Teletrabalho deixou de ser obrigatório mas continua a ser a regra

Margarida Lopes
22 de Setembro 2020 | 10:00
Teletrabalho deixou de ser obrigatório mas continua a ser a regra

Gradualmente, as empresas vão retomando o trabalho presencial, mas com novas regras. Maioritariamente, o regresso ao escritório tem sido faseado e rotativo, com controlo de temperatura e testes serológicos em alguns casos. Além do cumprimento das regras impostas pela Direcção-Geral da Saúde e restantes autoridades. O Dinheiro Vivo deu a conhecer os casos da Siemens, Sonae, EDP, Altice e CGD.

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De acordo com a publicação, o trabalho à distância, até duas vezes por semana, era já uma realidade para cerca de 500 pessoas, antes da pandemia, na Siemens. Com a COVID-19 foi alargada a 90% da equipa, num total de 2866 colaboradores. Destes 250 são novas contratações desde o início da pandemia, e há 80 vagas em aberto. Com o fim do confinamento, ocorreu o regresso faseado aos escritórios, mas, mesmo assim, só 10% estiveram, em média, nas instalações. Cerca de 80% mantêm-se em teletrabalho.

O grupo implementou «fortes restrições» em relação a viagens de avião ou de transportes partilhados, proibiu reuniões com mais de cinco pessoas e por mais de uma hora, e desenvolveu ferramentas digitais para “agilizar o regresso ao escritório”, cuja lotação está limitada a 25% da sua capacidade. Back to the office é uma ferramenta através da qual o funcionário tem de registar a automonitorização de sintomas da covid-19, fazer o pedido de autorização médica obrigatório para o regresso ao escritório, bem como a reserva do seu posto de trabalho e da refeição, na cantina, de modo a “evitar filas e aglomerações desnecessárias”. Além disso, e em complemento, proporciona a todos os colaboradores a possibilidade de, voluntariamente, realizarem um teste serológico, “com o objetivo de conhecer os níveis de imunidade da organização.

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Já a EDP, que chegou a ter 72% dos seus 11.600 trabalhadores em todo o mundo (79% dos nacionais), em regime de teletrabalho, iniciou, em Junho, o plano global de regresso às instalações, com um «regime de trabalho presencial parcial, rotativo, flexível e não obrigatório», que se mantém. E está já a desenvolver o modelo que irá implementar em Outubro, que deverá incorporar um carácter de rotatividade, mas continuando a flexibilidade e a possibilidade de trabalhar em modelo híbrido, com dias a partir de casa. Uma forma de dar resposta a um inquérito que realizou e que recebeu cerca de seis mil respostas, com a maioria a mostrar preferência por um modelo de trabalho mais flexível.

Actualmente, 48% dos colaboradores da EDP em Portugal trabalham à distância e 17% num regime híbrido. Os restantes 33% correspondem a trabalho industrial e de campo. Controlo de temperatura e redefinição de acessos e circuitos nos edifícios foram algumas das medidas tomadas, sendo que o grupo – que este ano já contratou mais de 600 pessoas nas várias geografias em que está presente, número que espera aumentar para mil até ao final do ano -, disponibiliza, ainda, planos para testes de detecção e imunidade à COVID-19 para todos os trabalhadores que regressam ao escritório e aos que permaneceram em trabalho presencial.

Segundo o Dinheiro Vivo, a CGD chegou a ter 4000 dos seus mais de 6700 trabalhadores em teletrabalho, conseguindo, «pela primeira vez na banca portuguesa», colocar todo o contact center a operar remotamente. A rede comercial manteve-se a operar presencialmente. O regresso aos escritórios ocorreu a partir de 1 de Junho, de forma faseada, com a «reconfiguração necessária nos layouts do espaço de trabalho, o uso de acrílicos quando necessário, e o recurso quase exclusivo a reuniões internas e externas por videoconferência», entre outras medidas. Mesmo assim, mantêm-se há ainda 40 a 50% dos trabalhadores nos serviços centrais que alternam entre teletrabalho e o presencial.

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«Independentemente da área de trabalho, tem sido sempre assegurado o trabalho à distância para colaboradores enquadrados nos grupos de risco e outras excepções», refere fonte da Caixa. Sobre o desfasamento de horários, o banco público diz que «está a trabalhar no assunto», de modo a ajustar a operação às novas normas.

Na Sonae, o trabalho remoto «é uma realidade que já estava implementada» antes da pandemia, em algumas das participadas, o que permitiu ao grupo «reagir de forma mais rápida»ª. Com a COVID-19, chegou a ter mais de seis mil a trabalhar remotamente. No entanto, o grupo, que dá emprego a cerca de 50 mil pessoas, lembra que «a maioria das actividades» desenvolvidas no grupo «são consideradas pelo Governo como fundamentais para a sociedade», pelo que o seu funcionamento necessita de ser assegurado mesmo em situação de pandemia.

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Com o «retorno faseado» aos escritórios, que tem vindo a ser implementado com o fim do estado de emergência, cada negócio adoptou o modelo que «melhor se enquadra» na sua realidade e das suas equipas. Ou seja, há área do grupo em que o regime de alternância é semanal e outras em que é quinzenal. Mas há ainda aqueles que trabalham três dias em casa e dois no escritório, de forma rotativa. Cada negócio tem as suas especificidades, lembra fonte oficial do grupo liderado por Cláudia Azevedo.

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Controlo de temperatura, reforço dos processos de limpeza dos espaços e regras e sinalética específicas nos mesmos foram algumas das medidas implementadas. A par da realização de testes «sempre que se justifique».

Com o fim do estado de emergência, a Altice planeou o regresso faseado dos trabalhadores aos escritórios, com 7%, 25% e 30% dos colaboradores a partir de 15 de Junho, em regime de rotatividade. Dado o aumento do número de casos de COVID-19 em Portugal, a empresa «optou por manter, para já, a taxa de 30% de ocupação por edifício, com um regime de rotatividade e cumprindo o distanciamento de dois metros entre cada posição». O teletrabalho mantém-se para grávidas ou trabalhadores que se enquadram em grupos de risco. Em Setembro, implementou um regime de «flexibilidade horária» que cada colaborador poderá adaptar, «em articulação com a sua chefia», de forma a evitar as horas de ponta.

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