Todas as semanas, entra no mesmo ciclo. É preciso recolher estatísticas, analisar dados, preencher relatórios. Uma semana passa. Nada acontece. Não perdeu uma meta. Perdeu uma fase. Não é porque tem um problema de disciplina, motivação ou procrastinação. Tem um problema de fluxo, e nunca o ensinaram a resolvê-lo.
Como profissional, os seus objectivos passam por contribuir para o negócio e executar com um elevado nível de qualidade.
O estado mais produtivo que um ser humano pode experimentar é o fluxo, aquele estado de consciência ideal em que se sente e desempenha da melhor forma, onde se está totalmente imerso numa tarefa e o tempo parece distorcer-se.
No entanto, as pessoas raramente atingem este estado porque não estão conscientes do ciclo do fluxo e da fase inicial em que a maioria fica presa (e como superá-la).
No seu livro “Flow: The Psychology of Optimal Experience”, Mihaly Csikszentmihalyi explica que o verdadeiro fluxo começa quando a tarefa desafiante corresponde ao seu elevado nível de competências.
Mas quando se trata de actividades de desenvolvimento de negócios, o desafio está lá, mas a sua confiança desaparece. Essa é a razão pela qual não consegue atingir o fluxo.
As pessoas que não sabem que o fluxo é um ciclo, e não um acontecimento isolado, nunca o alcançam. E a maioria dos empresários nunca passa da primeira fase.
O primeiro estágio é chamado de luta, e a sensação é exactamente essa
O fluxo começa com a luta. Começa com aquela sensação de enjoo quando é preciso sentar-se em frente aos números, e surge uma vontade repentina de pegar no telefone ou comer alguma coisa. Fará qualquer coisa que alivie o desconforto de fazer algo que não lhe apetece agora.
A sensação e o desconforto são a confirmação de que iniciou o ciclo, e não um sinal de stop para desistir e partir para outra coisa. Para o desenvolvimento do negócio, a forma como se sente é completamente irrelevante.
Os neurotransmissores confirmam: durante a fase de luta, os neurotransmissores do stress são libertados, o cortisol aumenta e a serotonina diminui. Esta é apenas uma reacção bioquímica comum, não um sinal para parar. Assim, da próxima vez que se sentir mal, a resposta correcta é: Óptimo. É exactamente assim que esta fase deve ser sentida.
O reset de que ninguém fala
Pode atravessar a fase de luta e abraçar o fluxo. Não há atalho para a atravessar, mas há um atalho para o fluxo: não atender o telefone. Não coma um donut. Não faça mais nada para além desta actividade durante 23 minutos.
Já o fez centenas de vezes sem se aperceber que o relógio reiniciava de cada vez. E continua a dizer a si mesmo que simplesmente não nasceu para aquilo — mentira.
Há algo que nunca considerou: nunca gostou de determinadas actividades porque nunca se dispôs a enfrentar o desconforto da fase de esforço durante 23 minutos sem distracções.
A regra dos 23 minutos
O crescimento do negócio não acontece em 100 metros. Começa ao quilómetro 16 de uma maratona de 42 quilómetros.
Se não estiver com vontade de fazer alguma coisa, deixe passar os 23 minutos para entrar no ritmo. Tudo se encaixará a partir daí. Isto aplica-se a tudo, desde conversas difíceis a análises de números e discussões sobre desempenho.
Na prática, aplique o método dos blocos de tempo. Agende o seu dia em blocos de 30 minutos para cada actividade. A cada 23 minutos de prática, algo muda. E, segundo Andrew Huberman, isto é importante porque o cérebro liberta um sinal de recompensa, diferente de qualquer outro, após um esforço sustentado no meio do desconforto.
Não deixe que as suas emoções o controlem. Ignore-as. É isso que o impede de entrar no fluxo. As pessoas sem sucesso são movidas pelas suas emoções; a regra dos 23 minutos é o primeiro passo para deixar de ser uma delas.














