Tenta sempre agradar a toda a gente no trabalho? Cuidado, pode ser (grande) um erro. Eis porquê

Human Resources
11 de Abril 2025 | 10:40

Na maioria dos locais de trabalho, há aquele colega que tenta agradar a toda a gente: aceita trabalho extra, fica até tarde, está à disposição das chefias e concorda com o que a maioria diz para evitar conflitos, mesmo que tenha razão. Mas será que essa mentalidade compensa? Provavelmente não, dizem os especialistas.

 

Uma pessoa que gosta de agradar é alguém que abandona as suas próprias necessidades e valores para tentar fazer outra pessoa feliz, explica Amy Morin, psicoterapeuta e autora de “13 Things Mentally Strong People Don’t Do”. Embora, superficialmente, possa pensar que esta abordagem altruísta irá acelerar a sua progressão de carreira, esta mentalidade pode prejudicar o seu sucesso profissional, alerta a Fast Company.

Veja como:

Não partilha as suas ideias

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A sua atitude exagerada ou o seu medo de causar problemas podem ser uma barreira, especialmente em sessões de brainstorming. «Não deve deixar de manifestar opiniões diferentes ou discordância com medo de aborrecer alguém», diz Morin. Além disso, esta fachada pode impedi-lo de expressar as suas verdadeiras opiniões. «Também pode concordar com coisas em que não acredita realmente, porque teme que as suas ideias não sejam aprovadas», diz ela.

 

Não demonstra competências de liderança

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Se quer progredir na sua carreira, é essencial mostrar a sua capacidade de liderar uma equipa. «É importante ser capaz de dizer ‘não’, e se não conseguir, vai concordar com más ideias ou pode ser convencido a fazer coisas que são más para a empresa. Provavelmente não será promovido se parecer um pau mandado.»

 

Não luta por si

Ser alguém que gosta de agradar os outros pode fazer com que tenha receio de falar no trabalho quando é necessário. Não pedirá um aumento, não falará quando for maltratado ou pedirá o que precisa, diz Morin. Se não se defender, é provável que os outros o superem.

 

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Diminui a qualidade do seu trabalho

Tentar agradar os outros pode usurpar o seu tempo e energia. «Se estiver sempre a dizer ‘sim’ para ajudar os outros, terá menos tempo e energia para se dedicar às suas tarefas», alerta Morin. «A qualidade do seu trabalho provavelmente sofrerá porque estará muito disperso.»

 

Esconde a sua autenticidade

As pessoas também não conseguem conhecer quem realmente é se não partilhar os seus verdadeiros pensamentos ou personalidade. Uma pessoa que só quer agradar os outros pode sentir-se sozinha porque não consegue desenvolver relações autênticas com as pessoas, diz Morin.

 

Assume a bagagem emocional dos outros

Não tem o poder de fazer os outros sentirem-se felizes — e se tentar, pode ficar frustrado, diz Morin. «Quem quer agradar os outros geralmente culpa-se pela forma como eles se sentem, por isso pode presumir que está a fazer algo de errado se os seus esforços não os deixarem felizes.»

 

Atrapalha o seu próprio sucesso

As pessoas que gostam de agradar evitam conversas difíceis sobre o seu progresso ou tendem a evitar defender o seu próprio desenvolvimento, diz Michelle Reisdorf, presidente distrital da Robert Half em Chicago. «Isto pode prejudicar o crescimento profissional e as potenciais oportunidades.»

 

Não estabelece limites saudáveis

Os colaboradores que gostam de agradar os outros podem ficar presos a uma carga de trabalho mais pesada porque não dizem nada quando estão sobrecarregados. «Se alguém tem dificuldade em estabelecer limites saudáveis, pode acabar por assumir mais trabalho do que é controlável ou aceitar exigências que estão fora das suas responsabilidades típicas», diz Reisdorf.

 

Como mudar esse “chip”?

Se quer mudar a sua forma de estar, o primeiro passo é manifestar essa vontade e depois elaborar um plano. «Pode envolver encontrar formas de se manifestar e dizer o que precisa, enquanto reconhece que ninguém precisa de lhe dar o que está a pedir», diz Morin. Requer prática mas é possível melhorar.

Por isso, se não se sente confortável em falar por si, comece aos poucos, aconselha Morin. «Partilhe uma ideia em cada reunião em que participar. E, quando o fizer, verá que haverá momentos em que as pessoas discordarão ou rejeitarão as suas ideias», sugere. O objectivo é ficar mais confortável com isso. À medida que se vai familiarizando com este plano, reconhece que também haverá momentos em que as pessoas irão realmente gostar das suas ideias e poderá achar desconfortável ser o centro das atenções ou receber elogios, mas isso faz parte da estratégia de crescimento. «Expor-se a este sentimento também o ajudará a sentir-se mais confortável com ele.»

Outro factor-chave para quebrar este padrão é aceitar que não se pode agradar a todos e que, por vezes, haverá conflitos. Os desentendimentos fazem parte de qualquer relação saudável e, muitas vezes, levam a melhores soluções e novas estratégias, diz. «Pode precisar de trabalhar em si mesmo para reconhecer que ainda é uma boa pessoa, mesmo que alguém discorde ou esteja zangado consigo.»

Se diz sempre “sim”, tente dizer “não” ou discordar pelo menos uma vez por semana, recomenda Morin. Verá como os outros reagem e lhe respondem quando recusa um convite ou se expressa. «Pode ajudá-lo a ver que as pessoas provavelmente não ficarão tão chateadas como imaginou ou responderão mal», diz Morin. «E se ficarem chateados, é apenas mais uma oportunidade para praticar a tolerância ao seu desconforto e lidar com esses sentimentos.»

Além disso, estabelecer limites pode fazer com que aqueles que agradam às pessoas se sintam fortalecidos. Este caminho pode levar a mais confiança e autodefesa. «Depois de avaliar os seus limites, recomendo que fale com o seu gestor ou um mentor de confiança para desenvolver um plano de trabalho que estabeleça limites claros e se alinhe tanto com o seu bem-estar como com os objectivos da equipa», diz Reisdorf, da Robert Half.

Esta abordagem mais comedida pode ser libertadora e ajudar a evitar a sobrecarga de projectos. «Definir objectivos tangíveis e mensuráveis ​​ajudará a orientar os seus esforços, mantendo-o responsável pelo seu progresso e, ao mesmo tempo, destacando áreas onde pode ter a capacidade de apoiar os outros de uma forma mais equilibrada e sustentável», conclui Reisdorf.

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