Tendências para a Gestão de Pessoas em 2026: Mercer realça o papel-chave da equidade e transparência

Tânia Reis
29 de Dezembro 2025 | 11:00

Joana Fernandes, Career leader, e Marta Dias, Rewards leader da Mercer Portugal, identificaram três tendências que vão marcar o mundo do trabalho e da Gestão de Pessoas em 2026.

 

Nos últimos anos, a relação das pessoas com o trabalho tem evoluído significativamente. Há uma procura crescente por equidade, transparência, abertura e expectativa de contribuição. As pessoas valorizam cada vez mais a confiança e desejam estar próximas dos processos de tomada de decisão. Este é o vector que deve guiar as organizações: colocar as pessoas no centro, mantendo-as envolvidas e ouvidas. Outras prioridades poderão marcar 2026, no entanto, destacamos três que nos parecem determinantes:


A equidade e transparência enquanto pilares na gestão da compensação

Em Portugal, desde 2018 que existe uma lei sobre igualdade salarial entre géneros, mas o horizonte de 2026 traz um novo marco: até 7 de Junho, a directiva europeia sobre transparência salarial terá de ser transposta para a lei nacional. No âmbito da equidade e transparência que se propõe na directiva, que pressupõe uma comunicação clara sobre compensação e a necessidade de reporting de informação, prevê-se que as organizações tenham de base maturidade nos seus processos: desde a arquitectura funcional e qualificação das funções até modelos estruturados de compensação.

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Mais do que um requisito legal, esta directiva traz também oportunidade para as organizações investirem no desenvolvimento dos seus processos estruturais de recursos humanos, e traz desafios para os profissionais que gerem o tema, como foco em assegurar que a organização que representam está preparada para dar resposta.

Tendo oportunidade de falar com centenas, e rever vários estudos, para as empresas este é claramente um tema no centro das preocupações para 2026. À parte do imperativo normativo, há uma mudança cultural que se antecipa, há processos para criar, managers para formar e há também a expectativa dos colaboradores sobre o tema para gerir.

A importância de conhecer o que impulsiona as pessoas: os drivers que sustentam a Employee Experience

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Compreender o que realmente impulsiona a força de trabalho é essencial para alinhar as estratégias organizacionais às verdadeiras motivações dos colaboradores, e responder à procura crescente por um trabalho mais gratificante e energizante. Só depois de compreender esses drivers podemos verdadeiramente moldar uma employee experience, que deve ser entendida como uma jornada holística que integra três dimensões: o ambiente (como é trabalhar aqui), as expectativas (o que quero e de que preciso) e os moment that matter (o que mais importa para mim).

Hoje e no futuro, a atracção não se esgota na fase de contratação; é essencial manter esse foco na atractividade ao longo de todo o ciclo de vida do colaborador. Um ponto crucial para este efeito é captar, através de ferramentas de employee listening (entrevistas, focus groups, estudos de clima, workforce analytics, benchmarks) não só o que as pessoas dizem, mas também o que fazem. Ao combinarmos métodos qualitativos e quantitativos, conseguimos criar soluções eficazes, influenciar comportamentos de forma sustentável e alcançar melhores resultados organizacionais.

Decisão baseada em dados e o papel da IA: equilibrando tecnologia e humanidade na gestão de talento

A tomada de decisão baseada em dados é cada vez mais essencial para a gestão de talento e será ainda mais no futuro. É crucial definir e medir indicadores relevantes, consolidar e analisar informação quantitativa, integrar a inteligência artificial de forma estratégica embora assegurando a dimensão humana sempre presente. Garantir o “human in the loop”, torna a tecnologia numa parceira para decisões mais equilibradas e humanizadas.

Estas três tendências – a equidade e transparência como pilares na gestão de compensação, a importância de compreender o que impulsiona as pessoas para sustentar a employee experience e o equilíbrio entre decisões baseadas em dados, inteligência artificial e a dimensão humana – vão continuamente transformar o panorama da gestão de talento. Embora essas tendências surjam de mudanças culturais e societais e de requisitos legais, elas representam uma oportunidade estratégica para criar ambientes de trabalho mais humanizados, equitativos e sustentáveis, alinhados com a concretização da estratégia organizacional.

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