Trabalhadores mentem menos sobre competências em IA, mas há um novo risco à espreita

Os profissionais estão a ser mais transparentes sobre os seus conhecimentos de Inteligência Artificial (IA), mas essa evolução pode estar a dar lugar a um novo problema: a confiança excessiva na utilização destas ferramentas.

Human Resources
3 de Setembro 2026 | 10:10
Trabalhadores mentem menos sobre competências em IA, mas há um novo risco à espreita

A conclusão surge de um estudo recente realizado junto de mais de dois mil trabalhadores norte-americanos.

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De acordo com a terceira edição do relatório AI at Work Pulse Survey, conduzido pela WalkMe, a percentagem de trabalhadores que admite fingir conhecimentos sobre IA em reuniões caiu de 45,2% em 2025 para 28,3% em 2026. Também diminuiu o número de profissionais que reconhece apresentar trabalho gerado por IA como se fosse exclusivamente seu, passando de 48,7% para 32,5%.

À primeira vista, os dados parecem indicar uma maior maturidade na adopção destas tecnologias, reporta a Fortune. No entanto, os resultados revelam uma realidade mais complexa. Segundo o estudo, 90% dos profissionais dizem sentir-se confiantes na utilização de ferramentas de IA, apesar de apenas cerca de um quarto afirmar que estas produzem o resultado pretendido logo à primeira tentativa. Além disso, metade dos inquiridos admite já ter gastado mais tempo a tentar obter uma resposta adequada da IA do que aquele que teria sido necessário para realizar a tarefa manualmente.

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Para Dan Adika, co-fundador e CEO da WalkMe, a questão deixou de ser a tentativa de esconder lacunas de conhecimento. Na sua perspectiva, muitos profissionais acreditam genuinamente que dominam estas ferramentas, o que pode alimentar uma percepção excessivamente optimista sobre o seu impacto real no trabalho.

A confiança nem sempre se traduz em resultados

O responsável sustenta que existe uma discrepância entre a percepção dos colaboradores e o valor efectivamente gerado para as organizações. Embora muitos profissionais considerem que a IA lhes permite poupar tempo, continua a ser difícil demonstrar ganhos concretos ao nível dos resultados financeiros ou da produtividade organizacional.

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Na visão de Adika, esta diferença ajuda a explicar por que a adopção da IA continua aquém das expectativas em muitas empresas. O gestor recorda que, apesar do entusiasmo em torno da tecnologia, a utilização verdadeiramente transformadora ainda é limitada em diversas organizações.

Um desafio para líderes e equipas de RH

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Os resultados levantam questões relevantes para as áreas de Recursos Humanos, formação e transformação digital. Se a confiança dos colaboradores cresce mais rapidamente do que as competências efectivas ou do que os benefícios mensuráveis para o negócio, as empresas poderão enfrentar desafios relacionados com avaliação de desempenho, desenvolvimento de competências e adopção tecnológica.

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O estudo sugere, assim, que o próximo passo não passa apenas por aumentar o acesso às ferramentas de IA, mas também por garantir que os colaboradores compreendem as suas limitações, utilizam-nas de forma crítica e conseguem transformar o seu uso em resultados concretos para a organização.

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