Antes de falarem com os seus gestores ou equipas de Recursos Humanos, muitos trabalhadores recorrem agora a ferramentas de IA para esclarecer dúvidas sobre direitos laborais, avaliar decisões da empresa ou procurar orientação sobre processos de desempenho, reestruturações e despedimentos, reporta a HRD.
Segundo a Peninsula New Zealand, consultora especializada em relações laborais e segurança no trabalho, esta tendência representa uma das mudanças mais imediatas provocadas pela IA no contexto profissional, ultrapassando o debate habitual centrado na produtividade e na substituição de postos de trabalho.
Ashlea Maley, directora de operações da organização, afirma que os colaboradores estão cada vez mais a utilizar ferramentas de IA para interpretar situações laborais e compreender melhor os seus direitos antes de iniciarem qualquer conversa formal com a chefia ou com o departamento de RH.
Apesar de muitas empresas já possuírem políticas para regular a utilização da IA no trabalho, poucas estarão preparadas para lidar com uma realidade em que os colaboradores utilizam estas ferramentas como fonte de aconselhamento em situações concretas do dia a dia profissional.
A responsável alerta, contudo, para as limitações da tecnologia. Embora a IA consiga fornecer respostas rápidas a questões complexas, nem sempre compreende o contexto específico de cada organização, a cultura empresarial ou os acordos laborais aplicáveis a cada situação.
Os dados mais recentes parecem confirmar esta mudança de comportamento. O relatório Employee Experience Trends Report 2026, da Qualtrics, concluiu que apenas 12% dos trabalhadores da Nova Zelândia utilizam exclusivamente ferramentas de IA fornecidas pelas empresas. Trata-se da taxa mais baixa entre os mercados analisados, abaixo da média global de 20%, sugerindo uma utilização significativa de soluções externas e pessoais.
O desafio da informação sem contexto
A crescente consulta de ferramentas de IA por parte dos colaboradores levanta novas questões para as organizações. Os trabalhadores podem sentir-se mais informados e empoderados, mas também correr o risco de confiar em informação incompleta, incorrecta ou desalinhada com a legislação laboral aplicável.
Neste contexto, a comunicação clara, a transparência e a consistência das decisões empresariais tornam-se ainda mais importantes. Para os empregadores, a nova realidade implica assumir que os colaboradores chegam às conversas já munidos de informação recolhida através de ferramentas de inteligência artificial, independentemente da sua exactidão.
Relações laborais tornam-se ainda mais estratégicas
Perante este cenário, os especialistas defendem que o sucesso das organizações não dependerá apenas do investimento em novas tecnologias. A capacidade de construir relações de confiança, desenvolver lideranças eficazes e promover uma comunicação transparente poderá tornar-se um factor decisivo num ambiente de trabalho cada vez mais influenciado pela IA.
A questão agora é garantir que as práticas de Gestão de Pessoas evoluem ao mesmo ritmo que a tecnologia. Organizações com lideranças fortes e relações laborais sólidas estarão mais bem posicionadas para responder aos novos desafios colocados pela utilização crescente da IA no local de trabalho.
















