Teletrabalho e alimentação: fazer do frigorífico um aliado dos colaboradores

A saúde de uma empresa começa com a saúde dos colaboradores. Este é um facto que ganha força se pensarmos que, em média, passamos um terço dos nossos dias dedicados à vida laboral. As empresas têm, por isso, um papel de relevo na promoção do bem-estar de cada funcionário.

Por Manuela Abreu, directora do Departamento de Nutrição da Nutrium

 

A necessidade de se privilegiar a saúde dos colaboradores por via da alimentação, muito particularmente, explica-se, cada vez mais, por um motivo: o teletrabalho. E nas entrelinhas desta expressão – “trabalho remoto” – deve ler-se, em bom rigor, “proximidade ao frigorífico”, ou “à despensa”. O trabalho a partir de casa significa um acesso facilitado a uma variedade de alimentos – nem sempre os mais saudáveis.

Vale a pena recordar que o período de contenção social que a COVID-19 impôs significou, para muitos colaboradores, a adopção de hábitos alimentares mais prejudiciais. Consumo acrescido de snacks salgados e/ou doces, recurso a refeições pré-preparadas e, paralelamente, menor ingestão de frutas e hortícolas são alguns dos comportamentos a frisar. E, sublinhe-se, este obstáculo – comer mais e pior – continua a adensar-se, dada a consolidação deste benefício que é trabalhar no conforto do nosso lar; um benefício crescentemente exigido pelos nossos trabalhadores.

Se juntarmos a alimentação mais pobre ao sedentarismo e ao perfil metabólico de diversos trabalhadores – com hipertensão arterial, obesidade, ou diabetes, por exemplo -, o problema revela-se mais sério.

Como tornar, então, o frigorífico e a despensa em aliados? Há boas práticas que os trabalhadores podem seguir:

  • Planear as refeições: permite poupar tempo na confecção dos alimentos e ajuda a organizar as idas ao supermercado, evitando a compra de refeições pré-cozinhadas e de produtos processados (menos saudáveis);
  • Evitar distracções (com o telemóvel ou com a televisão) durante as refeições para se comer tranquilamente e garantir maior saciedade;
  • Manter a hidratação: é importante ter uma garrafa de água sempre por perto, sendo que os chás e a água aromatizada com fruta ou ervas aromáticas também são boas opções;
  • Ensinar os mais novos: a confecção (planeada, já se sabe) de uma refeição saudável pode ser um bom momento para unir a família e para ensinar as crianças sobre a importância de se comer saudavelmente.

 

Do lado das empresas, a resposta está na oferta de programas de nutrição online. Para fomentar igualmente a inclusão, este é um benefício que as empresas deverão privilegiar, independentemente da região onde cada colaborador se encontra e do regime de trabalho que desempenha – seja 100% remoto, seja híbrido.

As consultas de nutrição virtuais representam um método óbvio para levar saúde aos trabalhadores. Além da atribuição de um plano alimentar personalizado e ajustável, um colaborador pode beneficiar, com a frequência devida, de dicas práticas e de conselhos úteis sobre as melhores opções de alimentos disponíveis, ou de métodos de confecção mais saudáveis. A literacia nutricional é outra vantagem, com o profissional a transmitir noções sobre leitura de rótulos ou das propriedades de cada alimento.

O conforto é, como se percebe, um pilar deste “perk”. Para os trabalhadores, é fácil encerrar um dia de trabalho e entrar numa consulta através de alguns cliques. Não havendo necessidades de deslocação, a adesão aos tratamentos é algo tido como certo. Poupam-se custos, quer para os colaboradores, quer para as empresas, e garante-se o mais importante: saúde, bem-estar e felicidade no trabalho.

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