Tendências para a Gestão de Pessoas em 2026: Robert Walters salienta tecnologia, demografia e regulação

Tânia Reis
30 de Dezembro 2025 | 11:00

David Ferreira, Country director da Robert Walters Portugal, identificou três tendências que vão marcar o mundo do trabalho e da Gestão de Pessoas em 2026.

 

O ano 2026 continuará em linha com os últimos anos, incerteza económica, rápidas mudanças tecnológicas e avanços na área de inteligência artificial. Por estes motivos, as empresas seguem em transformação, mais rapidamente do que nunca, o que obriga os profissionais a terem também de se adaptar para se manterem relevantes e competitivos.

Tendo isto em conta, e após muitas conversas com clientes e candidatos em Portugal e a nível global, podemos destacar as seguintes três tendências:

 

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Lacuna de competências

Actualmente existe uma lacuna de competências entre aquilo que as organizações precisam para prosperar e as capacidades que os profissionais possuem. Destaco algumas soft skills como a resiliência, tão necessária para se adaptar a um ambiente em constante mudança. A capacidade de adaptação às novas tecnologias ou às alterações estruturais é vital para manter a agilidade e viabilidade dos negócios.

Naturalmente, ao pensar em 2026 é indispensável mencionar a Inteligência Artificial. As organizações já não pedem apenas que os candidatos saibam utilizá-la; assumem como garantido que estes dominam ferramentas de IA generativa tal como sabem usar o Word. Com o crescimento das soluções de IA, a competência que realmente está a ganhar maior destaque é a visão estratégica, que embora pareça básica, é bastante difícil de encontrar em perfis de middle-management. Nos próximos anos, enquanto a IA assume tarefas automatizadas, as empresas precisarão de líderes com pensamento crítico capazes de impulsionar novas ideias.

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Envelhecimento da população

Uma das tendências mais transformadoras será o impacto da mudança demográfica. O envelhecimento populacional na Europa obrigará as organizações a repensar como atrair e capacitar talento jovem enquanto gerem equipas multigeracionais. Com a reforma dos Baby Boomers – ainda que esta continue a ser adiada devido às novas regulamentações –, será criada uma lacuna significativa de experiência e liderança, forçando as empresas a desenvolver estratégias eficazes para transferir conhecimento.

Aqui “entra em jogo” o papel fundamental das universidades e escolas de negócios, que devem trabalhar lado a lado com as empresas para formar os líderes do futuro nas competências e habilidades que realmente serão necessárias.

 

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Transparência salarial

A Directiva Europeia sobre Transparência Salarial, que entrará em vigor em Junho de 2026, está a ganhar especial relevância nas empresas em Portugal. A implementação de políticas de transparência retributiva terá um impacto directo na atracção e retenção de talento, podendo “agitar” o mercado laboral.

Por um lado, alguns profissionais poderão sentir-se mal remunerados ao comparar os seus salários dentro da própria empresa ou com os da concorrência. Isto poderá desencadear um aumento nas taxas de rotatividade laboral, gerando instabilidade interna e obrigando as empresas a investirem mais nas suas estratégias de retenção.

Por outro lado, os profissionais poderão ter maior poder na negociação salarial por estarem mais informados. Este factor afectará especialmente as pequenas empresas que necessitam atrair talento escasso, pois estas enfrentam maiores dificuldades para competir salarialmente com multinacionais.

Em suma, num contexto em que tecnologia, demografia e regulação continuam a transformar profundamente o mundo do trabalho, 2026 não deve ser encarado com receio, mas sim como uma oportunidade extraordinária para evoluirmos. As empresas que conseguirem aliar visão estratégica, capacidade de adaptação e uma cultura genuinamente centrada nas pessoas estarão mais bem preparadas para prosperar. E os profissionais que investirem continuamente no seu desenvolvimento serão os protagonistas desta nova era.

A verdade é que, embora o futuro traga desafios, ele oferece também a possibilidade de reinventar modelos, fortalecer lideranças e construir ambientes de trabalho mais transparentes, inclusivos e equilibrados. Se olharmos para estas tendências não apenas como sinais de mudança, mas como motores de progresso, estaremos a preparar o terreno para organizações mais fortes e para carreiras mais ricas e significativas.

Para 2026 e para o futuro, o sucesso pertencerá a quem tiver a coragem de aprender, a flexibilidade para se adaptar e a ambição para transformar. O futuro do trabalho está em movimento, e cabe-nos a todos moldá-lo.

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