução e desenvolvimento da IA, pela crescente competitividade na atracção e retenção de talento e pela transformação contínua das formas de trabalhar, as organizações do sector das Tecnologias de Informação enfrentam o desafio de conciliar o elevado desempenho, com uma experiência de trabalho verdadeiramente positiva para os seus colaboradores. Os resultados da edição de 2026 dos Best WorkplacesTM de Tecnologias de Informação demonstram que as organizações distinguidas têm conseguido responder a este desafio de forma consistente, consolidando culturas organizacionais assentes em relações de confiança, no bem-estar, na inovação e no desenvolvimento das suas pessoas.

Esta edição fica, igualmente, marcada pelo ligeiro aumento do índice de confiança (Trust Index), que atingiu os 91%, (+1pp que na edição anterior), reforçando a consistência e a maturidade das práticas de gestão de pessoas das organizações reconhecidas.

O ambiente de trabalho dos Best WorkplacesTM TI caracteriza-se pelas boas relações interpessoais (não só entre colegas, mas também entre colaboradores e líderes), promovidas desde a entrada na empresa, cooperação e espírito de equipa, apresentando a dimensão “Camaradagem” o resultado médio global mais elevado (94%). A liderança destaca-se pela honestidade, proximidade e pela confiança que deposita nas suas equipas, com a dimensão “Credibilidade” a observar um resultado médio de 91%. Valor igual ao registado na dimensão “Respeito”, impulsionado pela percepção bastante positiva da política de flexibilidade de horário e das condições de trabalho, quer ao nível das instalações, quer ao nível das ferramentas e recursos disponíveis para os colaboradores serem bem-sucedidos nas suas tarefas. A dimensão “Orgulho” (90%) reflecte um forte sentimento de identificação e satisfação em pertencer à organização. Por último, a dimensão “Imparcialidade”, que apesar de apresentar o resultado mais baixo (89%), encontra-se num patamar bastante positivo, mostrando que os colaboradores reconhecem a prevalência de práticas justas e equitativas.

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Efectuando, agora, uma análise mais detalhada por área de foco, torna-se evidente a percepção muito positiva por parte da generalidade dos colaboradores. O senso de justiça (97%), comunidade (95%) e hospitalidade (94%) são as áreas mais valorizadas pelos colaboradores, reflectindo uma cultura organizacional marcada pela inclusão e espírito de equipa ou de família e por um ambiente acolhedor e agradável.

Em sentido contrário, equidade (81%), colaboração (86%), igualdade (87%) e trabalho individual (87%) configuram-se como os principais desafios. Neste contexto, os Best Workplaces TI devem fortalecer as suas políticas e práticas para assegurar, cada vez mais, um tratamento equitativo na atribuição de recompensas e no acesso a oportunidades de reconhecimento, promovendo a adopção de critérios rigorosos e transparentes na atribuição de cargos e tarefas. Paralelamente, o envolvimento dos colaboradores na vida quotidiana da empresa revela-se cada vez mais necessário, não só para responder às expectativas crescentes, mas também como factor determinante para a valorização do contributo individual e para o reforço do desempenho e sucesso organizacional.

 

 

Inovação e Agilidade num Setor em Constante Mudança

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Num sector caracterizado pela rápida transformação, as organizações não podem incorrer em constrangimentos decorrentes de supervisão excessiva ou de estruturas de decisão pouco claras, sob pena de comprometerem a sua capacidade de resposta e de perderem competitividade. Deste modo, os Best Workplaces TI têm vindo a promover culturas organizacionais que capacitam os colaboradores para actuar com autonomia e asseguram o alinhamento entre objectivos e expectativas claramente definidos. Esta conjugação entre autonomia e clareza estratégica permite às organizações acelerar a tomada de decisão, reforçar a eficácia da colaboração e adaptar-se com maior eficácia às necessidades do negócio.

Os colaboradores dos Best Workplaces TI reconhecem este trabalho, ao reportarem experiências significativamente mais positivas ao nível da transparência, participação e capacidade de adaptação, que o mercado, efetivamente:

  • 87% dos colaboradores afirma que a liderança os mantém informados sobre os assuntos/alterações mais relevantes (+20 p.p. face à média nacional);
  • 88% referem que a liderança procura e responde às sugestões e ideias dos colaboradores (+26 p.p. face à média nacional);
  • 92% sentem que as pessoas adaptam-se facilmente às mudanças (+30 p.p. face à média nacional).

Estas organizações promovem, assim, culturas onde a inovação pode prosperar, na medida em que a liderança encara os erros involuntários como parte do negócio (91%) e reconhece as pessoas que tentam fazer as coisas de forma diferente, independente do resultado (90%).

Este ambiente, em que ideias e sugestões podem surgir de todos os lados, reflecte-se num IVR (Innovation Velocity Ratio), um indicador que mede a velocidade e a agilidade organizacional, médio de 9. Os Best Workplaces TI situam-se, assim, no estágio funcional, o que significa que já inovam de forma consistente, embora, ainda, não à velocidade que poderiam atingir. A maioria dos colaboradores encontra espaço para fazer melhor e de forma diferente, ainda que exista um grupo que não vivencia plenamente este ambiente propício à inovação. Em contraste, as empresas do mercado nacional encontram-se no estágio de atrito. Neste nível, a maioria dos colaboradores não dispõe de um ambiente favorável à inovação, pelo que as iniciativas tendem a ser bloqueadas ou desencorajadas devido à falta de confiança e empowerment, bem como a processos burocráticos, múltiplos níveis de aprovação e estruturas lentas de decisão.

 

Retenção, Bem-Estar e Desempenho Sustentável

Os Best Workplaces TI não encaram o bem-estar como uma iniciativa secundária, integram-no de forma estruturada na experiência dos colaboradores, o que explica que 92% sintam que o seu local de trabalho é psicológica e emocionalmente saudável, em contraste com os 66% da média nacional. Este ambiente saudável é fortalecido pela promoção da conciliação entre vida pessoal e profissional, em que 93% dos colaboradores sentem que são incentivados a conciliar as esferas profissional e pessoal, face a 67% na média nacional, e 97% indicam dispor de flexibilidade na gestão do horário de trabalho, sempre que necessário.

Esta qualidade do ambiente de trabalho reflecte-se nos níveis de retenção, com 88% dos colaboradores a manifestarem intenção de permanecer na empresa a longo prazo (comparativamente com os 62% da média nacional). Acresce, ainda, que a taxa de rotatividade nos Best Workplaces TI é quase três vezes inferior à da média do mercado, demonstrando que elevados níveis de desempenho podem ser alcançados sem comprometer o bem-estar dos colaboradores.

A aposta na autonomia, na transparência, na inovação e no equilíbrio entre a vida profissional e pessoal traduz-se em elevados níveis de confiança, compromisso e retenção de talento, o que reforça a competitividade dos Best Workplaces TI num sector particularmente dinâmico. Embora subsistam oportunidades de melhoria, os resultados evidenciam que os Best Workplaces TI constituem uma referência na forma como valorizam as pessoas, demonstrando que é possível alcançar elevados níveis de desempenho sustentável sem comprometer a qualidade da experiência dos colaboradores.

Nota: na edição de Julho da Human Resources Portugal pode ficar a conhecer os casos práticios de algumas das empresas distinguidas entre os “Melhores Lugares para Trabalhar em TI”, em Portugal.

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