Trabalhadores de filiais estrangeiras mais produtivos e com melhor salário do que os trabalhadores de empresas nacionais

Human Resources com Lusa
22 de Dezembro 2025 | 09:10

A produtividade e o salário médio dos trabalhadores de filiais de empresas estrangeiras em Portugal foram 69,6% e 44,2% superiores aos dos que laboravam em empresas nacionais em 2024, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Nas filiais de empresas estrangeiras a operar em Portugal, a produtividade aparente do trabalho (medida pelo Valor Acrescentado Bruto – VAB gerado por cada unidade de pessoal ao serviço) e a remuneração média mensal por pessoa ao serviço atingiram no ano passado 57.767 euros e 1854 euros por pessoa ao serviço, respectivamente, mais 69,6% e 44,2% do que os valores correspondentes para as sociedades nacionais.

De acordo com o INE, esta diferença é “particularmente expressiva” nas filiais de micro dimensão, onde a produtividade aparente do trabalho e a remuneração média mensal alcançaram 46.427 euros e 2390 euros por pessoa (+99,9% e +128,7% face às sociedades nacionais com a mesma dimensão).

«Apesar de classificadas como microempresas em Portugal, estas filiais integram grupos económicos estrangeiros, o que lhes confere um contexto empresarial distinto, reflectindo-se nos valores superiores destes indicadores», nota.

Já na comparação entre filiais estrangeiras de grande dimensão e sociedades nacionais de dimensão equivalente, há uma maior convergência nos valores da produtividade aparente do trabalho e da remuneração média mensal por pessoa ao serviço.

Continue a ler após a publicidade

Considerando o período entre 2010 e 2024, as filiais estrangeiras registaram, em média, uma produtividade aparente do trabalho superior em 19.200 euros à média das sociedades nacionais, sendo a remuneração média mensal sempre superior nas filiais estrangeiras, em média mais 427 euros do que nas sociedades nacionais.

Segundo o INE, em 2024 existiam 11.066 filiais de empresas estrangeiras em Portugal, mais 3,4% do que no ano anterior, correspondendo estas unidades a 2,1% do total de sociedades não financeiras.

As filiais de empresas estrangeiras empregavam nesse ano cerca de 704 mil pessoas, correspondendo a 18,3% do pessoal ao serviço do conjunto das sociedades não financeiras.

Continue a ler após a publicidade

Em termos médios, cada filial empregava 64 pessoas em 2024, valor muito superior à média de seis pessoas das sociedades nacionais.

Entre 2023 e 2024, o peso relativo das pessoas ao serviço das filiais de empresas estrangeiras diminuiu 0,2 pontos percentuais, apesar do aumento de cerca de 22 mil pessoas ao serviço.

A taxa de investimento das filiais de empresas estrangeiras foi de 21,7% (-1,3 pontos percentuais do que em 2023), inferior à das sociedades nacionais, que foi de 23,5% (+0,5 pontos percentuais).

No ano passado, as filiais de empresas estrangeiras registaram um crescimento nominal do volume de negócios de 4,9% (+5,2% em 2023), para 162.000 milhões de euros, e um aumento do VAB de 7,4% (+11,3% em 2023), para 41.000 milhões de euros, respondendo por 29,3% e a 27,9% da facturação e do VAB, respetivamente, das sociedades não financeiras no país.

Do total do VAB gerado pelas filiais de empresas estrangeiras, as de grande dimensão (694 sociedades) contribuíram com 67,0% do total do VAB gerado por estas empresas.

Continue a ler após a publicidade

De nota ainda que a maior parte do VAB (67,7%) foi gerada por sociedades controladas por entidades sediadas na União Europeia, destacando-se a França como o principal país de origem do controlo de capital (20,8% do VAB).

As exportações das filiais de empresas estrangeiras corresponderam a 37,2% do total das exportações nacionais de bens e diminuíram 36 milhões de euros em relação ao ano anterior (-0,1%), interrompendo a trajectória ascendente dos anos anteriores (+0,3% em 2023).

Em contrapartida, as exportações totais do comércio internacional cresceram 2,0% em 2024, após a redução de 1,4% observada em 2023.

Em 2024, considerando a distribuição setorial das filiais de empresas estrangeiras com maior peso no VAB, por país de origem do controlo do capital, Espanha e França ocuparam na maioria dos setores uma das três primeiras posições.

Partilhar


Mais Notícias