Com um pontuação global de 67%, o relatório revela que a quebra de 1 ponto percentual abaixo do registado no ano passado se deve sobretudo à diminuição do Índice de Confiança, que recua três pontos percentuais pela primeira vez em três anos, enquanto os restantes se mantêm estáveis.
O Índice de Satisfação no Trabalho mantém-se estável em 62%, com 55% dos trabalhadores a afirmarem estar satisfeitos com o seu emprego actual e sem intenção de mudança nos próximos seis meses. Já a confiança na capacidade de encontrar um novo emprego nos próximos seis meses situa-se nos 62%, enquanto a segurança no emprego actual fixa-se nos 64%, abrandando ligeiramente, em um ponto percentual. Paralelamente, 68% dos trabalhadores reportam confiança média ou alta de que o manager tem em consideração os seus interesses de desenvolvimento de carreira dentro da empresa.
O Índice de Confiança regista uma descida para 73%, menos três pontos percentuais face a 2025, assinalando a primeira quebra deste indicador em três anos. Apesar desta quebra, há indicadores que permanecem estáveis, com 89% dos profissionais a reportarem confiança nas suas competências e experiência para desempenhar a função actual, um valor idêntico ao de 2025.
Também a percepção de oportunidades internas se mantém inalterada face a 2025, com 62% dos trabalhadores a acreditarem ter oportunidades de promoção ou mobilidade dentro da organização. No que diz respeito às oportunidades de desenvolvimento, 76% referem ter acesso a condições para adquirir as competências e experiência necessárias para atingir os seus objectivos de carreira.
Em contraste, o indicador mais pressionado é a confiança na capacidade de utilização de tecnologia. Apenas 64% dos trabalhadores afirmam sentir-se capazes de utilizar a tecnologia mais recente disponível no seu sector, uma queda significativa de 14 pontos percentuais face ao ano anterior. Este cenário evidencia o impacto directo da aceleração da inovação em inteligência artificial: os trabalhadores mantêm confiança nas suas competências actuais, mas demonstram menor segurança na sua capacidade de adaptação tecnológica ao futuro.
Este fenómeno é reforçado por um claro paradoxo da confiança em inteligência artificial: a adopção desta ferramenta aumentou 13%, enquanto a confiança na sua utilização diminuiu 18%. Os colaboradores acreditam no que estão a fazer agora, mas não têm a certeza de como se irão adaptar ao que está para vir, uma desconexão agravada por uma crise de formação, com cerca de um em cada dois trabalhadores a não ter recebido nem formação recente (56%) nem mentoria (57%), o que limita a capacidade de acompanhar a velocidade da transformação tecnológica.
O Índice Global de Bem-Estar mantém-se estável em 67%, com 82% dos trabalhadores a continuarem a sentir que o seu trabalho é significativo e tem propósito e 75% a afirmarem existir alinhamento com a visão e valores da sua empresa. Também o equilíbrio entre vida pessoal e profissional regista uma evolução positiva, com 70% dos trabalhadores a sentirem-se apoiados neste âmbito.
Ainda assim, o stress e o burnout continuam a ser uma realidade transversal. Quase metade dos trabalhadores (49%) reporta níveis elevados de stress no dia-a-dia, enquanto quase dois em cada três afirmam ter sofrido recentemente de burnout (63%), apontando o stress (28%) e o excesso de trabalho (24%) como principais factores.
Confiança no uso de tecnologia recente recua de forma transversal entre sectores
A confiança na utilização de tecnologia e inteligência artificial está a diminuir em todos os sectores analisados, com quedas mais acentuadas em Saúde & Ciências da Vida (55%) e em Bens e Serviços de Consumo (59%), menos 23 e menos 15 pontos percentuais face ao ano passado, respectivamente.
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Sectores como Tecnologias de Informação (84%), Finanças & Imobiliário (80%) e Energia & Utilities (78%) continuam, ainda assim, a apresentar os níveis de confiança mais elevados, mantendo-se acima da média global.
De forma geral, este cenário confirma uma tendência transversal: os trabalhadores continuam a confiar nas suas competências e experiência, com níveis acima dos 90% em vários setores, mas demonstram maior dificuldade na adaptação às novas exigências tecnológicas.
No que respeita ao Índice de Bem-Estar, Tecnologias de Informação (72%), Finanças & Imobiliário (72%) e Energia & Utilities (70%) lideram, sustentados por níveis mais elevados de significado e propósito no trabalho, maior alinhamento com os valores da organização e pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Ainda assim, os sectores de Tecnologias de Informação e de Energias & Utilities apresentam também níveis de stress superiores à média global, o que evidencia uma pressão crescente associada à exigência e ao ritmo de trabalho, com impacto ao nível da fidelização destes trabalhadores à sua empresa, com o nível de satisfação com a função actual a registar os valores mais baixos entre todos os sectores analisados.
Em contraste, o sector de Bens e Serviços de Consumo apresenta o nível mais baixo de bem-estar (62%), reflectindo fragilidades consistentes ao nível do equilíbrio vida-trabalho, alinhamento organizacional e perceção de propósito. Já o sector de Saúde & Ciências da Vida destaca-se pelo elevado sentido de significado (89%), mas continua a ser penalizado por níveis de stress elevados e menor equilíbrio entre vida pessoal e profissional, evidenciando um desgaste da elevada pressão operacional.
Ao nível da Satisfação no Trabalho, Finanças & Imobiliário posiciona-se como o sector mais sólido (65%), impulsionado por níveis elevados de confiança no manager (77%) e uma perceção positiva de acesso a oportunidades no mercado (66%). Por outro lado, sectores como Serviços de Comunicação (58%), Energia & Utilities (58%) e Bens e Serviços de Consumo (59%) apresentam níveis mais baixos de satisfação, associados a uma menor segurança no emprego e menor fidelização à organização.
O estudo Talent Barometer 2026 mede o bem-estar e a satisfação profissional dos trabalhadores com base em 12 indicadores-chave, agrupados em três índices: Bem-Estar, Satisfação no Trabalho e Confiança. A pesquisa envolveu 13.918 trabalhadores a nível global, em 19 países.














